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Guilherme Monteiro · São Paulo, SP

A conta da IA: financiamento circular, dívida fora do balanço e o que 2008 já ensinou

Financiamento circular, dívida fora do balanço e GPUs como garantia: como está sendo pago o investimento em IA de 2024 a 2026, e o que o telecom, a Enron e 2008 ensinam.

Resumo

Entre 2024 e 2026, as maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos passaram a investir em data centers de IA num ritmo que o Banco da Inglaterra descreveu como "unprecedented historically" [1]. O capex de Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta foi de US$ 228 bilhões em 2024 para US$ 376 bilhões em 2025, e as previsões para 2026 somam até US$ 745 bilhões. Este artigo examina como esse investimento está sendo pago e quem fica com o risco se a receita demorar a chegar.

A tese é que o ciclo da IA reúne os sinais clássicos de uma bolha de crédito, mesmo com uma tecnologia real por trás. Fornecedores investem nos clientes que compram deles: o FMI contou US$ 1,4 trilhão em compromissos de receita futura em 14 acordos desse tipo desde 2023. Parte da dívida fica fora dos balanços. A Meta construiu um campus de US$ 27 bilhões financiado por títulos de US$ 27,3 bilhões emitidos pela sócia majoritária de uma joint venture que ela não consolida, e as maiores empresas do setor somam mais de US$ 1 trilhão em aluguéis assinados que ainda não começaram. O colateral envelhece rápido: a NVIDIA lança produtos novos todo ano, enquanto as empresas depreciam servidores em cinco ou seis anos. E o risco se concentra em poucos nomes, como OpenAI, Oracle e CoreWeave, e se espalha para fundos, seguradoras e investidores individuais.

O artigo usa a história como evidência de mecanismos, não como previsão: a mania ferroviária britânica e o pânico americano de 1873, a fibra óptica de 2000, a Enron e a crise de 2008. Mostra também o que pode desmentir a tese, como a demanda de nuvem crescendo fora dos laboratórios de IA, balanços ainda fortes e o aluguel de GPUs antigas em alta em 2026, e termina com cenários e uma lista de indicadores para acompanhar. Uma seção trata do Brasil.

O tamanho da aposta

Em 2024, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta gastaram juntas cerca de US$ 228 bilhões em capex, as compras de prédios, máquinas e equipamentos registradas no fluxo de caixa. Em 2025, foram US$ 376 bilhões, 65% a mais. Só no primeiro semestre de 2026, US$ 295 bilhões, quase 80% do ano anterior inteiro. As contas são minhas, sobre os números enviados pelas empresas à SEC, com a Microsoft convertida para o ano-calendário a partir dos relatórios trimestrais [2], [3], [4], [5], [6], [7], [8], [9]. Somando a Oracle, cujo capex mais que dobrou no ano fiscal encerrado em maio de 2026, o ritmo anual das cinco passa de US$ 430 bilhões [10].

A tabela mostra o capex de cada empresa, em bilhões de dólares, e a previsão mais recente para 2026. Microsoft e Oracle usam anos fiscais que não coincidem com o calendário, e as previsões usam definições diferentes: a da Microsoft inclui leases financeiros, e a da Meta, o principal pago nesses leases [11], [12], [13], [14], [15], [16].

Empresa2023202420252026 até agoraPrevisão para 2026
Microsoft (ano fiscal até junho)28,144,564,6115,9 (ano fiscal 2026)cerca de 175 (ano-calendário)
Alphabet32,352,591,480,6 (1º semestre)195 a 205
Amazon52,783,0131,898,4 (1º semestre)cerca de 220
Meta27,037,369,749,1 (1º semestre)130 a 145
Oracle (ano fiscal até maio)8,76,921,255,7 (ano fiscal 2026)—

Somadas, as previsões de Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta para 2026 ficam entre US$ 720 bilhões e US$ 745 bilhões, quase o dobro de 2025. A agência de rating Moody's, numa nota de julho de 2026 citada pela CNBC, projetou capex de US$ 785 bilhões em 2026 para seis empresas (as quatro, mais Oracle e CoreWeave) e de cerca de US$ 1 trilhão em 2027 [17]. A Oracle, sozinha, gastou US$ 28,5 bilhões no trimestre de junho a agosto de 2026, mais que em todo o ano fiscal de 2025 [18].

O que o dinheiro compra

A maior parte do gasto vai para equipamento de vida curta. A Alphabet informou que, em 2025, "approximately 60% of that investment in servers and 40% in data centers and networking equipment" [19]. A Microsoft disse, sobre o trimestre de abril a junho de 2026: "Roughly two thirds of our capex was for short-lived assets, primarily CPUs and GPUs" [13]. É esse equipamento que se desvaloriza no ritmo descrito na seção "A física da depreciação".

Parte do aumento é preço, não quantidade. Em abril de 2026, a Microsoft previu cerca de US$ 190 bilhões de capex para o ano, incluindo "approximately $25 billion from the impact of higher component pricing" [20]. A Meta elevou a previsão no mesmo mês e explicou que a revisão "reflects our expectations for higher component pricing this year" [21]. A Amazon subiu a sua para US$ 220 bilhões em julho, e o presidente-executivo, Andy Jassy, atribuiu a alta ao preço da memória [15]. A IEA registra uma falta de memória de alta largura de banda, a HBM usada nos chips de IA, que deve "persist through at least the end of 2027" [22]. Num ciclo de investimento, quem controla o componente escasso tende a ficar com a margem, e em 2026 o componente escasso é a memória.

As empresas defendem a conta com a demanda. A Microsoft disse estar "confident in the return on these investments given higher demand signals and increasing product usage" [20]. Jassy foi mais longe: "But even at that amount, we will still not have enough capacity to meet all the demand we have in 2026, and I believe this dynamic will also be true in 2027 too," e "In fact, the demand we already have for 2028 is striking." O backlog da AWS, os contratos assinados e ainda não entregues, chegou a US$ 496 bilhões [15]. Esses números são o melhor argumento contra a tese deste artigo, e voltam na seção "O que pode desmentir a tese". Mas os maiores contratos de nuvem assinados em 2025 e 2026 têm do outro lado laboratórios de IA que ainda queimam caixa e dependem de novas rodadas de financiamento, como mostra a seção "O círculo".

O tamanho na economia

Pelas minhas contas, o capex das quatro maiores em 2025 equivaleu a cerca de 1,2% do PIB nominal dos Estados Unidos; as previsões para 2026 levam a algo entre 2,2% e 2,3% [23]. Nem todo esse dinheiro é gasto no país, porque há data centers no exterior, e boa parte do equipamento é importada, como mostra a seção sobre macroeconomia. Ainda assim, a ordem de grandeza impressiona. Segundo a IEA, "Capital expenditure of just five technology companies is now larger than global investment in oil and natural gas production." [22]. Em proporção da economia, o ciclo ainda está longe da mania ferroviária britânica, quando o investimento em ferrovias chegou a 7,3% do PIB em 1847 [24]. O que distingue o ciclo atual é a concentração: quatro ou cinco empresas respondem pela maior parte do gasto, e as maiores empresas de tecnologia, entre elas as quatro que mais investem, somam mais de um terço do S&P 500, como mostra a seção sobre macroeconomia.

O caixa já não cobre tudo

Até pouco tempo atrás, as grandes de tecnologia pagavam o investimento com o caixa que geravam, e sobrava dinheiro. A folga diminuiu. A tabela compara o caixa gerado pelas operações com o capex, em bilhões de dólares, pelas minhas contas sobre os números enviados à SEC:

EmpresaPeríodoCaixa das operaçõesCapexCapex sobre o caixa
Microsoftano fiscal 2026182,9115,963%
Alphabet2025164,791,456%
Alphabet1º semestre de 202684,980,695%
Amazon2025139,5131,894%
Amazon1º semestre de 202671,498,4138%
Meta1º semestre de 202664,149,177%
Oracleano fiscal 202632,055,7174%

As próprias empresas registram a virada. A Amazon informou em julho de 2026: "Free cash flow decreased to an outflow of $7.6 billion for the trailing twelve months, driven primarily by a year-over-year increase of $66.1 billion in purchases of property and equipment, net of proceeds from sales and incentives. This increase primarily reflects investments in artificial intelligence." [25]. A Alphabet, no mesmo mês: "We had negative free cash flow of $5.9 billion in the second quarter, driven by our investments in CapEx." [14].

Quando o capex passa do caixa, a diferença vem de dívida, de emissão de ações ou de contratos de aluguel de longo prazo. A Moody's resumiu a mudança, segundo a CNBC: "Previously, these companies relied on asset-light structures centered on software, intellectual property, and scalable cloud services that required modest capital investment," e "The transition from asset-light to asset-heavy models requires unprecedented levels of investment and capital raising." A agência estimou a dívida direta das seis empresas em cerca de US$ 460 bilhões e seus compromissos de aluguel em US$ 1,2 trilhão, dos quais mais de US$ 820 bilhões em contratos que ainda não começaram, e disse tratar esses compromissos como equivalentes a dívida [17]. A seção "Fora do balanço" mostra de onde vêm esses números.

Nada disso, sozinho, prova uma bolha. Empresas lucrativas investindo pesado numa tecnologia nova é exatamente o que se espera de uma revolução tecnológica. A literatura sobre bolhas manda olhar para outra coisa: como o investimento é pago e quem fica com o risco se a receita não vier. É o assunto da próxima seção.

Como se reconhece uma bolha

"Bolha" virou palavra de briga. Quem acha que a IA está cara usa o termo como xingamento; quem discorda responde que a tecnologia é real. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. Charles Kindleberger e Robert Aliber, autores do livro de referência sobre crises financeiras, separam os termos com mais cuidado: "The term mania describes the frenzied pattern of purchases, often an increase in prices accompanied by an increase in trading volumes; individuals are eager to buy before the prices increase further. The term bubble suggests that when the prices stop increasing, they are likely—indeed almost certain—to decline." [26]. Na mesma obra há uma ressalva que convém manter à vista durante o artigo inteiro: "Virtually every mania is associated with a robust economic expansion, but only a few economic expansions are associated with a mania." [26].

O roteiro que eles descrevem começa por um choque real. Kindleberger e Aliber resumem assim o modelo de Hyman Minsky: "Minsky argued that the events that lead to a crisis start with a ‘displacement’, some exogenous, outside shock to the macroeconomic system. If the shock was sufficiently large and pervasive, the economic outlook and the anticipated profit opportunities would improve in at least one important sector of the economy." [27]. Depois vem a euforia, em que "investment spending surges because credit is plentiful" e o dinheiro parece de graça ("money always seems free in manias"). Em seguida, uma pausa na alta, a venda forçada de quem comprou com dinheiro emprestado e, às vezes, o pânico [26]. A tese central do livro não é psicológica. É uma tese sobre crédito: "the cycle of manias and panics results from the pro-cyclical changes in the supply of credit" [26].

Minsky deu a essa história um vocabulário que serve para ler balanços. Ele divide quem toma dinheiro em três tipos. As unidades hedge "can fulfill all of their contractual payment obligations by their cash flows". As especulativas pagam os juros com a receita, mas precisam rolar o principal: "Such units need to "roll over" their liabilities". Nas unidades Ponzi, o caixa das operações não cobre nem os juros, e elas "can sell assets or borrow" para continuar de pé [28]. O segundo teorema da hipótese de instabilidade financeira é a frase que mais interessa aqui: "over periods of prolonged prosperity, the economy transits from financial relations that make for a stable system to financial relations that make for an unstable system" [28].

Aplicada ao ciclo da IA, a taxonomia separa empresas que o debate costuma misturar. As grandes plataformas que pagam o investimento com o caixa das próprias operações são unidades hedge pelo critério de Minsky, mesmo quando emitem dívida. As empresas de nuvem especializadas em GPU, que compram chips com empréstimos a serem pagos por contratos futuros e refinanciamentos, estão mais perto do perfil especulativo. E uma empresa cujos compromissos de compra somam várias vezes a própria receita, e que depende de novas rodadas de capital para honrá-los, entra no território que Minsky chamou de Ponzi. O termo é técnico e não acusa ninguém de fraude. Descreve uma estrutura que só continua de pé enquanto o financiamento continua chegando. As seções "O círculo" e "Os elos mais fracos" mostram onde cada empresa está.

Minsky também apontou quem empurra o sistema de um regime para o outro: "bankers (using the term generically for all intermediaries in finance), whether they be brokers or dealers, are merchants of debt who strive to innovate in the assets they acquire and the liabilities they market." [28]. Em 2007, a inovação estava nos veículos de securitização. No ciclo da IA, está nas sociedades de propósito específico que constroem data centers, nos empréstimos lastreados em GPU e nos fundos de crédito privado que compram essa dívida. A forma muda; o papel é o mesmo.

A economista Carlota Perez acrescenta a peça que falta para entender bolhas de tecnologia. Na leitura dela, cada revolução tecnológica tem um período de instalação, de 20 a 30 anos, comandado pelo capital financeiro e encerrado por uma grande bolha. Depois de um ponto de virada vem o período de implantação, comandado pelo capital produtivo [29]. A bolha não é acidente: "A major technology bubble (MTB) is not an accidental event. It regularly occurs midway along the process of assimilation of each technological revolution." [30].

O ponto mais incômodo da teoria de Perez é que a bolha cumpre uma função. "It is the switch to short-term gains during the bubble that attracts the necessary capital to be poured into the infrastructural networks of each revolution." [30]. As ferrovias e a fibra óptica foram construídas em excesso com dinheiro que esperava retorno rápido e acabaram usadas por outros, mais tarde. Ela descreve o espírito do auge em duas frases: "Soon there is more capital wanting a piece of the action than projects looking for funds." e "The illusion is that there are high profits to be had with very low risk." [30]. E dá dois critérios para reconhecer uma grande bolha tecnológica: "The two defining characteristics of these major technology bubbles are: (a) their concentration on the new technologies –especially the new infrastructural networks– and (b) their decoupling from the real economy." [30].

Perez separa esse tipo de bolha das bolhas de crédito descritas por Minsky: "They are the result of opportunity pull rather than of easy credit push. But they are indeed bubbles." [30]. Essa distinção é o eixo deste artigo. O ciclo da IA começou como uma bolha de oportunidade, financiada sobretudo com caixa e com ações. A partir de 2025, ganhou as marcas de uma bolha de crédito. O FMI registrou que as hyperscalers levantaram mais de US$ 100 bilhões em títulos de dívida desde janeiro de 2025, "supplemented by leveraged loans and intercorporate arrangements that are, at times, part of circular financing structures" [31]. É essa mistura que torna 2008 relevante.

Robert Shiller, que estudou bolhas a vida inteira, prefere uma definição comportamental: "A situation in which news of price increases spurs investor enthusiasm which spreads by psychological contagion from person to person, in the process amplifying stories that might justify the price increase and bringing in a larger and larger class of investors, who, despite doubts about the real value of the investment, are drawn to it partly through envy of others’ successes and partly through a gambler’s excitement." [32]. O indicador que leva o nome dele, o CAPE, divide o preço do índice S&P pela média de dez anos dos lucros reais. Na série de Shiller atualizada em 5 de outubro de 2026, o CAPE chegou a 44,20 em dezembro de 1999, o recorde, e a 27,55 em maio de 2007. Em agosto de 2026 marcou 40,99, a leitura mais alta desde 2000, e a prévia de outubro de 2026 está em 40,71. A média desde 1881 é 17,80 [33].

Reconhecer uma bolha cedo não significa acertar quando ela estoura. Em 5 de dezembro de 1996, o presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, perguntou em público: "But how do we know when irrational exuberance has unduly escalated asset values, which then become subject to unexpected and prolonged contractions as they have in Japan over the past decade?" [34]. O CAPE estava em 27,72 naquele mês e subiu por mais três anos, até 44,20 em dezembro de 1999 [33].

O próprio Shiller avisa que o indicador não marca data e que bolhas nem sempre estouram de uma vez: "Though the abrupt ends of stock market booms in 1929, 2000 and 2007 might seem consonant with such a metaphor, these booms were reflated again before long" [32]. Andrew Odlyzko, que estudou as manias ferroviárias, documenta um caso que desmente a regra: a mania ferroviária britânica dos anos 1830, especulativa e lucrativa para quem investiu. A conclusão dele serve de freio para este texto: "The example of the railway mania of the 1830s serves as a useful antidote to claims that bubbles are easy to detect or that all large and quick jumps in asset valuations are irrational." [35].

Daqui em diante, o artigo usa seis marcadores, todos tirados dessa literatura e todos verificáveis com dados públicos:

MarcadorOrigem na literaturaOnde o artigo testa
Choque real e expectativa de lucro"displacement" (Minsky, Kindleberger e Aliber)O tamanho da aposta
Crédito financiando a expansãociclo pró-cíclico do crédito (Kindleberger e Aliber); passagem de hedge para especulativo (Minsky)2008; Fora do balanço; Os elos mais fracos
Inovação nos passivos"merchants of debt" (Minsky); veículos fora do balançoEnron; 2008; Fora do balanço
Receita que depende do próprio financiamentovendor financing e trocas de capacidade no telecomTelecom; O círculo
Colateral que perde valor rápidolastro com vida econômica curtaA física da depreciação
Preço descolado do resultadoCAPE (Shiller); "decoupling" (Perez)Como se reconhece uma bolha; Macroeconomia

Nenhum marcador, sozinho, prova bolha. A tese deste artigo é que, em 2026, os seis aparecem ao mesmo tempo, e que três deles (crédito, inovação nos passivos e receita circular) são justamente os que separaram uma correção de mercado de uma crise financeira nos episódios que vêm a seguir.

Ferrovias: a infraestrutura fica, o investidor paga

A comparação mais citada para a IA é a internet de 2000, mas a mais útil talvez seja mais velha. Na Grã-Bretanha dos anos 1840, as ferrovias eram a tecnologia que ia mudar tudo, e mudaram. Cada linha precisava de autorização do Parlamento, o que deixou um registro anual da euforia. Foram 91 milhas aprovadas em 1843, 805 em 1844, 2.700 em 1845 e um recorde de 4.538 em 1846. Em 1847, 1.354; em 1850, só 8 [24].

O tamanho do investimento é o dado que mais conversa com 2026. Segundo Odlyzko, o gasto com ferrovias "peaked in 1847, at a level of about £44 million (in contrast to about £50 million for the national government budget)". Pela conta dele, "railway investments of £44 million in 1847 came to 7.3% of a GDP of £600 million, which is comparable to $1.1 trillion for the U.S. today", e o "today" do texto é 2010. Na tabela do mesmo trabalho, as ferrovias respondem por £43,9 milhões dos £88 milhões investidos no país em 1847, quase metade de todo o investimento britânico [24]. A comparação mais forte do autor é com o orçamento militar: "At its height, individual capitalists, in pursuit of private profit, were plowing more than twice as much into the construction of a public infrastructure as their nation was spending on the military." [24].

O investimento não parou quando as ações caíram. Odlyzko explica por quê: "Even in 1850, when investors felt crushed by the stock market decline, investments were high, higher than they had ever been before 1845. The reason was not that any shareholders were enthusiastic about the spending. Rather, so much money had been spent that it was felt better to go on and complete the lines and earn small returns than abandon them completely and get nothing." [24]. É a lógica do custo afundado, e ela importa para a IA. Um campus de data center pela metade não vale nada, e por isso o capex tende a continuar alto por algum tempo depois de a confiança acabar.

Para quem pôs dinheiro, o resultado foi ruim. "The best known index of railway shares prices declined from 167.9 in the summer of 1845 to 60.5 at the end of 1849, a drop of 64%." [36]. A Economist resumiu o paradoxo em 1855, numa frase que Odlyzko reproduz: "[m]echanically or scientifically, the railways, with all their multiplied conveniences and contrivances, are an honour to our age and country: commercially, they are great failures." [24]. Charlotte Brontë, que tinha ações de uma das linhas, escreveu em 1849, também segundo Odlyzko: "The original price of Shares in this Railway was £50. At one time they rose to 120; and for some years gave a dividend of 10 per cent; they are now down at 20, and it is doubtful whether any dividend will be declared this half-year." [24].

A explicação popular põe a culpa em fraudadores, como George Hudson, que maquiava balanços. Odlyzko discorda: "accounting fraud was not the fundamental cause of the investment disaster of the Railway Mania. Distorted financials helped mask for a while the disappointing returns that new railways produced for investors, but were not the reason for the lack of profits. The main problem was the headlong expansion during the Mania. It tripled British railway mileage, and the new lines cost more than expected and brought revenues lower than expected." [36]. A receita anual por milha caiu de £3.470 em 1845 para £2.080 em 1850 [36]. A lição vale para hoje: o problema de uma bolha de infraestrutura costuma ser aritmético, não moral. Capacidade demais, construída cara demais, para uma demanda que cresce, mas mais devagar do que o prometido.

Kindleberger descreve como o perfil de quem investe muda ao longo do ciclo: "In early railway investment, for example, initial investors were persons doing business along the rights of way who sought benefits from the railroad for their other concerns. They were followed by a second group of investors interested in the profits the railroad would earn, and by a third group, made up of speculators who, seeing the rise in the railroad’s shares, borrowed money or paid for the initial instalments with no intention of completing the purchase, to make a profit on resale." [37]. Na IA, o primeiro grupo são as empresas que constroem capacidade para os próprios produtos. O segundo são os que constroem para vender ou alugar capacidade a terceiros. O terceiro aparece quando o dinheiro passa a entrar porque o preço sobe, e não porque o fluxo de caixa justifica.

Perez registra um detalhe da mania ferroviária que lembra o Ponzi de Minsky: "During the railway mania in the 1840s, though, companies without profits did pay dividends out of the new capital they attracted in order to keep previous investors in and new investors coming." [30]. Quando o dinheiro novo paga quem chegou antes, a estrutura depende de o dinheiro novo continuar entrando.

Odlyzko liga a mania vitoriana à de 2000 de modo explícito. Para ele, os dois maiores desastres de investimento real da bolha da internet foram a fibra de longa distância nos EUA e os leilões europeus de espectro 3G, "each of which cost on the order of $100 billion to €100 billion" [24]. Nos dois casos, "there was hard quantitative evidence that once those went into service, there would not be enough demand to provide the expected profits." [24]. E a frase que ele usa para os dois episódios serve para o terceiro: "society decided to adopt the new offerings at its own speed, slower than that expected by inventors, promoters, and investors, and financial ruin followed in both cases." [24].

Há um contraponto, e é do mesmo autor. A mania ferroviária dos anos 1830, menor e anterior, deu lucro a quem investiu. Odlyzko também separa infraestrutura financiada com ações de crises de dívida: "One could argue that the infrastructure construction funded by equity is radically different from the much more frequent, far more dramatic and attention-grabbing financial crises that are associated with large accumulations of debt, typically for consumption." [35]. Essa distinção decide o tamanho do estrago. Quando a conta fica com acionistas, a perda é dolorosa, mas não se espalha como numa crise bancária. Quando fica com credores alavancados, se espalha.

1873: quando a ferrovia é paga com dívida

Do outro lado do Atlântico, a história teve outro desfecho, porque o dinheiro era outro. A crise americana de 1873, nas palavras de historiadores do Federal Reserve, "arose from investments in railroads. Railroads had expanded rapidly in the nineteenth century, and investors in many early projects had earned high returns. As the Gilded Age progressed, investment in railroads continued, but new projects outpaced demand for new capacity, and returns on railroad investments declined." [38]. Quando quebras na bolsa de Viena levaram investidores europeus a vender títulos de ferrovias americanas, as empresas ficaram sem dinheiro para operar e para refinanciar dívidas. O banco Jay Cooke & Co., muito exposto à Northern Pacific, quebrou em 18 de setembro de 1873. Dois dias depois, a Bolsa de Nova York fechou pela primeira vez na história e ficou dez dias sem pregão, e pelo menos cem bancos quebraram no país [38].

A diferença em relação à mania britânica estava no passivo. "Railroads were built mainly with borrowed money", escrevem Kay Giesecke, Francis Longstaff, Stephen Schaefer e Ilya Strebulaev num estudo de 150 anos de calotes de títulos corporativos. Entre 1873 e 1875, os calotes somaram "36 percent of the par value of the entire corporate bond market"; o pior triênio da Grande Depressão ficou em 12,88% [39]. A contração que veio depois durou 65 meses, de outubro de 1873 a março de 1879, a mais longa da cronologia do NBER [40]. Os próprios autores fazem a ponte com os ciclos recentes: os booms de tecnologia financiados com dívida no século 19 foram seguidos de crises "closely resembling patterns in the telecommunications and structured-credit-products cycles of the past decade." [39].

Também aqui há contraponto. O historiador econômico Scott Mixon mostra que, antes de 1873, ações, opções e títulos já precificavam o risco. Os investidores "were not caught up in an irrational, speculative mania", e a crise começou pelas ferrovias mais alavancadas [41]. Não faltou aviso. O problema foi a dívida concentrada nos elos mais fracos, que é justamente a pergunta da seção "Os elos mais fracos".

A comparação de durações resume o argumento deste artigo. Segundo o NBER, a recessão que seguiu o estouro da internet, financiada sobretudo com ações, durou 8 meses, de março a novembro de 2001. A de 2007–2009, uma crise de crédito, durou 18 meses. A de 1873, uma crise de títulos de ferrovia, durou 65 [40]. O tamanho do estrago depende menos da tecnologia do que de quem está segurando a dívida.

As ferrovias deixam duas lições para a IA. A infraestrutura sobrevive à bolha: as linhas da mania foram terminadas e continuaram em uso depois que as ações afundaram, e os prédios, subestações e linhas de transmissão dos data centers de hoje também vão servir a alguém. Mas uma ferrovia serve por décadas, e o chip que justifica o investimento dura poucos anos, como mostra a seção sobre depreciação. E até 2024 o ciclo da IA era pago sobretudo com caixa e ações, como as manias britânicas; desde 2025 está migrando para a dívida, como a expansão ferroviária americana que terminou no pânico de 1873.

Telecom, 1996–2002: fibra apagada e receita de ida e volta

Se as ferrovias mostram a aritmética de uma bolha de infraestrutura, o telecom do fim dos anos 1990 mostra a contabilidade. Foi o último ciclo em que uma tecnologia de rede atraiu capital nessa escala, e quase todos os mecanismos discutidos neste artigo apareceram ali: demanda medida pela capacidade, fornecedores financiando clientes, vendas cruzadas entre concorrentes e uma melhora técnica que multiplicou a oferta mais rápido do que o mercado conseguia usar.

O investimento foi grande e rápido. Economistas do Federal Reserve de Richmond calcularam que, entre o primeiro trimestre de 1996 e o quarto de 2000, "investment in communications equipment grew from approximately $62 billion per year to over $135 billion per year in constant 1996 dollars", um crescimento médio de quase 18% ao ano. A queda foi igualmente rápida: no quarto trimestre de 2001, o número ficou abaixo de US$ 93 bilhões, "only 69 percent of the same figure one year earlier", e a participação dos equipamentos de comunicação no investimento privado caiu de quase 7% em 2000 para 4,8% no fim de 2002 [42].

O mito que justificava o investimento

A história que sustentava esse capex era uma estatística. Andrew Odlyzko a descreve assim: "The most popular and extremely misleading myths of the dot-com and telecom bubbles was that “Internet traffic doubles every 100 days” (or 3 months, or 4 months)." [43]. O número real, segundo ele, era bem menor e mesmo assim enorme: o tráfego estava "close to doubling each year since 1997". A fonte principal do mito tinha nome: "At its base, most of the support for the myth of astronomical growth rates in Internet traffic was coming from WorldCom." [43]. Numa apresentação de março de 2000, Bernie Ebbers, presidente da WorldCom, disse que, por causa da demanda, o capex da empresa em 2003 "would have to exceed $100 billion" [43].

O detalhe que mais interessa para 2026 é a confusão que estava por trás do mito: "most of the WorldCom claims about astronomical growth rates of their network were about network capacity, not traffic." [43]. Capacidade instalada é uma decisão de quem investe. Tráfego é uma decisão de quem usa. Quando a primeira passa a ser apresentada como se fosse a segunda, o mercado perde o termômetro. A seção "O círculo" mostra que boa parte dos números de demanda da IA, como gigawatts contratados e carteiras de contratos, mede compromissos de capacidade, não uso.

Fibra demais, e cada fio carregando mais

O último levantamento anual da FCC sobre fibra, com dados até o fim de 1998, já mostrava o desenho. As operadoras antigas usavam boa parte da fibra que tinham: 50% na AT&T, 85% na Sprint. As novas, que construíam redes inteiras do zero, quase não acendiam a delas. A Qwest tinha 2% da fibra acesa em 1998, a Williams 1%, a GST 2% e a NEON 5%. Só naquele ano, a fibra instalada pelas operadoras de longa distância cresceu mais de 30%, para mais de 3,6 milhões de milhas de fibra [44]. O relatório da FCC explicava a lógica do excesso numa frase: "Although up-front costs for fiber deployment are high, a significant portion of the total investment can be deferred until actual demand materializes." [44]. Os economistas de Richmond acrescentam que as quatro grandes de 1996 tinham 72% da fibra de longa distância dos EUA e, em 1999, só 30%, enquanto a instalação anual de fibra se multiplicava por mais de quatro [42].

Mark Doms, do Federal Reserve de São Francisco, mediu a corrida de outro jeito: "in 1996 there were 143,000 route miles of fiber in the country, but by 2000 this had increased to 320,000." Em 1990, quatro empresas tinham redes nacionais de fibra; em 2000, dez. "Chicago and Minneapolis are each served by twenty long-haul firms", contra cerca de cinco em 1990 [45].

E cada fio passou a carregar muito mais. "In 1996, a strand of fiber transmitted data at approximately 2.5 gigabits per second (Gbps). By 2000, the capacity of the same fiber could reach 100 Gbps.", graças à multiplexação por comprimento de onda; a capacidade de uma fibra dobrou "approximately every nine months between 1996 and 2000", mais rápido que a lei de Moore [42]. Os autores listam três causas do excesso: o exagero típico de uma indústria nova, uma capacidade por fio que cresceu mais do que o previsto e, "perhaps most importantly", uma demanda que "had not grown as fast as many had forecast: the pessimists turned out to be right." [42].

Esse é o paralelo técnico mais direto com a IA. Quando a eficiência sobe mais rápido que a demanda, a capacidade física construída para a demanda prevista sobra, mesmo que a demanda continue crescendo. Na IA, a eficiência vem de chips novos a cada ano e de modelos que entregam o mesmo resultado com menos computação. A seção sobre depreciação trata disso com números.

O preço da conta

O índice de ações de telecom da Nasdaq foi de 198 em abril de 1997 a 1.230,06 em 10 de março de 2000 e caiu 62% até o fim daquele ano. Em 16 de maio de 2003 estava em 136. Só as empresas de telecom do S&P perderam cerca de US$ 700 bilhões em valor de mercado entre 2000 e 2002, "more than 3.5 percent of the entire value of U.S. corporate equities at the stock market peak in 2000" [42]. O índice Nasdaq Composite fechou em 5.048,62 no mesmo 10 de março de 2000 e em 1.114,11 em 9 de outubro de 2002, uma queda de 77,9%. Só voltou a fechar acima do pico de 2000 em 23 de abril de 2015, mais de quinze anos depois [46].

O Banco de Compensações Internacionais (BIS) explicou em 2002 por que os bancos saíram relativamente inteiros: "a considerable amount of the financing for the most risky elements of the late 1990s boom was obtained from outside the banking system. This is perhaps best illustrated by the fact that firms in the technology and telecommunications sectors relied heavily on vendor financing, venture capital and the equity and bond markets for their financial needs." [47]. É a mesma composição de financiamento que aparece hoje, com outros nomes: crédito de fornecedor, capital de risco, ações e títulos.

O fornecedor que empresta para o cliente comprar dele

Os balanços dos fabricantes de equipamentos de 2001 registram o mecanismo que voltaria em 2025. A Lucent explicava no relatório anual: "Some of our customers worldwide are requiring their suppliers to arrange or provide long-term financing for them as a condition of obtaining or bidding on infrastructure projects. These projects may require financing in amounts ranging from modest sums to more than a billion dollars." [48]. Os compromissos totais de financiamento a clientes da Lucent eram de US$ 8,1 bilhões em 30 de setembro de 2000. No ano fiscal de 2001, a empresa lançou US$ 2,2 bilhões em provisões para créditos duvidosos e financiamentos a clientes, cerca de US$ 1,3 bilhão em três projetos, entre eles a Winstar, que pediu recuperação judicial em abril de 2001 [48]. Entre os fatores de risco, uma frase que valeria para qualquer fornecedor que hoje investe nos próprios clientes: "We are vulnerable to downturns in our customers' businesses as a result of our customer financing arrangements." [48].

A Nortel contou a mesma história. "As a result of the competitive environment during 1999 and 2000, we provided significant amounts of medium-term and long-term customer financing" [49]. O total de financiamento a clientes caiu de US$ 5,168 bilhões no fim de 2000 para US$ 2,075 bilhões no fim de 2001, porque "our ability to place customer financing with third-party lenders was significantly reduced during 2001". O prejuízo líquido da Nortel em 2001 foi de US$ 27,3 bilhões [49]. A Cisco tratava o crédito como arma de venda: "We believe customer financing is a competitive factor in obtaining business, particularly in supplying customers involved in significant infrastructure projects." Seus empréstimos podiam incluir "additional funds for soft costs associated with network installation and integration of our products and for working capital purposes" [50].

Em outubro de 2026, economistas do BIS usaram exatamente esse episódio para explicar o risco das relações circulares na IA: "upstream equipment vendors such as Lucent and Nortel financed network operators so that the operators could buy the vendors' equipment [...]. This meant that part of the equipment vendors' reported sales was being funded by the vendors themselves." [51].

Receita de ida e volta

Em alguns casos, a circularidade foi além do financiamento e virou receita fabricada. Em 2004, a SEC acusou a Qwest de ter reconhecido de forma fraudulenta mais de US$ 3,8 bilhões em receitas entre 1999 e 2002. Parte delas veio da venda de direitos de uso de fibra (IRUs) e, quando a demanda caiu, de trocas: "When the demand for IRUs declined, Qwest engaged in IRU "swaps" whereby Qwest bought IRUs from other companies in exchange for agreements from those companies to buy IRUs from Qwest." [52]. Segundo a SEC, o recurso virou rotina a ponto de funcionários compararem a prática a um vício e chamarem as vendas não recorrentes de "heroin". A Qwest fez acordo sem admitir nem negar as acusações e pagou multa de US$ 250 milhões [52].

A Global Crossing é o caso mais didático, porque a SEC mediu a circularidade. No primeiro semestre de 2001, as vendas de capacidade da empresa passaram a depender de compras simultâneas das mesmas operadoras: "GX’s ability to sell capacity often became linked to, and in some cases dependent on, GX’s simultaneous purchase of a nearly equal dollar amount of capacity." No segundo trimestre de 2001, essas "reciprocal transactions" foram US$ 516 milhões dos US$ 567 milhões em vendas de IRUs, ou 91%, e sem elas o "Recurring Adjusted EBITDA" da empresa "would have gone from the reported $472 million to a negative $43 million." [53]. A Global Crossing pediu recuperação judicial em 28 de janeiro de 2002. O caso foi de divulgação, encerrado por acordo, e a SEC não acusou fraude [53].

A WorldCom, a fonte do mito do tráfego, acabou no caso mais simples. Em junho de 2002, a SEC a acusou de uma fraude contábil de "more than $3.8 billion", feita ao lançar como investimento, e não como despesa, os valores pagos a outras operadoras pelo uso de suas redes [54]. A empresa pediu recuperação judicial em 21 de julho de 2002 [55].

O contraponto

Nem todo mundo vê bolha no telecom. Os economistas de Richmond, escrevendo em 2003, chamaram o ciclo de "in large part—a rational response to the changing fundamentals of technology and regulatory environment", com grandes erros de previsão num ambiente de incerteza: "our explanation for the telecommunications boom and bust does not involve fraud, irrationality, or a bubble. To be sure, as the bust became apparent, fraud did occur. But it is not clear that fraud played an important role in the boom and the early stages of the bust." [42]. O argumento é sério, e vale para a IA: dá para errar a previsão de demanda sem fraude nenhuma. A fraude aparece depois, quando os números precisam fechar.

Doms acrescenta um argumento técnico que vale guardar para os data centers: "the marginal cost of fiber is small relative to the cost of laying a new fiber route; in other words, it would be much cheaper to lay additional strands of fiber today while trenches are open than to dig up the trenches again several years from now and lay some additional fiber lines. So, although the utilization rate is low, that does not imply that firms were irrational in the amount of fiber they installed." Mesmo assim, ele reconhece que o investimento em tecnologia de 1999 e 2000 ficou muito acima do que um modelo previa, porque "expectations were too high, especially in two sectors of the economy, telecommunications services and the dot-com sector." [45].

O telecom deixa quatro sinais para procurar em 2026, e nenhum deles exige supor má-fé. Demanda medida por capacidade contratada. Vendas financiadas pelo próprio vendedor. Contratos cruzados entre empresas que são clientes e fornecedoras umas das outras. E uma tecnologia que multiplica a oferta mais rápido do que o uso. As próximas seções mostram que os quatro estão presentes no ciclo da IA, e em escala maior.

Enron: a regra que nasceu de um escândalo

A Enron entra neste artigo por dois motivos que não têm a ver com a fraude em si. O primeiro é o motivo econômico que levou a empresa a tirar dívida do balanço, porque ele é o mesmo de qualquer empresa que precisa investir muito antes de receber. O segundo é que as regras contábeis que hoje decidem se um data center aparece ou não no balanço de uma big tech nasceram da investigação desse caso.

O relatório do comitê especial do conselho da Enron, conhecido como Relatório Powers, descreve o problema sem adjetivos: "Much of this growth involved large initial capital investments that were not expected to generate significant earnings or cash flow in the short term. While Enron believed these investments would be beneficial over a period of time, they placed immediate pressure on Enron's balance sheet. Enron already had a substantial debt load. Funding the new investments by issuing additional debt was unattractive because cash flow in the early years would be insufficient to service that debt and would place pressure on Enron's credit ratings. Maintaining Enron's credit ratings at investment grade was vital to the conduct of its energy trading business." [56].

A solução foi trazer sócios de fora para entidades separadas, que podiam tomar empréstimos em nome próprio, "although in many cases a guaranty or other form of credit support was required from Enron". E o relatório explica por que a administração preferia essa forma: "Enron management preferred the latter treatment--known as "off-balance-sheet"--because it would enable Enron to present itself more attractively as measured by the ratios favored by Wall Street analysts and rating agencies." [56]. Investimento grande, retorno distante e um rating a proteger: o motivo é idêntico ao de um campus de data center de US$ 27 bilhões, e a seção "Fora do balanço" mostra como ele é resolvido hoje dentro das regras.

A regra dos 3%

Antes de 2003, a fronteira entre dentro e fora do balanço era quase aritmética. O Relatório Powers resume: uma empresa podia tratar uma entidade de propósito específico (SPE) como independente se "(1) an owner independent of the company must make a substantive equity investment of at least 3% of the SPE's assets, and that 3% must remain at risk throughout the transaction; and (2) the independent owner must exercise control of the SPE." [56]. A equipe da SEC descreveu depois o efeito prático: dando a um terceiro com 3% de capital o controle de voto da entidade, "a sponsor could generally avoid consolidation, despite the fact that the activities of the SPE could not be substantively changed by the "controlling" investor." [57].

Algumas estruturas da Enron nem cumpriam a regra; outras cumpriam no papel e não na substância. As mais conhecidas, os veículos "Raptor", eram proteções contra a queda de investimentos da própria Enron, capitalizadas com ações da Enron. O Relatório Powers aponta o defeito: "If the value of the investments fell at the same time as the value of Enron stock fell, the SPEs would be unable to meet their obligations and the "hedges" would fail. This is precisely what happened in late 2000 and early 2001." [56]. No segundo semestre de 2000, os "lucros" vindos dos Raptors responderam por mais de 80% do lucro antes de impostos que a Enron divulgou [56]. Uma garantia que perde valor exatamente quando é necessária tem nome técnico, risco de correlação adversa (wrong-way risk), e o nome volta na seção sobre 2008 e na seção sobre o círculo da IA.

Receita que dá a volta

O mecanismo da Enron mais parecido com o tema deste artigo não foram os Raptors, mas os "prepays". Eram operações de três partes, com uma afiliada da Enron, um banco e um veículo criado pelo banco, em que os pagamentos davam a volta completa. A equipe da SEC descreve o resultado: "The circular nature of delivery and payments with respect to the commodities had the effect of eliminating any material risk or any potential gain with respect to the changes in the price of the underlying commodity. Each party's apparent assumption of price risk was illusory. With the elimination of price risk, "prepays" were effectively debt." [57]. A Enron lançava o dinheiro como caixa operacional e a obrigação como passivo de gestão de risco, não como dívida: "these prepay transactions allowed Enron to hide debt, lower key financial ratios followed by analysts, and provide the illusion of cash flow from operations." [57].

A mesma passagem dá a ferramenta analítica que este artigo usa para ler os acordos da IA, o chamado problema da unidade de conta: "The economics of a transaction may look quite different depending on how broadly or narrowly one defines the boundaries of the transaction. That is, a particular contract may appear to have certain economic characteristics when viewed in isolation—and may be given a certain accounting treatment that corresponds to those economic characteristics—but if understood as a piece of a larger agreed-upon transaction may actually have quite different economics, and be properly accorded different accounting treatment." [57]. Traduzindo: para entender um acordo circular, é preciso olhar o laço inteiro, e não cada perna isolada. Isso vale como método e não como acusação. Os acordos de IA discutidos adiante são públicos e não há alegação de fraude contra nenhum deles.

Quanto estava escondido

O tamanho do que ficava fora dos números é o dado mais assustador do caso. Citando o examinador nomeado pelo tribunal de falências, a equipe da SEC registrou: "For 2000, barring the use of these techniques, Enron's reported debt would have been $22.1 billion rather than $10.2 billion." E mais: em 19 de novembro de 2001, a Enron divulgou cerca de US$ 13 bilhões de dívida no balanço, mas no mesmo dia disse aos bancos que a dívida era de cerca de US$ 38 bilhões [57]. O Relatório Powers lembra que boa parte disso aparecia nas notas explicativas, mas de forma inútil: "these disclosures were obtuse, did not communicate the essence of the transactions completely or clearly, and failed to convey the substance of what was going on between Enron and the partnerships." [56]. Informação disponível e informação compreensível são coisas diferentes.

A resposta: entidades de interesse variável

A resposta do órgão que define as normas contábeis americanas, o FASB, veio em janeiro de 2003 com a Interpretação nº 46, revista em dezembro do mesmo ano [57]. A ideia central é que o controle por voto não basta para decidir quem consolida uma entidade: "The voting interest approach is not effective in identifying controlling financial interests in entities that are not controllable through voting interests or in which the equity investors do not bear the residual economic risks." [58]. Entidades com capital próprio insuficiente para se financiar sem apoio de terceiros passaram a ser chamadas de entidades de interesse variável (VIEs), e quem as consolida é o "primary beneficiary": "the party that absorbs a majority of the entity's expected losses, receives a majority of its expected residual returns, or both" [58].

As regras não acabaram com as estruturas. A equipe da SEC observou, já em 2005, que "many arrangements with potential VIEs were restructured such that the entity either would not be considered a VIE or such that no party would be required to consolidate the VIE." [57]. E uma exceção sobreviveu à reforma, a dos veículos de securitização qualificados (QSPEs): "Transferors to qualifying special-purpose entities [...] do not consolidate those entities." [59]. Foi por essa porta que passou boa parte da alavancagem de 2007.

O mesmo relatório da SEC mediu outra zona cinzenta, a dos arrendamentos. Com regras de "tudo ou nada", contratos eram desenhados para ficar logo abaixo das linhas que exigiam reconhecimento no balanço, e a equipe estimou em cerca de US$ 1,25 trilhão as obrigações futuras de arrendamentos operacionais das empresas americanas que não apareciam no balanço, só nas notas [57]. O diagnóstico ficou famoso: "lease structuring to meet various accounting, tax, and other goals, has become an industry unto itself in the last 30 years." [57].

A Enron deixa três lições para a leitura dos data centers de IA, todas sobre estrutura e nenhuma sobre fraude. O motivo para tirar investimento do balanço continua sendo proteger índices e rating. As regras que decidem o que entra no balanço dependem de julgamentos (quem tem o poder, quem absorve as perdas, quanto dura o contrato) e podem ser desenhadas em volta. E garantias cujo valor cai junto com o risco que deveriam cobrir falham justamente quando são chamadas.

2008: o que sai do balanço volta na crise

A comissão do Congresso americano que investigou a crise de 2008, a Financial Crisis Inquiry Commission (FCIC), abriu as conclusões com uma frase que deveria incomodar qualquer um que diga que crises são imprevisíveis: "We conclude this financial crisis was avoidable. The crisis was the result of human action and inaction, not of Mother Nature or computer models gone haywire." [60]. Este artigo usa 2008 como evidência no sentido estrito. Não para dizer que a IA vai produzir uma crise do mesmo tamanho, mas para mostrar quais mecanismos transformaram perdas num setor em perdas no sistema, e procurar esses mecanismos no ciclo atual.

O primeiro mecanismo era a alavancagem que não aparecia. Segundo a FCIC, os cinco grandes bancos de investimento operavam com "extraordinarily thin capital. By one measure, their leverage ratios were as high as 40 to 1, meaning for every $40 in assets, there was only $1 in capital to cover losses. Less than a 3% drop in asset values could wipe out a firm." [60]. E parte dela estava fora da vista: "the leverage was often hidden—in derivatives positions, in off-balance-sheet entities, and through "window dressing" of financial reports available to the investing public." [60]. A comissão resumiu o sistema numa frase: "We had a 21st-century financial system with 19th-century safeguards." [60].

Da Enron ao papel comercial

A FCIC liga diretamente a reforma pós-Enron à alavancagem de 2007. Bancos colocavam empréstimos em programas de papel comercial lastreado em ativos (ABCP), fora do balanço, e assim deixavam de reservar capital para eles. Quando o FASB, depois da Enron, dificultou essa saída, o mercado travou, e os reguladores bancários reagiram: em 2004 permitiram que esses ativos ficassem fora do cálculo de capital, com uma cobrança de "up to 0.8%" sobre as linhas de liquidez dadas aos programas. "Growth in this market resumed." [60]. A lição é desconfortável: a regra contábil apertou, a regra prudencial afrouxou, e a estrutura continuou crescendo.

O mercado de ABCP chegou a US$ 1.225,7 bilhões na semana encerrada em 8 de agosto de 2007, segundo os dados do Federal Reserve. No fim daquele ano estava em US$ 774,5 bilhões [61]. Economistas do próprio Fed descreveram o que aconteceu como uma corrida bancária sem bancos: "more than 100 programs (one-third of all ABCP programs) were in a run within weeks of the onset of the turmoil and the odds of subsequently leaving the run state were very low." [62]. Os veículos estruturados de investimento (SIVs), uma variante desses programas que investia sobretudo em títulos com nota AAA, eram 36, com quase US$ 400 bilhões em ativos, alavancados "an average of just under 14-to-1". Investidores de um deles, o Sigma, perderam mais de 95%. "As of fall 2010, not a single SIV remained in its original form." [60].

O que estava fora volta para dentro

O ponto central de 2008 para este artigo é o que acontece com compromissos que não estão no balanço quando a crise chega. O Citigroup tinha vendido "liquidity puts", promessas de comprar papel comercial emitido por CDOs se ninguém mais quisesse, sobre US$ 25 bilhões. Antes de 2004, essas promessas não exigiam capital nenhum; depois, 0,16%. Em 2007, a FCIC conta, os eventos iriam "catapult the entire $25 billion in commercial paper straight onto the bank's balance sheet, requiring it to come up with $25 billion in cash as well as more capital to satisfy bank regulators." [60].

Com os SIVs que o banco administrava, aconteceu o mesmo, por pressão e não por contrato. Em 13 de dezembro de 2007, o Citi anunciou uma linha de apoio aos veículos e informou: "As a result of this commitment, Citi will consolidate the SIVs' assets and liabilities onto its balance sheet under applicable accounting rules." Os ativos dos SIVs tinham caído de US$ 87 bilhões em agosto para US$ 49 bilhões [63]. Em novembro de 2008, o banco trouxe os últimos US$ 17,4 bilhões para dentro [60]. William Dudley, do Fed de Nova York, admitiu à FCIC que pouca gente entendia "the backstops that banks were providing SIV conduits either explicitly or implicitly." [60]. Na regulação bancária, isso ganhou depois o nome de risco de intervenção (step-in risk): o patrocinador não é obrigado a socorrer o veículo, mas socorre, porque a alternativa custa mais à reputação e ao negócio.

Chamadas de margem antes do prejuízo

O caso da AIG mostra outro mecanismo: perdas que chegam antes do prejuízo. A subsidiária de produtos financeiros da seguradora tinha vendido proteção contra calote, por meio de credit default swaps, sobre US$ 79 bilhões em CDOs [60]. Os contratos exigiam garantias em dinheiro se o valor de mercado dos títulos caísse ou se o rating da AIG fosse rebaixado: "collateral calls could be triggered even if there were no actual cash losses in, for example, the super-senior tranches of CDOs upon which the protection had been written." [60]. Em 12 de setembro de 2008, as chamadas somavam US$ 23,4 bilhões, e a AIG já tinha pago US$ 18,9 bilhões. O governo acabou comprometendo "more than $180 billion" para evitar que a quebra da AIG se espalhasse [60]. Quando o colateral é marcado a mercado e o contrato tem gatilhos de rating, a crise de liquidez chega antes de qualquer perda real. No ciclo da IA, o paralelo mais próximo são os empréstimos com GPUs como garantia, cujo tamanho depende do valor contábil dos chips, como mostra a seção "Os elos mais fracos".

O selo de qualidade

As agências de rating foram, para a FCIC, "essential cogs in the wheel of financial destruction". Entre 2000 e 2007, a Moody's deu nota máxima a quase 45 mil títulos ligados a hipotecas, e "83% of the mortgage securities rated triple-A that year ultimately were downgraded" (o ano é 2006) [60]. O problema não era só de método. Muitos daqueles títulos tinham nota alta porque a estrutura transferia para eles a qualidade de crédito de outra parte. A seção "Fora do balanço" mostra que o maior título de dívida já emitido para um data center tem rating alto pelo mesmo motivo: a nota é da garantia, não do prédio.

Maquiagem de fim de trimestre

O Lehman Brothers acrescentou um mecanismo que fecha a lista. Segundo o examinador do processo de falência, Anton Valukas, o banco usou operações chamadas internamente de "Repo 105" para tirar temporariamente do balanço cerca de US$ 50 bilhões em ativos no fim do primeiro e do segundo trimestres de 2008. Com elas, a alavancagem líquida divulgada no fim do segundo trimestre foi 12,1, e não 13,9 [64]. Os próprios funcionários do Lehman chamavam a prática de "accounting gimmick" [64]. O relatório não decidiu se as operações violavam tecnicamente a norma contábil; o ponto é que um índice observado de perto pelo mercado virou alvo de engenharia.

Risco de correlação adversa

O conceito que liga todos esses casos é o wrong-way risk. O Comitê de Basileia define a versão específica assim: "Specific wrong-way risk arises when the exposure to a particular counterparty is positively correlated with the probability of default of the counterparty due to the nature of the transactions with the counterparty." [65]. Na revisão pós-crise, o Comitê registrou que as seguradoras de crédito (monolines) eram contrapartes cuja qualidade de crédito andava junto com a exposição, e que essas operações "contributed to the losses during the crisis". O exemplo de manual que ele dá é o de uma contraparte que oferece as próprias ações como garantia [66], exatamente o defeito dos Raptors da Enron. Em outubro de 2026, o FMI aplicou o mesmo conceito aos acordos circulares da IA, como mostra a seção seguinte.

A reforma de 2009

O FASB respondeu em junho de 2009 com duas normas, a FAS 166 e a FAS 167. Elas acabaram com a exceção dos veículos de securitização qualificados e trocaram o teste quantitativo de consolidação por um qualitativo. Desde então, uma empresa consolida uma entidade de interesse variável se tem "a. The power to direct the activities of a VIE that most significantly impact the VIE's economic performance b. The obligation to absorb losses of the VIE that could potentially be significant to the VIE or the right to receive benefits from the VIE that could potentially be significant to the VIE." [67]. As estruturas existentes não foram poupadas, e o efeito foi medido: na semana encerrada em 31 de março de 2010, os bancos comerciais americanos tinham trazido para o balanço US$ 377,8 bilhões em ativos e passivos de veículos antes fora dele, a maior parte em securitizações de cartão de crédito [68]. É sob essa regra, o teste de "poder" e de "obrigação de absorver perdas", que as joint ventures de data center de hoje ficam fora do balanço.

O shadow banking de então e o crédito privado de agora

Em 2008, a alavancagem estava no que se chamou de sistema bancário paralelo. Hoje, a expansão mais rápida do crédito fora dos bancos está nos fundos de crédito privado. O FMI estimou o setor em cerca de US$ 2,1 trilhões em 2023 e listou as vulnerabilidades: "relatively fragile borrowers, increased exposure of pensions and insurers to the asset class, a growing share of semiliquid investment vehicles, multiple layers of leverage, stale valuations, and unclear interconnections between participants." [69]. Em maio de 2026, o Federal Reserve registrou US$ 1,4 trilhão em empréstimos de crédito privado nos EUA e um fato inédito: no primeiro trimestre de 2026, os pedidos de resgate aceitos nos fundos semilíquidos de crédito (BDCs perpétuos) superaram as entradas, "the first time this has occurred since these vehicles were created" [70]. O mesmo relatório anota que a alavancagem das maiores seguradoras de vida estava "well into the upper quartile of its historical distribution" [70].

Duas pontes ligam esse mercado à IA. A primeira é o destino do dinheiro: economistas do BIS calcularam que a participação de empresas de tecnologia nos empréstimos diretos do crédito privado "doubled to over 40% between 2020 and 2025" [71]. A segunda é quem compra o risco. O Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) alertou em maio de 2026 que ratings privados, às vezes de agências pouco conhecidas, estão sendo usados para atrair seguradoras, que dependem de notas para cumprir as regras de capital: "The growing use of private ratings, sometimes from lesser-known providers, to facilitate investment by rating-reliant investors (including insurers) also warrants monitoring." [72]. E resumiu: "Private credit remains untested to a prolonged economic downturn and so warrants close attention." [72].

Onde a analogia falha

Há diferenças importantes, e omiti-las seria fazer com 2008 o que os otimistas fazem com a IA. Em 2008, o risco estava em bancos financiados com depósitos e dívida de curtíssimo prazo, e o ativo era a hipoteca de milhões de famílias. O crédito privado de hoje é financiado sobretudo com capital de longo prazo, e o próprio FMI escreveu, em 2024, que "Private credit loans are funded largely with long-term capital, mitigating maturity transformation risks. The use of leverage appears modest, as do liquidity and interconnectedness risks." [69]. Em abril de 2026, o FMI ainda avaliava que as hyperscalers "thus far have financed investments robustly without materially weakening their financial positions" [31]. A FCIC também teve votos divergentes: parte dos comissários rejeitou a narrativa da maioria, e o voto assinado por Keith Hennessey, Douglas Holtz-Eakin e Bill Thomas tem uma seção intitulada "The dangerous imprecision of the term 'shadow banking'" [60].

O que 2008 ensina, portanto, não é que a história se repete no mesmo tamanho. São cinco mecanismos para procurar. Compromissos fora do balanço voltam para dentro na crise, por contrato ou por reputação. Gatilhos ligados a preço de mercado e a rating antecipam as perdas. Ratings podem medir a garantia de outra empresa, e não o ativo. Garantias que caem junto com o risco falham quando são chamadas. E índices vigiados pelo mercado viram alvo de engenharia. As próximas seções procuram cada um deles no financiamento da IA.

O círculo: quem investe, quem vende e quem compra

A seção sobre o telecom mostrou o mecanismo: Lucent, Nortel e Cisco emprestavam dinheiro a operadoras para que elas comprassem seus equipamentos, e a receita dos fabricantes crescia com demanda que eles mesmos financiavam. Em 2025 e 2026, o mecanismo voltou maior e com mais formas. Fornecedores de chips e de nuvem compram participações em laboratórios de IA, que assinam compromissos de compra com esses mesmos fornecedores. Há bônus em ações para quem compra, garantias de aluguel, compromissos de comprar a capacidade que sobrar e financiamentos liberados conforme a entrega do produto.

O desenho genérico cabe num laço:

fornecedor de chips ou de nuvem
   |  1. investe no laboratório ou garante a dívida dele
   v
laboratório de IA
   |  2. assina compromisso de compra com o fornecedor
   v
carteira de contratos (RPO) do fornecedor
   |  3. receita futura e valor de mercado sobem
   v
fornecedor capta mais e investe de novo
   |
   +--> volta ao passo 1

Os acordos

A tabela reúne os principais acordos documentados. Os valores são os anunciados ou registrados pelas empresas, muitos deles "até", condicionados a entregas ou ainda não definitivos:

Quem aportaEm quemAporteO que volta para quem aportou
NVIDIAOpenAIUS$ 30 bi em ações (fev. 2026), após carta de intenção de até US$ 100 bi3 GW de inferência e 2 GW de treino em sistemas Vera Rubin
AMDOpenAIdireito de compra de até 160 milhões de ações da AMD a US$ 0,01compra de até 6 GW de GPUs AMD
MicrosoftOpenAIcerca de 27% da empresa, avaliados em US$ 135 bicompromisso adicional de US$ 250 bi em Azure
AmazonOpenAIUS$ 50 bi em açõescompromisso de US$ 138 bi em AWS
AmazonAnthropicUS$ 13 bi investidos e linha de até US$ 20 bimais de US$ 100 bi em AWS em dez anos
Microsoft e NVIDIAAnthropicaté US$ 5 bi e até US$ 10 biUS$ 30 bi em Azure e até 1 GW em sistemas NVIDIA
NVIDIACoreWeaveUS$ 2 bi em ações (jan. 2026)compra de GPUs NVIDIA (e a NVIDIA garante a compra da capacidade ociosa até 2032)
CoreWeaveOpenAIUS$ 350 mi em ações da CoreWeavecontratos de até US$ 22,4 bi com a CoreWeave
SoftBank e OpenAISB EnergyUS$ 1 biSB Energy aluga 1,2 GW à OpenAI e vira cliente dela

As fontes estão nos parágrafos a seguir, que detalham cada caso.

NVIDIA e OpenAI

Em setembro de 2025, NVIDIA e OpenAI anunciaram uma carta de intenção para pelo menos 10 GW de sistemas NVIDIA: "To support the partnership, NVIDIA intends to invest up to $100 billion in OpenAI progressively as each gigawatt is deployed." [73]. O dinheiro do fornecedor seria liberado à medida que o cliente instalasse os produtos do fornecedor. No relatório trimestral seguinte, a NVIDIA avisou: "There is no assurance that we will enter into definitive agreements with respect to the OpenAI opportunity" [74]. O acordo de US$ 100 bilhões não saiu. Em fevereiro de 2026, a NVIDIA entrou com US$ 30 bilhões na rodada de US$ 110 bilhões da OpenAI, "at a $730B pre-money valuation", e a OpenAI garantiu "3GW of dedicated inference capacity and 2 GW of training on Vera Rubin systems" [75]. Em março, Jensen Huang disse que a oportunidade de US$ 100 bilhões provavelmente estava "not in the cards", porque a OpenAI ia abrir o capital [76].

A NVIDIA não investe só na OpenAI. Em julho de 2026, a empresa informou "equity investments of $99 billion and equity investment commitments of $25 billion", e o valor contábil de suas participações em empresas fechadas tinha passado de US$ 3,8 bilhões para US$ 47,9 bilhões em um ano [77]. No relatório anual, ela própria descreve parte desses investimentos: "These investments include AI model makers that purchase our products directly or through CSPs." [78]. Os ganhos não realizados com essas participações entram no lucro. Quando a avaliação dos clientes sobe, sobe também o resultado de quem vende para eles.

No mesmo trimestre, a NVIDIA criou o que chamou de "a new business model": nuvens de IA compram sua infraestrutura e a NVIDIA se compromete a alugar capacidade delas, contratos que "the AI clouds can unilaterally stop providing to us and sell to third-party customers at more advantageous rates". Esses compromissos somavam US$ 36 bilhões [77]. Na prática, o fornecedor vende o equipamento e garante um piso de demanda para quem o comprou. A seção "Fora do balanço" mostra o passo seguinte: as garantias de até US$ 105 bilhões sobre os aluguéis da OpenAI.

AMD e OpenAI

A AMD escolheu outra forma. Em outubro de 2025, deu à OpenAI o direito de comprar até 160 milhões de ações da AMD a US$ 0,01 cada, liberadas em lotes conforme a OpenAI comprasse GPUs AMD, até 6 GW, e conforme a ação da AMD atingisse metas que "escalate to $600 per share for the final tranche" [79]. Pela minha conta, 160 milhões de ações eram cerca de 9,8% das ações da AMD em circulação no fim de outubro de 2025 [80]. A diretora financeira da AMD previu que a parceria traria "tens of billions of dollars in revenue for AMD" [79]. Na contabilidade, o bônus em ações vira desconto na receita: "The grant date fair value of the warrant will be recognized as a reduction to revenue when revenue is recognized." [80]. Em fevereiro de 2026, a AMD repetiu o modelo com a Meta, no mesmo tamanho e com as mesmas metas [81]. E passou a garantir o aluguel de um data center de um parceiro, com exposição máxima de US$ 4,1 bilhões; garantias desse tipo, diz a empresa, "may be issued in exchange for warrants" [82].

Microsoft e OpenAI

A Microsoft é sócia, fornecedora e beneficiária de receita da OpenAI ao mesmo tempo. Depois da reestruturação de outubro de 2025, sua participação foi avaliada em cerca de US$ 135 bilhões, "roughly 27 percent", e a OpenAI "has contracted to purchase an incremental $250B of Azure services" [83]. Em janeiro de 2026, a diretora financeira informou que "Approximately 45% of our commercial RPO balance is from OpenAI" [84]; pela minha conta, cerca de US$ 280 bilhões. No ano fiscal encerrado em junho de 2026, a Microsoft registrou US$ 24,1 bilhões de receita com a OpenAI e tinha US$ 6,0 bilhões a receber dela, contra US$ 11,9 bilhões investidos desde o início. O lucro do ano incluiu ainda US$ 6,5 bilhões de ganhos líquidos com a participação na OpenAI, que segundo a empresa "primarily relate to the dilution gain from the OpenAI Recapitalization" [3]. Ser diluída a uma avaliação maior gerou lucro contábil para a sócia.

Amazon, OpenAI e Anthropic

Com a Amazon, o dinheiro anda nos dois sentidos entre as mesmas duas empresas. Em fevereiro de 2026, a Amazon se comprometeu a investir US$ 50 bilhões na OpenAI, e a OpenAI ampliou seu contrato com a AWS, de US$ 38 bilhões, "by $100 billion over 8 years", com cerca de 2 GW de capacidade nos chips Trainium [85]. Com a Anthropic, a Amazon investiu US$ 8 bilhões em títulos conversíveis entre 2023 e 2025 e mais US$ 5 bilhões em ações no segundo trimestre de 2026, e abriu uma linha de financiamento de até US$ 20 bilhões [7]. Do outro lado, a Anthropic anunciou: "We are committing more than $100 billion over the next ten years to AWS technologies, securing up to 5GW of new capacity to train and run Claude." [86].

O balanço da Amazon mostra o efeito da avaliação. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou "upward adjustments of approximately $50.5 billion" no valor de suas ações da Anthropic, por causa das novas rodadas de investimento da empresa [7]. Pela minha conta, é cerca de três vezes o lucro operacional da AWS no mesmo trimestre, de US$ 16,6 bilhões. A Anthropic, por sua vez, levantou US$ 65 bilhões em maio de 2026 a uma avaliação de US$ 965 bilhões e disse que sua receita anualizada tinha passado de US$ 47 bilhões [87]. O crescimento é real; o ganho da investidora, por enquanto, é contábil.

Anthropic, Google e o aviso no relatório da Alphabet

A Anthropic repete o desenho com vários fornecedores. Em novembro de 2025, a empresa anunciou que "has committed to purchase $30 billion of Azure compute capacity", enquanto "NVIDIA and Microsoft are committing to invest up to $10 billion and up to $5 billion respectively in Anthropic" [88]. O Google é o outro grande fornecedor. Em outubro de 2025, a Anthropic anunciou que usaria até um milhão de TPUs do Google, uma expansão "worth tens of billions of dollars" [89]. O relatório anual da Alphabet traz o aviso mais claro sobre o risco desse tipo de acordo, sem nomear empresas: "Our financial instruments also include debt and equity investments in companies with which we also entered into commercial arrangements at or near the same time." E continua: "if our investment in such companies becomes impaired, we may need to re-evaluate the accounting for the commercial arrangement, including reducing any remaining performance obligations." [4]. Ou seja, se o investimento perder valor, a carteira de contratos também pode encolher. As duas coisas caem juntas.

CoreWeave e SB Energy

O mesmo desenho aparece entre empresas menores. Quando fechou seu primeiro contrato com a CoreWeave, em março de 2025, a OpenAI recebeu US$ 350 milhões em ações da própria CoreWeave [90]; os contratos entre as duas chegaram a cerca de US$ 22,4 bilhões em setembro [91]. A NVIDIA, que fornece todas as GPUs da CoreWeave, comprou US$ 2 bilhões em ações da empresa e se comprometeu a comprar a capacidade que sobrar sem cliente até 2032 [92], [93]. Em janeiro de 2026, OpenAI e SoftBank investiram US$ 1 bilhão na SB Energy, desenvolvedora de data centers do grupo SoftBank; a OpenAI assinou com ela um aluguel de 1,2 GW, e a SB Energy "will become a major customer of OpenAI" [94]. Numa única operação, a OpenAI investe no próprio locador, que vira seu cliente e pertence ao grupo de um de seus maiores acionistas.

Quanto vale a carteira

Esses acordos aparecem nas carteiras de contratos a cumprir dos fornecedores. Em meados de 2026, a carteira comercial da Microsoft era de US$ 678 bilhões [3], a da Oracle de US$ 664 bilhões [18], a do Google Cloud de US$ 514 bilhões [14], a da AWS de cerca de US$ 496 bilhões [7] e a da CoreWeave de US$ 103,7 bilhões [93]. Pela minha conta, a soma passa de US$ 2,4 trilhões. Do outro lado estão, em boa parte, os mesmos poucos laboratórios: só a OpenAI fala em compromissos de cerca de US$ 1,4 trilhão em oito anos, para uma receita anualizada de cerca de US$ 50 bilhões no fim de setembro de 2026 [95], [96].

Os economistas do BIS mediram a circularidade de forma sistemática. Entre 2021 e 2025, "55.2% of incoming investments in AI firms came from other AI firms", e 46,4% do valor dos investimentos entre empresas de IA envolvia também uma relação de fornecimento entre investidor e investida. A consequência, segundo eles: "circular relationships make reported demand partly endogenous to firms’ own financing decisions. For example, when a supplier finances a customer, part of the supplier’s revenue growth reflects its own capital investment, rather than organic final demand." E a comparação com o telecom é deles: "The parallel with the telecommunications boom of the late 1990s is instructive: upstream equipment vendors such as Lucent and Nortel financed network operators so that the operators could buy the vendors’ equipment" [51].

O FMI, no relatório de outubro de 2026, pôs números no círculo: "Fourteen publicly disclosed transactions since 2023 account for approximately $300 billion of aggregate equity investments led by hyperscalers in financially weaker AI firms, supplemented by $650 billion in debt, in exchange for $1.4 trillion in future revenue commitments through services or chip orders". Cerca de US$ 320 bilhões dessa dívida está com as empresas investidas, "including debt backed by investor guarantees, contingent financing, and other off-balance-sheet debt". E nomeou o risco: "distress at key investee firms could present significant "wrong-way risk" to the AI ecosystem: Equity and debt investments in the firms depreciate in value precisely when future revenue streams tied to them are impaired." [97]. Jason Wu, do FMI, resumiu na entrevista coletiva: "If there are questions about the monetization in AI, the equity investments will deplete in value, the debt may be difficult to service, and the revenue commitments in the future may not materialize", o que chamou de "triple whammy" [98]. Em abril, o Fundo já tinha estimado que, de uma alta de cerca de 12 pontos percentuais nas ações das empresas do círculo entre setembro e dezembro de 2025, 7 pontos vinham do reforço mútuo entre elas [31].

Nem todo acordo é circular

Há limites para o argumento. O acordo da OpenAI com a Broadcom, de 10 GW em aceleradores próprios, não tem investimento do fornecedor no cliente; as empresas assinaram um "term sheet" e não divulgaram valor [99]. Muitos compromissos são condicionados a entregas, e alguns nunca viraram contrato, como os US$ 100 bilhões da NVIDIA. Isso reduz o risco efetivo, mas também mostra que os números de manchete superestimam a demanda firme. E a Microsoft afirma que, no trimestre de abril a junho de 2026, todo o crescimento de sua carteira veio de clientes que não são laboratórios de fronteira, como mostra a seção "O que pode desmentir a tese".

O círculo não é fraude, e cada acordo tem lógica comercial: os laboratórios precisam de capacidade garantida, e os fornecedores precisam de clientes para a capacidade que constroem. O problema é o que o conjunto faz. Ele infla a receita e a carteira dos fornecedores com demanda que eles mesmos financiaram. Transforma a avaliação privada dos laboratórios em lucro contábil dos investidores. E concentra o risco num punhado de clientes que ainda queimam caixa. Se um deles falhar, os outros perdem pelos três lados ao mesmo tempo: na participação, no crédito e na receita prometida.

Fora do balanço: Hyperion, xAI e a engenharia dos data centers

As seções sobre a Enron e sobre 2008 mostraram como veículos fora do balanço funcionam e como voltam para dentro na crise. Em 2025 e 2026, a mesma caixa de ferramentas voltou a ser usada para financiar a IA: sociedades de propósito específico, joint ventures em que a empresa fica com a minoria, garantias de valor residual e aluguéis de curto prazo renováveis. A diferença em relação à Enron é importante: tudo está divulgado, auditado e, até onde se sabe, dentro das regras. A semelhança também: a dívida fica longe do balanço da empresa que usa o ativo e que, na prática, sustenta o pagamento.

Hyperion: um data center de US$ 27 bilhões fora do balanço da Meta

Em 21 de outubro de 2025, a Meta anunciou uma joint venture com fundos geridos pela Blue Owl Capital para construir o campus Hyperion, na Louisiana. Os fundos da Blue Owl ficaram com 80%, a Meta com 20%, e o custo total de desenvolvimento foi estimado em cerca de US$ 27 bilhões. A Meta alugou todo o campus por contratos com "a four-year initial term with options to extend" e deu à joint venture "a residual value guarantee for the first 16 years of operations" [100]. Recebeu ainda uma distribuição única de US$ 2,55 bilhões, segundo o relatório anual; o comunicado falava em cerca de US$ 3 bilhões [8].

O dinheiro veio de um título. Segundo a Bloomberg, o Morgan Stanley montou "over $27 billion of debt and about $2.5 billion of equity into a special purpose vehicle", com a PIMCO como compradora principal, e os papéis receberam nota A+ da S&P, de acordo com um relatório de rating. A Bloomberg resumiu o desenho: "Under the SPV structure, Meta is not borrowing the capital itself, the financing entity is." [101]. O emissor aparece num documento de um dos fundos da Blue Owl enviado à SEC: a Beignet Investor LLC, dona dos 80% da joint venture, emitiu "$27,293,849 in senior secured notes with an interest rate of 6.581% and a maturity date of May 30, 2049" (valores em milhares de dólares) [102]. Na manhã seguinte à emissão, os títulos já eram oferecidos a 105% do valor de face [101].

O relatório anual da Meta explica por que nada disso entra no balanço dela. Os aluguéis começam em 2029, com compromisso inicial de cerca de US$ 12,31 bilhões. A garantia de valor residual tem um limite agregado de cerca de US$ 28 bilhões, que diminui com o tempo, e "As of December 31, 2025, RVG payments are not probable and therefore, no liability has been recorded." Sobre a joint venture: "We do not have the power to direct the activities that most significantly impact the Venture's economic performance. Therefore, we are not the primary beneficiary and do not consolidate the variable interest entity (VIE). Our maximum exposure to loss related to the Venture was $45.95 billion as of December 31, 2025" [8]. Em junho de 2026, a exposição máxima era de US$ 46,03 bilhões [9].

O argumento está no relatório do primeiro trimestre de 2026. Segundo a Meta, as decisões que mais pesam no resultado da joint venture são "decisions pertaining to remarketing the data center campus, including but not limited to, negotiations with future lease tenants and individual property sales", e essas decisões não são dela [103]. É uma leitura possível da regra contábil, que exige poder de dirigir as atividades mais relevantes e exposição significativa a perdas para consolidar [104]. Mas as decisões de recolocar o campus no mercado só importam se a Meta sair, e quem decide se sai, a cada quatro anos, é a Meta. A Meta também constrói e administra o campus. A auditoria percebeu a delicadeza: a Ernst & Young incluiu a consolidação da joint venture entre os principais assuntos de auditoria e escreveu que "Auditing the Company's determination of the primary beneficiary of the VIE was especially challenging" [8]. No Wall Street Journal, o colunista Jonathan Weil foi mais direto no título, "AI Meets Aggressive Accounting at Meta's Gigantic New Data Center", e no subtítulo: "Favorable treatment off the balance sheet hinges on some convenient assumptions." [105].

A regra sobre garantias ajuda a entender o desenho. Pela norma americana de arrendamentos, o passivo de aluguel inclui só os valores de garantia residual que a empresa provavelmente vai pagar. A Deloitte observa que, por isso, contratos em que boa parte da economia está numa garantia de valor residual "may continue to yield favorable accounting results (e.g., reduced leverage) under ASC 842" [106]. E aluguéis que ainda não começaram só entram no balanço do inquilino na data de início [107].

Pela minha conta, a exposição máxima declarada, de US$ 46 bilhões, equivalia a 78% de toda a dívida de longo prazo da Meta no fim de 2025, de US$ 58,7 bilhões [8]. E o modelo está sendo repetido. Em julho de 2026, a Meta assinou exclusividade para uma segunda joint venture, em El Paso, no Texas, de novo com 20%, e informou que dará "residual value guarantees with a maximum aggregate exposure of approximately $13 billion" [9].

Quem ficou com o risco

Num título privado, saber quem é o dono é difícil. Uma parte aparece nos relatórios que os fundos registrados nos Estados Unidos entregam à SEC, os formulários N-PORT. Pela minha análise desses dados, com posições quase todas de 31 de março de 2026, 317 fundos tinham US$ 9,44 bilhões dos títulos da Beignet, cerca de 35% da emissão. Fundos de registrantes com o nome PIMCO concentravam US$ 6,57 bilhões, e só o PIMCO Income Fund tinha US$ 4,11 bilhões, cerca de 15% da emissão. Fundos exclusivos de produtos de seguradoras, como anuidades variáveis, tinham cerca de US$ 473 milhões, e cinco fundos fechados tinham tomado empréstimos dando os títulos em garantia [108]. O preço médio informado pelos fundos caiu de 105,7% do valor de face em dezembro de 2025 para 102,9% em março de 2026 [109], [108]. Os outros dois terços da emissão estão com quem não aparece nesses dados, como carteiras próprias de seguradoras, fundos de pensão e fundos privados.

O capital próprio também chegou ao investidor individual. O fundo da Blue Owl que detém 63% da Beignet Investor, com compromisso de US$ 1,53 bilhão, é um fundo imobiliário sem negociação em bolsa, vendido em oferta privada a "accredited investors", pessoas físicas e instituições com patrimônio elevado [102]. O risco de um único campus de uma única empresa foi repartido entre fundos de renda fixa, ETFs, planos de previdência e investidores ricos, como as hipotecas de 2006 foram repartidas entre milhares de carteiras.

xAI: as GPUs num veículo próprio

A xAI, de Elon Musk, usou outra versão. Segundo a Bloomberg, em outubro de 2025 a empresa montou uma captação de US$ 20 bilhões que incluía uma sociedade de propósito específico "that will buy Nvidia processors and rent them to xAI", com cerca de US$ 7,5 bilhões de capital e até US$ 12,5 bilhões de dívida; a NVIDIA investiria até US$ 2 bilhões no capital, e a xAI alugaria os chips por cinco anos [110]. Num texto explicativo, a Bloomberg resumiu: "And xAI's exposure? Just a 5-year lease; nothing else." [111]. Em janeiro de 2026, a Apollo liderou US$ 3,5 bilhões em financiamento para um veículo da Valor Equity Partners comprar US$ 5,4 bilhões em infraestrutura, incluindo GPUs GB200, e alugá-la a uma subsidiária da xAI. A Apollo informou que "NVIDIA invested in VCI as an anchor Limited Partner" [112]. O fornecedor dos chips é sócio do veículo que compra os chips para alugar ao cliente.

O mesmo texto da Bloomberg trouxe a comparação com o passado na voz de um estrategista do UBS, Matthew Mish: "During the dot-com era, most of the growth was financed with equity not debt. So when it burst, the impact in the economy was manageable," e "Now, there's a rapid growth of capex in AI firms driven by debt and it's starting to be kept off balance sheet." [111].

Garantias de quem vende

A forma mais nova do desenho é a garantia dada pelo fornecedor. Em agosto de 2026, a NVIDIA informou à SEC, no item do formulário que trata de obrigações financeiras diretas e fora do balanço, garantias de valor residual de até US$ 105 bilhões sobre aluguéis da SB Energy a uma afiliada da OpenAI, para cerca de 4,25 GW de capacidade num campus em Ohio. Se a OpenAI ficar insolvente ou deixar de pagar, a NVIDIA cobre "any shortfall between the guaranteed minimum value of a lease (as set forth in the Agreements) and amounts recovered through a replacement lease or sale". As garantias acabam, entre outros casos, quando a OpenAI conseguir "a satisfactory credit rating" [113]. Segundo a CNBC, as conversas tinham começado em julho com uma garantia de até US$ 250 bilhões, que permitiria à OpenAI tomar dívida para um campus de 10 GW "on the strength of Nvidia's credit" [114]. Em troca, o campus vai abrigar só infraestrutura NVIDIA [77]. Há contrapesos: as garantias entram em vigor por fases, a primeira prevista para o ano fiscal de 2029, diminuem ao longo dos 20 anos de aluguel, e a OpenAI se comprometeu a reembolsar a NVIDIA [77]. Jensen Huang descreveu o objetivo: "We are securing long-lived infrastructure for NVIDIA compute so OpenAI can deploy the most productive AI factories that can be upgraded repeatedly with each new generation delivering more intelligence and better economics." [115]. O prédio dura 20 anos, os chips mudam a cada geração, e quem garante o aluguel é quem vende os chips.

O Google fez o mesmo com antigas mineradoras de bitcoin convertidas em data centers. Garantiu os aluguéis da neocloud Fluidstack para que elas conseguissem financiamento: cerca de US$ 3,2 bilhões no caso da TeraWulf, com warrants que levariam sua participação a cerca de 14%; US$ 1,4 bilhão no da Cipher Mining; e, no da Hut 8, uma garantia que "covers the lease payments and related pass-through obligations" de um contrato de US$ 7,0 bilhões por 15 anos, com bancos financiando até 85% do custo do projeto [116], [117], [118]. Segundo a Bloomberg, o Google registra essas garantias como derivativos de crédito [111].

Em agosto de 2026, a NVIDIA levou a ideia a outra escala. Assinou memorandos com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para criar plataformas de financiamento capazes de "mobilize over $500 billion of third-party capital" e apresentou seus chips como ativo de investimento: "NVIDIA compute is an investable asset" [119]. Segundo a CNBC, a NVIDIA terá a opção de garantir 25% de cada empréstimo. Larry Fink, presidente da BlackRock, fez a comparação que este artigo vinha fazendo: "This is the very beginning, like what it was when I started in the mortgage-backed securities market in the 1970s". E o executivo da KKR responsável por infraestrutura digital completou: "you can securitize it or effectively divide that risk and sell it to investors who want to participate anywhere in that stack" [120]. Os acordos eram memorandos de entendimento, sem contratos fechados.

O que não aparece no balanço

Somados, os aluguéis já assinados e ainda não iniciados das maiores empresas do ciclo passam de US$ 1 trilhão. Nenhum deles está no balanço, porque a regra contábil só reconhece o aluguel quando ele começa:

EmpresaAluguéis assinados e não iniciadosData
MicrosoftUS$ 329,1 bilhões30 jun. 2026
OracleUS$ 288 bilhões31 ago. 2026
MetaUS$ 279,0 bilhões, mais cerca de US$ 68 bilhões em julho30 jun. 2026
AmazonUS$ 137,2 bilhões30 jun. 2026
AlphabetUS$ 85,2 bilhões30 jun. 2026
CoreWeaveUS$ 35,5 bilhões30 jun. 2026

As fontes são os relatórios trimestrais e anuais das empresas [3], [18], [9], [7], [5], [93]. Pela minha conta, a soma, de cerca de US$ 1,15 trilhão, é mais que o dobro da dívida financeira de Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle juntas em meados de 2026, de cerca de US$ 480 bilhões. São valores nominais, a pagar ao longo de até 20 anos, e parte depende de condições contratuais; não são dívida. Mas são compromissos fixos, e a Moody's diz tratá-los como equivalentes a dívida [17].

A fronteira entre investimento e aluguel também se move. Em julho de 2026, a Microsoft aumentou de 15 para 25 anos a vida útil estimada de seus data centers e explicou o efeito: "more of our future datacenter leases will shift from finance leases to operating leases as a result of this update. Finance leases are included in capital expenditures while operating leases are not." Com isso, a previsão de capex do ano caiu de cerca de US$ 190 bilhões para cerca de US$ 175 bilhões, com os planos de investimento "unchanged" [13]. O investimento é o mesmo; o número que o mercado acompanha ficou menor.

Os reguladores deram nome ao fenômeno. Em março de 2026, o BIS escreveu: "These arrangements amount to "shadow borrowing": obligations that are economically akin to debt but largely reside outside corporate balance sheets. By channelling sizeable private credit into AI infrastructure, these structures strengthen links between hyperscalers and non-bank investors such as private credit vehicles and insurers." [121]. No relatório anual de junho, acrescentou que a construção de data centers é cada vez mais terceirizada a quem aluga de volta às hyperscalers "on long-dated contracts with embedded exit clauses. The terms of such deals are typically poorly disclosed, with risks of the same asset being pledged multiple times." [122]. O FMI, em outubro de 2026, apontou como fonte futura de necessidade de financiamento "the eventual realization of sizable off-balance-sheet commitments" [123]. E lembrou que as securitizações ligadas a data centers, US$ 46 bilhões desde 2018, devem chegar a US$ 150 bilhões em 2028 [31].

Nada disso é ilegal, e a contabilidade de hoje é muito mais exigente que a de 2001 ou de 2007. A pergunta que 2008 deixou é outra: o que acontece com esses compromissos quando o ativo perde valor. A garantia de valor residual da Meta só é paga se a Meta não renovar os aluguéis e o campus valer menos que o limite, ou seja, se a demanda por data centers cair. A garantia da NVIDIA só é chamada se a OpenAI não pagar. Os dois gatilhos dependem do mesmo evento, uma correção da IA, que ao mesmo tempo derruba o valor das ações e do fluxo de caixa de quem garante. A dívida não sumiu. Mudou de endereço, e continua ligada ao mesmo risco.

A física da depreciação: GPU não é imóvel

Toda dívida tem um lastro, e o lastro decide quanto o credor recupera se algo der errado. Num data center de IA, o lastro tem três camadas com vidas muito diferentes. O prédio e o terreno duram décadas: a Alphabet deprecia seus data centers e escritórios "over periods of seven to 40 years" [4]. Os equipamentos de energia e refrigeração duram cerca de uma década: a CoreWeave deprecia "Data center equipment" em 8 a 12 anos, e a Amazon aumentou de 10 para 13 anos a vida útil do "heavy equipment" que sustenta seus centros de distribuição e data centers [124], [125], [6]. E os servidores, onde está a maior parte do dinheiro, valem por poucos anos. A pergunta desta seção é quantos.

O ritmo do fornecedor

Em junho de 2024, Jensen Huang, presidente da NVIDIA, anunciou o ritmo dos lançamentos: "Our company has a one-year rhythm. Our basic philosophy is very simple: build the entire data center scale, disaggregate and sell to you parts on a one-year rhythm, and push everything to technology limits" [126]. Até então, o salto entre gerações levava dois anos: o comunicado de lançamento da Blackwell, em março de 2024, descreve a arquitetura anterior, Hopper, como "launched two years ago" [127]. No ritmo anunciado, quem compra um servidor hoje e o deprecia em seis anos ainda vai tê-lo no balanço depois de cinco ou seis lançamentos anuais do fornecedor.

O próprio fornecedor diz quanto cada geração antiga fica para trás. No lançamento da Blackwell, a NVIDIA afirmou que a nova plataforma permitia rodar modelos de um trilhão de parâmetros "at up to 25x less cost and energy consumption than its predecessor" [127]. Na página do sistema GB200 NVL72, a comparação com a H100 é de "30x" na inferência de modelos de linguagem e de "25x" em eficiência energética [128]. Em março de 2026, a geração seguinte, Vera Rubin, prometia "one-tenth the token cost relative to NVIDIA Blackwell" [129]. E em agosto de 2026 a empresa citou testes da consultoria SemiAnalysis segundo os quais o Vera Rubin NVL72 entrega "30x higher throughput per megawatt and 45x lower token costs than NVIDIA GB300 NVL72" [130]. São números de quem vende, medidos em condições escolhidas por quem vende, e devem ser lidos assim. Mas o sinal é o que importa: o vendedor está dizendo ao mercado que o equipamento comprado no ano anterior produz tokens bem mais caros que o novo.

A página da H100 no site da NVIDIA chega a pôr preço na diferença. Segundo ela, com dados da SemiAnalysis de abril de 2026, a H100 produz inferência a cerca de US$ 0,09 por milhão de tokens, e a B200, a cerca de US$ 0,02: "roughly 4.5x cheaper than H100" [131]. A comparação usa programas diferentes nos dois chips e velocidades por usuário diferentes, então não é exata. O mesmo site registra o outro lado da moeda: o custo por token da própria Blackwell caiu cinco vezes depois do lançamento, só com software, "driven by continuous software optimization" [132]. O dono de uma GPU ganha com a otimização de software, mas perde quando a geração seguinte chega e o preço do token cai para todos.

O mecanismo econômico é simples. Quando a oferta acompanha a demanda, o preço de aluguel de uma hora de GPU tende a ser puxado pelo custo de produzir tokens com o equipamento mais eficiente disponível. Uma GPU antiga continua funcionando, mas só consegue cobrar o que sobra entre o preço de mercado do token e o próprio custo, que inclui a energia que ela gasta a mais. Por isso a vida útil econômica de uma GPU não é a mesma coisa que a vida física.

O desgaste físico

A vida física também não é longa quando a máquina trabalha no limite. A Meta publicou um dos raros relatos detalhados de falhas em treino de grande escala. Durante 54 dias de pré-treino do Llama 3 405B, num cluster de até 16 mil GPUs H100 "each running at 700W TDP with 80GB HBM3", houve 466 interrupções, 419 delas inesperadas: "Approximately 78% of the unexpected interruptions are attributed to confirmed hardware issues, such as GPU or host component failures, or suspected hardware-related issues like silent data corruption and unplanned individual host maintenance events." [133]. Na tabela de causas, 148 interrupções vieram de GPUs com defeito e 72 de falhas na memória HBM3 [133]. A automação deu conta: o tempo efetivo de treino ficou "higher than 90%". Mas uma frota que perde componentes nesse ritmo envelhece mais rápido que um servidor de banco de dados.

O prédio também envelhece

A ideia de que o prédio dura décadas e só o chip é trocado esbarra na potência. Uma H100 consome até 700 W; um servidor DGX B200, com oito GPUs Blackwell, "~14.3 kW max" [131], [132]. Os racks GB200 NVL72 já são refrigerados a líquido [128]. Engenheiros da NVIDIA escreveram em 2025 que a distribuição de energia usada hoje dentro dos racks "begins to hit physical limits" acima de 200 kW por rack, e anunciaram uma arquitetura de 800 volts em corrente contínua "to support 1 MW IT racks starting in 2027". No padrão atual, um único rack de 1 MW "requires up to 200 kg of copper busbar" [134]. A Agência Internacional de Energia (IEA) calcula que a densidade de potência dos servidores de IA "increased by 11 times" entre 2020 e 2025 e deve quadruplicar de novo até 2027 [22]. Um prédio projetado para uma geração de chips pode precisar de obras pesadas, em energia e refrigeração, para receber a seguinte.

A contabilidade foi na direção oposta

Enquanto o ritmo dos chips acelerava, a contabilidade das grandes empresas fez o contrário: alongou a vida útil dos servidores. Uma vida útil mais longa espalha o custo por mais anos e aumenta o lucro de cada ano. As mudanças estão nos relatórios anuais:

EmpresaMudançaEfeito declaradoFonte
Microsoftservidores e rede: de 4 para 6 anos (ano fiscal 2023)+US$ 3,7 bi no lucro operacional; +US$ 3,0 bi no lucro líquido[11]
Alphabetservidores: de 4 para 6 anos; parte da rede: de 5 para 6 (2023)−US$ 3,9 bi em depreciação; +US$ 3,0 bi no lucro líquido[135]
Amazonservidores: de 5 para 6 anos (2024)−US$ 3,2 bi em depreciação e amortização; +US$ 2,5 bi no lucro líquido[125]
Oracleservidores e rede: de 5 para 6 anos (ano fiscal 2025)−US$ 733 mi em despesas operacionais; +US$ 573 mi no lucro líquido[12]
Metamaioria dos servidores e rede: para 5,5 anos (2025)−US$ 2,92 bi em depreciação; +US$ 2,59 bi no lucro líquido[8]
CoreWeaveequipamento de computação: de 5 para 6 anos (2023)−US$ 20 mi em despesas[124]
Amazonparte dos servidores e rede: de 6 para 5 anos (2025)+US$ 1,4 bi em depreciação e amortização; −US$ 1,0 bi no lucro líquido[6]

As justificativas variam. A Microsoft citou "investments in software that increased efficiencies in how we operate our server and network equipment, as well as advances in technology" [136]. A Meta, em 2022, "expected longer refresh cycles in our data centers" [137]. A Amazon é a exceção, e a mais reveladora. Em 2025, ela encurtou a vida de parte dos servidores e deu o motivo: "The shorter useful lives are due to the increased pace of technology development, particularly in the area of artificial intelligence and machine learning." [6]. No fim de 2024, a empresa já tinha decidido aposentar antes da hora parte dos servidores e lançado "approximately $920 million of accelerated depreciation and related charges" [125]. A Microsoft, no relatório anual de 2026, passou a descrever a vida útil de servidores e equipamentos de rede como "two to six years" [3].

Os valores envolvidos crescem com o investimento. Na Meta, a depreciação de servidores e equipamentos de rede foi de US$ 13,36 bilhões em 2025, contra US$ 7,32 bilhões em 2023, e o valor bruto desses ativos passou de US$ 68,4 bilhões para US$ 98,0 bilhões em um ano [8]. O FMI fez a conta para o setor inteiro. Pela depreciação divulgada por dez hyperscalers, a vida útil implícita de todo o imobilizado, prédios incluídos, é de cerca de sete anos, mas GPUs e chips avançados "could face obsolescence within two years". O Fundo também testou uma vida útil mais curta: "Under a scenario of three-year useful life of capital and assuming hyperscalers fulfill these additional financing needs by issuing debt, their debt levels could rise from the present $800 billion to more than $1 trillion." Pelo modelo do FMI, os spreads de CDS dessas empresas subiriam cerca de 60 pontos-base, "a significant increase considering that these spreads are currently in the range of 20 to 160 basis points" [31]. O FMI trata a obsolescência como risco de negócio, sem efeito de primeira ordem na estabilidade financeira. Para quem empresta contra esses ativos, porém, é a pergunta central.

Burry, a NVIDIA e o preço do aluguel

Em novembro de 2025, o investidor Michael Burry levou a discussão para o centro do mercado. Escreveu que "Understating depreciation by extending useful life of assets artificially boosts earnings -one of the more common frauds of the modern era" [138] e que "Massively ramping capex through purchase of Nvidia chips/servers on a 2-3 yr product cycle should not result in the extension of useful lives of compute equipment. Yet this is exactly what all the hyperscalers have done" [139]. Segundo a Business Insider, ele estimou que Meta, Google, Oracle, Microsoft e Amazon subestimariam a depreciação em cerca de US$ 176 bilhões entre 2026 e 2028 e que, em 2028, o lucro da Oracle estaria inflado em cerca de 26% e o da Meta em cerca de 20%, "without elaborating on his calculations". Jim Chanos, investidor que apostou contra a Enron, foi na mesma linha: "the chips basically depreciate over two years" [139].

A palavra "fraude" é de Burry e precisa ser lida com cuidado. As mudanças de vida útil estão nos relatórios anuais, com o efeito em dólares, como mostra a tabela acima; a discussão é sobre a estimativa, não sobre ocultação. A NVIDIA respondeu num memorando a analistas. Segundo a CNBC, a empresa argumentou que os clientes depreciam GPUs em quatro a seis anos "based on real-world longevity and utilization patterns" e que as A100, lançadas em 2020, "continue to run at high utilization rates and retain meaningful economic value well beyond the two to three years claimed by critics". Burry rebateu: "I am not claiming Nvidia is Enron. It is clearly Cisco." [140].

Até agora, o mercado de aluguel deu razão em parte aos dois lados. Até 2025, os preços caíram. Em junho daquele ano, a AWS cortou em até 45% o preço das instâncias com GPUs NVIDIA [141], e o preço por hora de uma máquina com oito H100 na tabela pública da empresa passou de US$ 98,32 em agosto de 2023 para US$ 55,04 em outubro de 2026 [142], [143]. Em 2026, porém, o aluguel de capacidade reservada subiu. Nos blocos de capacidade da AWS, a H100 foi de US$ 3,93 por GPU-hora em junho de 2025 para US$ 5,97 em 13 de outubro de 2026, alta de 52% [144], [145]. Na Lambda, uma neocloud, o preço avulso da H100 passou de US$ 2,99 por hora em 2025 para US$ 3,99 a partir de abril de 2026, e o de clusters por algumas semanas, de US$ 2,40 em novembro de 2025 para US$ 5,54 a US$ 6,16 em outubro de 2026 [146], [147]. Segundo a CNBC, um lote de H100 de 2022 que ficou livre com o fim de um contrato na CoreWeave foi realugado "at 95% of their original price" [148].

A explicação mais citada é a escassez. A The Verge registrou que "The price to rent old chips has been rising, and Silicon Data projects that it will continue rising through 2028", e um analista ouvido pelo site atribuiu a alta a "a major shortage of inference chips" [149]. A falta de memória HBM apontada pela IEA vai na mesma direção [22]. Em agosto de 2026, a bolsa de derivativos CME anunciou contratos futuros sobre índices de aluguel de H100 e B200, citando "sharp swings in compute prices" [150]. Num texto de outubro de 2026 em defesa da durabilidade das GPUs, a NVIDIA citou estimativas de terceiros, baseadas em preços de revenda, de cinco a seis anos de vida útil para um sistema H100 e de nove a dez anos para o GB300 NVL72 [151].

É o melhor argumento contra a obsolescência rápida, e ele precisa ser levado a sério. Mas preço sustentado por escassez não é o mesmo que valor de longo prazo. O mesmo texto da NVIDIA afirma: "Power is the binding constraint on an AI factory. This makes tokens per second per megawatt the number that governs earning capacity." E acrescenta que o Vera Rubin entrega "over 30x higher throughput per megawatt" que o GB300 [151]. Com a energia limitada, quem troca um rack antigo por um novo multiplica a produção do mesmo megawatt. Quando a escassez de chips passar, a pressão para aposentar as máquinas antigas volta, e com ela a pergunta de Burry.

Por que isso importa para quem empresta

A tabela abaixo é só aritmética, sobre um investimento de US$ 100 em servidores depreciado em linha reta. Ela mostra quanto do custo ainda está no balanço depois de três anos, dependendo da vida útil escolhida:

Vida útil adotadaDepreciação por anoValor contábil após 3 anos
3 anosUS$ 33,33US$ 0
5 anosUS$ 20,00US$ 40,00
5,5 anosUS$ 18,18US$ 45,45
6 anosUS$ 16,67US$ 50,00

Com seis anos de vida útil, metade do custo de uma GPU ainda está no balanço quando ela completa três anos, e pelo menos duas arquiteturas mais novas já estão à venda. Se o valor de mercado dessa GPU de três anos estiver bem abaixo de metade do preço original, a diferença é perda que ainda não apareceu no resultado. Para quem tem a GPU como garantia de um empréstimo, é uma garantia menor do que parece. A CoreWeave, que vive de alugar GPUs, descreve esse risco no próprio prospecto: "Any changes to the significant assumptions underlying our estimates or to the estimates of our components’ useful lives, or any inability to redeploy components of our existing infrastructure to extend past their contracted life could significantly affect our business, operating results, financial condition, and future prospects." [124].

Há bons argumentos do outro lado. GPUs que deixam de ser úteis para treinar modelos de fronteira podem passar anos rodando inferência ou tarefas menos exigentes. A otimização de software aumenta a produção do mesmo chip, como a própria NVIDIA mostra. E a Alphabet lembra que a escolha da vida útil usa "historical asset performance, expected technology advancements, and our future infrastructure deployment plans" [4]: não é um número arbitrário. A conclusão não é que as empresas erraram a conta. É que o colateral que sustenta boa parte da dívida da IA perde valor econômico mais rápido que os prédios, mais rápido que as linhas de transmissão e, em várias estruturas, mais rápido que a própria dívida. É o quinto marcador da tabela de bolhas, e ele está confirmado por quem vende os chips e por quem os contabiliza.

Energia: o gargalo que pode virar ativo encalhado

Um data center de IA é, antes de tudo, uma ligação elétrica. Os chips mudam a cada ano, mas a subestação, a linha de transmissão e a usina que os alimentam são projetadas para durar 20, 30 ou 40 anos. É o mesmo descasamento de prazos da seção anterior, só que agora fora do balanço das empresas de tecnologia. Quem constrói a infraestrutura de energia de um data center assume o risco de a demanda desaparecer antes de a obra se pagar. Quando isso acontece, o que sobra é chamado de ativo encalhado: um investimento que continua de pé, mas não gera a receita que justificou sua construção.

Quanto a IA consome

A IEA estima que os data centers consumiram 415 TWh em 2024, "around 1.5% of the world’s electricity consumption". Os Estados Unidos responderam por 45% desse total, a China por 25% e a Europa por 15%. No cenário-base da agência, o consumo "is set to more than double to around 945 TWh by 2030", pouco mais que o consumo total de eletricidade do Japão hoje. Nos Estados Unidos, os data centers respondem por quase metade do crescimento da demanda até 2030, e no fim da década o país "is set to consume more electricity for data centres than for the production of aluminium, steel, cement, chemicals and all other energy-intensive goods combined." [152]. A atualização de abril de 2026 confirmou a trajetória: o consumo dos data centers cresceu 17% em 2025, e o dos data centers dedicados à IA, 50% [22].

Para os Estados Unidos, o Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL) calculou que os data centers consumiram 176 TWh em 2023, 4,4% da eletricidade do país. Para 2028, a projeção vai de 325 a 580 TWh, de 6,7% a 12,0% do consumo previsto [153]. O cenário alto é quase o dobro do baixo. Quem constrói uma usina ou uma linha de transmissão para esse mercado precisa escolher um número dentro dessa faixa e conviver com ele por décadas. O mesmo relatório supõe que os servidores de IA durem tanto quanto os convencionais, cerca de 5,7 anos em 2023: "For AI accelerated and nonaccelerated servers, the same lifetime assumptions are used." [153]. Até as projeções de energia carregam a hipótese de vida útil questionada na seção anterior.

A fila da rede

O limite não está só na geração, mas na ligação. A IEA calcula que, sem medidas para destravar a rede, "around 20% of planned data centre projects could be at risk of delays". Nas economias avançadas, uma linha de transmissão nova leva de quatro a oito anos, e "wait times for critical grid components such as transformers and cables have doubled in the past three years" [152]. O FMI fala em prazos de interconexão "now stretching from two to seven years" [31].

A fila americana de interconexão mostra o ritmo da rede. Segundo o LBNL, "As of the end of 2025, over 2,060 gigawatts (GW) of total generation and storage capacity were actively seeking connection to the grid." Para os projetos concluídos em 2025, a mediana entre o pedido e a entrada em operação ficou acima de cinco anos. E "Only 13% of capacity that submitted interconnection requests from 2000-2020 had reached commercial operations by the end of 2025; 75% of that capacity had been withdrawn" [154]. Essa fila é de usinas e baterias, não de data centers, mas mostra o que acontece com pedidos de conexão: a maioria nunca vira obra. A própria NVIDIA reconheceu o problema em março de 2026: "Energy is now the biggest bottleneck for AI infrastructure buildouts, with over $300 billion in equipment backlogs and more than 200 gigawatts of projects waiting in U.S. interconnection queues." [155].

Turbinas e reatores

Sem espaço na rede, muitos projetos buscam geração própria, quase sempre a gás. A GE Vernova, uma das maiores fabricantes de turbinas, informou que sua carteira de equipamentos a gás, somada a reservas de produção, cresceu de 62 para 83 GW no quarto trimestre de 2025 e de 100 para 116 GW no segundo trimestre de 2026, com a expectativa de chegar a pelo menos 125 GW no fim do ano. A produção da empresa chega ao ritmo de 20 GW por ano no terceiro trimestre de 2026, deve ir a 24 GW em 2028 e tem meta de 30 GW em 2030 [156], [157]. Pela minha conta, os 116 GW contratados ou reservados equivalem a quase seis anos da produção atual. A IEA registra "A 70% surge in gas turbine orders in 2025" e calcula que a geração a gás dentro do terreno do data center precisa ser superdimensionada de 30% a 70% em relação à demanda para garantir o fornecimento [22].

A outra aposta é nuclear, com contratos de prazo muito mais longo que qualquer chip:

CompradorUsinaPotênciaPrazoFonte
MicrosoftCrane, reativação da unidade 1 de Three Mile Island (Pensilvânia)cerca de 835 MW20 anos; operação prevista para 2028[158]
GooglePequenos reatores modulares da Kairos Poweraté 500 MWprimeiro reator até 2030; os demais até 2035[159]
MetaClinton (Illinois)1.121 MW20 anos, a partir de junho de 2027[160]
AmazonSusquehanna (Pensilvânia)1.920 MWaté 2042[161]

A reativação de Crane ganhou ainda um empréstimo de US$ 1 bilhão do Departamento de Energia dos Estados Unidos [162], o que põe parte do risco do ciclo no balanço do governo. Para quem vende a energia, o contrato de 20 anos é a garantia que sustenta o investimento. Para quem compra, é um custo fixo de duas décadas, assumido para alimentar equipamentos depreciados em cinco ou seis anos.

Quem paga se a demanda sumir

Algumas distribuidoras americanas já cobram garantias pensando nesse risco. Em Ohio, a AEP fechou em 2024 um acordo com a equipe do regulador estadual (PUCO), a defensoria dos consumidores e outras partes. O acordo "requires large new data center customers to pay for a minimum of 85% of the energy they say they need each month – even if they use less – to cover the cost of infrastructure needed to bring electricity to those facilities." [163]. O regulador aprovou a tarifa em julho de 2025, com faixas de consumo mínimo limitadas a 85% da capacidade contratada. O contrato inicial dura o período de rampa, de até quatro anos, mais oito anos. O cliente que não tem rating alto precisa dar garantia de 50% de todos os pagamentos mínimos do contrato. Só depois do quinto ano após a rampa ele pode sair, pagando 36 meses de encargos mínimos. E a carta de compromisso "requires customers to reimburse Ohio Power 100% of the buildout costs if the customer cancels — or delays the project by more than 12 months — prior to the target energization date." [164]. No Texas, a lei estadual SB 6, sobre a conexão de grandes cargas, busca, segundo a AEP, "minimizing the potential for stranded infrastructure costs" [165].

É a lógica de qualquer credor prudente: a distribuidora não consegue verificar se a demanda prometida vai existir, então exige garantia de quem prometeu. O risco não desaparece. Passa para o dono do data center, que pode ser uma sociedade de propósito específico como as da seção "Fora do balanço". Se a distribuidora não conseguir cobrar, o custo volta para a conta de luz dos outros consumidores. A IEA descreve esse risco: data centers "often oversize their grid connections initially", e o descompasso entre data centers rápidos e investimentos lentos em energia "could raise electricity prices in some places if unmitigated." [22].

A agência também liga o ritmo da energia ao do crédito: "Data centre investments have grown too large to be funded from company balance sheets alone, and large amounts of funding from capital markets will be critical for their buildout. As a result, the pace of data centre growth, and the resulting increase in energy consumption, will be sensitive to market sentiment, including expectations for returns on investment in data centres and AI deployment, as well as to broader macroeconomic and financing conditions." [22]. Ou seja, a demanda de energia que justifica turbinas e linhas de transmissão depende do humor do mercado de crédito, que pode mudar em semanas.

A física do lado da rede

Há ainda um problema de engenharia que não aparece nas planilhas. Um cluster de treinamento não consome energia de forma estável. A Meta relatou que, no treino do Llama 3, dezenas de milhares de GPUs podiam aumentar ou reduzir o consumo ao mesmo tempo, por exemplo ao esperar um checkpoint, e isso "can result in instant fluctuations of power consumption across the data center on the order of tens of megawatts, stretching the limits of the power grid." [133]. Ao mesmo tempo, a IEA lembra que um data center de IA "is 10 times more capital-intensive than an aluminium smelter, which means curtailing its operations to provide flexibility to the grid is very costly." [152]. O data center precisa rodar quase sem parar para pagar o capital, e a rede precisa absorver oscilações que outras indústrias não produzem.

A eficiência corta nos dois sentidos. Segundo a IEA, "Software and hardware advances have resulted in the energy use per AI task dropping by at least an order of magnitude annually in recent years." [22]. Cada tarefa fica mais barata, o que pode multiplicar o uso. Mas a mesma eficiência reduz a energia necessária para um dado volume de trabalho e, como visto na seção anterior, derruba o valor das máquinas mais antigas.

A energia é a parte do ciclo da IA que mais se parece com as ferrovias e com a fibra: ativos de vida longa, construídos antes da demanda, que continuam existindo mesmo que os investidores percam dinheiro. Em 2002, a fibra apagada virou banda barata para a década seguinte. Subestações e turbinas ociosas também encontrariam outro uso. A dúvida é quem paga a conta enquanto isso: o dono do data center, se as tarifas com consumo mínimo funcionarem; os credores desse dono, se ele quebrar; ou os demais consumidores de eletricidade, se as regras falharem.

Os elos mais fracos

Crises de crédito raramente começam pelas instituições mais fortes. Em 2007, os primeiros a cair foram os veículos e fundos que dependiam de financiamento de curto prazo e de garantias que perdiam valor [60]. No ciclo da IA, as grandes hyperscalers têm balanços sólidos: segundo o Banco da Inglaterra, "the AI hyperscalers all have a credit rating of AA- or higher" [166]. O risco se concentra em três tipos de empresa: o laboratório de IA que assina compromissos muito maiores que a própria receita, a empresa tradicional que se endividou para virar fornecedora de capacidade e as neoclouds, que alugam GPUs compradas com dívida garantida pelas próprias GPUs. Os exemplos mais documentados são OpenAI, Oracle e CoreWeave.

OpenAI: compromissos de trilhão, receita de dezenas de bilhões

O crescimento da OpenAI é real. A diretora financeira, Sarah Friar, escreveu em janeiro de 2026 que a receita anualizada passou de "$2B ARR in 2023, $6B in 2024, and $20B+ in 2025", acompanhando a capacidade de computação, que foi de 0,2 GW para cerca de 1,9 GW no mesmo período [167]. Receita anualizada é o ritmo do fim do ano, não a receita do ano: segundo a CNBC, a receita de 2025 foi de US$ 13,1 bilhões. Em março de 2026, a empresa disse estar "generating $2B in revenue per month" [168], [169]. O uso também é real: em fevereiro de 2026, o ChatGPT tinha "more than 900M weekly active users" e mais de 50 milhões de assinantes [75]. Pela minha conta, cerca de 5,5% dos usuários semanais pagavam.

O problema é a escala dos compromissos. Em novembro de 2025, Sam Altman escreveu: "We are looking at commitments of about $1.4 trillion over the next 8 years" [95]. Pela minha conta, isso dá uma média de US$ 175 bilhões por ano. No fim de setembro de 2026, segundo a CNBC, a OpenAI informou aos investidores uma receita anualizada de cerca de US$ 50 bilhões, menos de um terço disso; os US$ 68 bilhões que circularam no mês anterior incluíam receita bruta de parceiros [96]. A OpenAI não publica demonstrações financeiras auditadas. O que se sabe sobre o caixa vem de documentos enviados a acionistas e relatados pelo site The Information: a empresa projetou queimar US$ 115 bilhões até 2029 [170], depois previu "$111 Billion More Cash Burn Through 2030" [171] e, em abril de 2026, havia a expectativa de que queimaria "more than $200 billion before it starts generating cash" [172]. No primeiro trimestre de 2026, a empresa queimou US$ 3,7 bilhões, "more than half its $5.7 billion in revenue" [173].

O dinheiro veio de rodadas cada vez maiores. A OpenAI captou US$ 40 bilhões a uma avaliação de US$ 300 bilhões em março de 2025 e, um ano depois, fechou US$ 122 bilhões a US$ 852 bilhões. Pela primeira vez, abriu a rodada a pessoas físicas por meio de bancos, "raising over $3 billion from individual investors", e anunciou sua inclusão em fundos negociados em bolsa da ARK Invest [169]. Em junho de 2026, apresentou à SEC um pedido confidencial de abertura de capital [174]. Parte do dinheiro dos sócios também veio de dívida. A SoftBank, que investiu ao todo US$ 64,6 bilhões por cerca de 13% da OpenAI, pagou o aporte de US$ 30 bilhões de 2026 primeiro com um empréstimo-ponte de bancos e, na última parcela, com títulos de cerca de US$ 11,1 bilhões, com rating BB+, abaixo do grau de investimento, e juros de até 9,75% ao ano [175], [176], [177]. Estrategistas ouvidos pela CNBC em maio já liam a fila de megaofertas, com SpaceX, OpenAI e Anthropic, como sinal de topo de mercado. Um deles comparou: "Back in 1999, we saw the same kind of thing where people were just rushing to get these IPOs out." [178].

O balanço da OpenAI é leve. Segundo o The Information, que leu as demonstrações da empresa, em 31 de março de 2026 ela tinha "zero debt" [179], e a linha de crédito bancária de cerca de US$ 4,7 bilhões estava intacta [169]. A dívida existe, mas está no balanço de outros: nos aluguéis de data centers assinados por Oracle e desenvolvedores, nos contratos das neoclouds e nas garantias da NVIDIA, que a seção "Fora do balanço" detalha. A própria NVIDIA explicou por que precisa garantir os clientes: "AI model makers have significant demand for training and inference compute and currently lack the ability to secure long-term infrastructure contracts and investment-grade financing capacity to secure the AI infrastructure necessary to grow." [77]. É a definição de vendor financing: o fornecedor dá o crédito que o mercado não dá ao cliente.

Em novembro de 2025, a diretora financeira chegou a falar num "backstop" federal para financiar chips e voltou atrás no mesmo dia: "I used the word 'backstop' and it muddied the point" [180]. Altman disse que a OpenAI não tem nem quer garantias do governo para seus data centers e escreveu: "But we of course could be wrong, and the market—not the government—will deal with it if we are." [181]. O analista Gil Luria, da D.A. Davidson, tirou a conclusão: "If sanity prevails and this federal guarantee doesn't materialize, it could become clear that OpenAI cannot live up to its extravagant commitments. In which case we would view the companies propped up by OpenAI promises as the most vulnerable," e citou Broadcom, AMD, Oracle, CoreWeave e Oklo [182]. Em abril de 2026, o Wall Street Journal noticiou, segundo a CNBC, que a OpenAI não tinha atingido as próprias metas de receita e de usuários e que a diretora financeira se preocupava com a capacidade de pagar contratos futuros de computação. A empresa chamou a reportagem de "ridiculous", mas as ações da Oracle e dos fabricantes de chips caíram no mesmo dia [183]. Em 8 de outubro de 2026, no dia em que a CNBC confirmou a receita anualizada de US$ 50 bilhões, as ações da NVIDIA caíram 3%, as da Oracle quase 6% e as da CoreWeave quase 8% [96]. O canal de transmissão já está à vista.

Oracle: uma empresa de software que virou credora da IA

Nenhuma grande empresa mudou tanto de perfil. No fim do ano fiscal encerrado em maio de 2025, a carteira de contratos a cumprir da Oracle (o RPO, na sigla em inglês) era de US$ 137,8 bilhões. Três meses depois, era de US$ 455 bilhões, "up 359%". A então presidente-executiva, Safra Catz, disse: "It was an astonishing quarter" [184]. A tabela mostra o que veio junto, em bilhões de dólares:

Fim do trimestreRPOCapexCaixa das operaçõesFluxo de caixa livreDívida
maio 2025137,89,16,2−2,992,6
ago. 20254558,58,1−0,491,3
nov. 202552312,02,1−10,0108,1
fev. 202655318,67,2−11,5134,6
maio 202663816,514,6−1,9129,5
ago. 202666428,523,1−5,4125,3

Os números vêm dos relatórios e comunicados da empresa à SEC; os do trimestre de março a maio de 2025 saem da diferença entre o ano fiscal e os nove meses anteriores [185], [12], [10], [186], [18]. No ano fiscal de 2026, o fluxo de caixa livre foi negativo em US$ 23,7 bilhões, nas palavras da própria Oracle [187]. E só cerca de 13% dos US$ 664 bilhões de RPO devem virar receita nos 12 meses seguintes [18].

A Oracle não diz quanto do RPO vem de cada cliente, mas avisa no relatório anual: "The economic returns on these investments are dependent on customer demand and the ability of our key customers to meet their contractual obligations." [10]. Analistas fizeram a conta: segundo a D.A. Davidson, pelo menos US$ 300 bilhões dos US$ 523 bilhões de RPO de novembro de 2025 vinham da OpenAI [188]; segundo o Bank of America, mais da metade do RPO em junho de 2026 [189]. Perguntado se a OpenAI conseguiria pagar US$ 60 bilhões por ano em nuvem, o copresidente-executivo Clay Magouyrk respondeu "of course" [190].

Para pagar a obra, a Oracle foi ao mercado. Em setembro de 2025, emitiu US$ 18 bilhões em títulos em seis séries, a mais longa vencendo em 2065, com cupom de 6,10% [191]. Em fevereiro de 2026, mais US$ 25 bilhões em oito séries, a mais longa até 2066 com cupom de 6,85%, além de US$ 5 bilhões em ações preferenciais conversíveis [192]. De junho a agosto de 2026, vendeu US$ 20 bilhões em ações no mercado [186]. Os ratings ficaram em Baa2 e BBB, ambos com perspectiva negativa, "just two notches above junk status", nas palavras da CNBC sobre a avaliação da Moody's [17]. Pelos próprios term sheets da empresa, o prêmio sobre os títulos do Tesouro subiu entre as duas emissões: de 1,05 para 1,45 ponto percentual nos papéis de dez anos e de 1,37 para 1,95 ponto nos de 40 anos [191], [192].

Fora do balanço, o compromisso é ainda maior. Os contratos de aluguel já assinados e ainda não iniciados, "substantially all related to data center arrangements", com prazos de 15 a 19 anos, foram de US$ 43,4 bilhões em maio de 2025 para US$ 288 bilhões em agosto de 2026 [12], [18]. É mais que o dobro de toda a dívida financeira da empresa. A Oracle também garantiu até US$ 3,3 bilhões de um empréstimo tomado por um de seus locadores [10].

Parte do investimento passou a ser paga pelos clientes. No trimestre de junho a agosto de 2026, a Oracle recebeu US$ 11,4 bilhões em pagamentos antecipados "that included a significant financing component", ou seja, com juros embutidos [18]. A empresa criou então uma nova métrica, fora das regras contábeis, a "net cash outlay for capital expenditures", que desconta do capex esses pagamentos e parte dos fluxos com fabricantes de equipamento classificados como financiamento. Por essa medida, o investimento do ano fiscal de 2026 foi de US$ 47,7 bilhões, contra US$ 55,7 bilhões de capex pela contabilidade; no trimestre seguinte, US$ 18,0 bilhões contra US$ 28,5 bilhões [186]. A Oracle não identifica quem adiantou o dinheiro. Entre os clientes de nuvem que ela própria cita estão AMD, Meta, NVIDIA, OpenAI, TikTok e xAI [193], e a OpenAI depende de novas rodadas de investimento para pagar as próprias contas.

O mercado reagiu. Em junho de 2026, a ação acumulava queda de cerca de 55% desde o pico de setembro de 2025 e teve "the steepest weekly drop since a 20% plunge in August 2001, during the depths of the dot-com bust" [194]. Em julho, Torsten Slok, da gestora Apollo, disse à CNBC: "CDS for Oracle is at the same level it was at in 2008." [195]. Compradores dos títulos de setembro de 2025 processaram a empresa, alegando que ela não informou que precisaria de muito mais dívida, alegação ainda não julgada [196]. Em setembro de 2026, a Oracle enviou um aviso de força maior ao desenvolvedor do Project Jupiter, no Novo México, para se proteger de custos maiores; segundo o Financial Times, citado pela CNBC, os US$ 18 bilhões em dívida ligados a esse data center já eram negociados "at stressed levels" [197].

CoreWeave e as neoclouds: a GPU como garantia

A CoreWeave aluga capacidade de GPUs NVIDIA a laboratórios e hyperscalers. Em 30 de junho de 2026, tinha US$ 35,1 bilhões em dívida para US$ 5,0 bilhões de patrimônio, cerca de sete vezes, além de US$ 16,3 bilhões em passivos de aluguel e de US$ 35,5 bilhões em aluguéis assinados e ainda não iniciados, fora do balanço [93]. No segundo trimestre de 2026, a receita foi de US$ 2,6 bilhões, 112% a mais que um ano antes, mas os juros líquidos somaram US$ 640 milhões, cerca de um quarto da receita, e o prejuízo foi de US$ 626 milhões. No semestre, a empresa investiu US$ 14,1 bilhões e gerou US$ 3,7 bilhões de caixa nas operações [93].

O detalhe que liga a CoreWeave à seção sobre depreciação está nos contratos de empréstimo. O limite do crédito é calculado "based upon the depreciable cost of computing equipment", e numa das linhas, "based upon the depreciable cost of graphics processing unit servers" [93]. Ou seja, quanto a empresa pode tomar depende do valor contábil das GPUs, que depende da vida útil escolhida. As taxas efetivas vão de 7% a 15% ao ano, e parte da dívida está em subsidiárias de propósito específico, isoladas em caso de falência, que davam em garantia US$ 18,2 bilhões em ativos de longo prazo [93].

Em 2026, esse crédito virou classe de ativo. Em março, uma linha de US$ 8,5 bilhões recebeu rating A3 da Moody's, que a CoreWeave descreveu como "the first investment-grade rated financing secured by HPC infrastructure and an associated customer contract" [198]. Em agosto, outra linha trouxe um descasamento explícito: "the DDTL 5.5 Facility carries an approximate five-year maturity while its underlying customer contracts average approximately three years in length. By financing these shorter-date commitments, lenders are signalling confidence in the long-term value of NVIDIA GPUs running on CoreWeave’s cloud platform and a willingness to underwrite renewal risk." [199]. O credor empresta por cinco anos contra contratos de três e aposta que a GPU ainda terá cliente quando eles acabarem.

A receita é concentrada. A Microsoft respondeu por cerca de 67% da receita de 2025; no segundo trimestre de 2026, os três maiores clientes somaram 36%, 26% e 10% [200], [93]. A empresa avisa que, se um cliente grande falhar, pode ficar com capacidade ociosa e com as despesas de equipamentos, aluguéis e financiamento, e acrescenta: "We do not currently maintain credit insurance to insure against customer credit risk." [93]. Do outro lado está a NVIDIA, que fornece todas as GPUs da CoreWeave, comprou US$ 2 bilhões em ações da empresa em janeiro de 2026 e se comprometeu, em setembro de 2025, a comprar a capacidade que sobrar sem cliente até 2032, num contrato inicial de US$ 6,3 bilhões [92], [93]. A seção "O círculo" já tratou desse contrato.

A Nebius, outra neocloud listada nos Estados Unidos, mostra o mesmo desenho. No primeiro semestre de 2026, investiu US$ 8,1 bilhões e faturou US$ 0,98 bilhão; o caixa das operações só foi positivo graças a US$ 4,4 bilhões em pagamentos antecipados de clientes. Em janeiro, aumentou de quatro para cinco anos a vida útil de servidores e equipamentos de rede [201]. O contrato de US$ 17,4 bilhões com a Microsoft só começa a valer quando a Nebius confirmar "that it has secured any additional financing required in respect of the capital expenditures under the Agreement" [202]. O contrato depende do financiamento, e o financiamento depende do contrato.

O custo do dinheiro subiu. No fim de setembro de 2026, o título de dez anos do Tesouro americano rendia perto de 5,17%, segundo a CNBC, e credores relataram mais seletividade: "Instead of a roster of 50 neoclouds, there's probably 20 that the market's truly interested in." [203]. A CoreWeave calcula que cada ponto percentual de alta nos juros acrescenta cerca de US$ 30 milhões por trimestre à sua despesa com a dívida de taxa flutuante [93]. Analistas do Mizuho já falavam em julho em "neoclouds generating negative free cash flow, widening credit spreads and capital raise concerns" [195].

Os três elos estão presos uns aos outros. Os compromissos da OpenAI são parte relevante da carteira da Oracle e da CoreWeave; a dívida da Oracle e da CoreWeave se apoia nesses contratos; e a NVIDIA garante pedaços da cadeia. Se a receita da OpenAI decepcionar, a pressão chega primeiro a Oracle e CoreWeave, depois aos credores delas e, por fim, às garantias da NVIDIA. É o wrong-way risk descrito na seção sobre 2008: a proteção perde valor justamente quando é chamada.

Macroeconomia e os alertas oficiais

O estouro de 2000 derrubou a bolsa e trouxe uma recessão de oito meses. O de 2008 quebrou bancos e trouxe a recessão mais longa desde a Segunda Guerra, de 18 meses [40]. A diferença esteve no canal: ações num caso, crédito no outro. Esta seção mede o peso da IA na economia americana e mostra o que bancos centrais e organismos internacionais disseram sobre o canal pelo qual uma correção passaria.

Quanto do crescimento vem da IA

Em outubro de 2025, a revista Fortune divulgou uma conta do economista Jason Furman, de Harvard: "Technically, as Furman notes, investment in information-processing equipment and software was only 4% of U.S. GDP for the first half of 2025, yet it also accounted for fully 92% of GDP growth over that period." O próprio Furman ponderou que, sem o boom da IA, os juros e a eletricidade provavelmente estariam mais baratos, o que daria algum crescimento a outros setores [204]. Refiz a conta com os dados da época e ela bate: os 92% saem de subtrair os valores em dólares encadeados do investimento em tecnologia dos do PIB [205]. O problema é o método. O BEA, que calcula o PIB americano, avisa que, para produtos com preços em queda rápida, como computadores, "the chained-dollar levels (as distinct from chain-weighted indexes and percent changes) will overstate their relative importance to GDP growth." [206].

Pela tabela de contribuições do próprio BEA, na versão revisada de setembro de 2026, equipamentos de processamento de informação e software responderam por cerca de 56% do crescimento do primeiro semestre de 2025, 30% do crescimento do ano inteiro (0,70 de 2,3 pontos percentuais) e cerca de 41% do primeiro semestre de 2026, pelas minhas contas [23]. São números brutos. Boa parte do equipamento é importada, e o PIB soma o investimento mas desconta as importações. As importações americanas de computadores, periféricos e peças passaram de US$ 217 bilhões em 2024 para US$ 362 bilhões em 2025 e chegaram a um ritmo anual de US$ 601 bilhões no segundo trimestre de 2026 [23]. As estimativas oficiais variam muito conforme o método:

FonteEstimativaObservação
Jason Furman, via Fortune (out. 2025)92% do crescimento do 1º semestre de 2025equipamentos e software; dólares encadeados
FMI (out. 2025)"around 57 percent" do crescimento desde o 4º trimestre de 2024só equipamentos; bruto
Banco da Inglaterra (dez. 2025)"about half" do crescimento do 1º semestre de 2025estimativa da equipe, sensível à fatia importada
BIS (jan. 2026)"almost half of GDP growth in recent quarters"todo o investimento em TI; "may overstate the net contribution"
BEA, pelas minhas contas (set. 2026)cerca de 56% no 1º semestre de 2025; 30% no anocontribuições aditivas; bruto
FMI (abr. 2026)"about 0.3 percentage points" nos três primeiros trimestres de 2025estimativa de modelo, outro conceito

As fontes da tabela são, na ordem, [204], [207], [166], [208], [23] e [31]. Em termos brutos, o investimento em tecnologia respondeu por algo entre metade e dois terços do crescimento americano no primeiro semestre de 2025. Descontadas as importações, o efeito foi bem menor. A distância entre as estimativas já diz algo: o peso da IA na economia americana depende do método, e quem afirma um número único está escolhendo um.

O efeito não para no investimento. A construção de data centers nos Estados Unidos chegou a um ritmo anual de US$ 84,95 bilhões em agosto de 2026 (dado preliminar), 73% acima de um ano antes, enquanto a construção total caía 1,7% [209]. E a alta das ações também mexe com o consumo: a equipe do Banco da Inglaterra estimou que a valorização das ações americanas respondeu por "around 10% of the increase in US real consumption since the start of 2024, with AI-related equities the main driver during this period." [166].

Economistas do BIS, o banco dos bancos centrais, colocaram o ciclo em perspectiva histórica. Pelos cálculos deles, os gastos com fábricas de equipamentos de TI e data centers equivaliam a cerca de 1% do PIB americano em meados de 2025, "similar in size to the US shale boom of the mid-2010s and half as large as the rise in IT investment during the dot-com boom of the 1990s." E acrescentaram: "The end of previous investment booms was associated with a slowdown in GDP growth of more than 1 pp on average (Graph 4.B). Notably, the largest contraction was after the US dot-com boom, even though the boom was small relative to GDP." [208]. O tamanho do ciclo, sozinho, não diz quanto ele pode machucar.

Concentração

O segundo canal é a bolsa. Em outubro de 2025, o comitê de política financeira do Banco da Inglaterra registrou que as cinco maiores empresas do S&P 500 somavam cerca de 30% do índice, fatia "higher than at any point in the past 50 years", e que, por isso, "any AI-led price adjustment would have a high level of pass-through into the returns for investors exposed to the aggregate index." [210]. O FMI calculou no mesmo mês que as sete maiores de tecnologia eram 33% do índice e que uma medida de concentração baseada no índice Herfindahl-Hirschman estava "substantially higher than during the dot-com bubble" [207]. Em julho de 2026, o Banco da Inglaterra estimou que as empresas ligadas à IA já eram cerca de metade do S&P 500, contra um quarto em 2022, e que a fatia podia crescer com as ofertas de ações de OpenAI e Anthropic [1].

O BIS aplicou um teste estatístico usado para detectar bolhas, que mede se um preço entrou em trajetória explosiva. Em dezembro de 2025, tanto o S&P 500 quanto o ouro tinham "entered explosive territory", e foi "the only time in at least the last 50 years in which gold and equities have entered this territory simultaneously". O próprio BIS lembra o limite do teste: "it provides no information on when bubbles may burst." [211].

Da ação para a dívida

O que mais preocupa os bancos centrais não é o preço das ações, e sim a mudança no modo de pagar. O Banco Central Europeu escreveu em maio de 2026 que empresas e infraestrutura de IA "have started to rely increasingly on credit financing" e lembrou um padrão histórico: "Strong growth in either equity prices or business debt in isolation has not been associated with financial crises in the past. That said, 15% of those years that showed particularly strong growth in both equity prices and business debt have been followed by a financial crisis within two years". O gráfico que acompanha o texto tem um título direto: "Greater debt financing for AI is concerning for financial stability" [212]. O mesmo relatório ressalva que o crescimento da dívida das empresas, no agregado, ainda é baixo nos Estados Unidos e na zona do euro.

Os números do Banco da Inglaterra, de julho de 2026, mostram a velocidade. As cinco maiores hyperscalers tinham só 3% da dívida corporativa americana com grau de investimento no fim de 2025, mas responderam por mais de 15% das emissões de 2026 até o início de maio. Emissores ligados à IA foram 41% das emissões americanas de alto rendimento (exceto refinanciamentos) no ano, e, segundo a OCDE, a fatia do crédito privado no financiamento da IA subiu de 9% em 2024 para 34% em 2025 [1]. Em setembro, o comitê do banco citou uma estimativa do Morgan Stanley: cerca de US$ 450 bilhões em dívida ligada à IA emitidos em 2026 até o início do mês, mais que o dobro de todo o ano de 2025 [213]. Na pesquisa do Fed com participantes do mercado, a IA passou de 30% das menções entre os riscos em 2025 para 50% em 2026, e os entrevistados citaram que os investimentos "are increasingly funded by debt, creating leverage in the system" [214], [70].

A tabela resume a evolução dos alertas oficiais:

DataInstituiçãoO que disse
out. 2025Banco da Inglaterra"The risk of a sharp market correction has increased." [210]
nov. 2025BCE"Disappointing news relating to AI progress might lead to direct and indirect spillovers to the euro area financial system." [215]
dez. 2025Banco da Inglaterrametade de mais de US$ 5 trilhões em infraestrutura deve vir de fora, "mostly through debt" [166]
jan. 2026BISo financiamento precisa passar "from operating cash flows to debt" [208]
mar. 2026BISestruturas fora do balanço equivalem a "shadow borrowing" [121]
abr. 2026FMIfinanciamento circular "increasingly prevalent" [31]
maio 2026BCE"Greater debt financing for AI is concerning for financial stability" [212]
jun. 2026BIS"risks of the same asset being pledged multiple times" [122]
jul. 2026Banco da Inglaterrareceitas podem refletir "‘circular financing arrangements’" [1]
ago. 2026FSB"increasing cross-investment between artificial intelligence (AI) companies and hyper scalers" [216]
out. 2026BIS55,2% do investimento recebido por empresas de IA veio de outras empresas de IA [51]

O relatório anual do BIS, de junho de 2026, faz a ligação histórica que este artigo propõe. As manias dos canais nos anos 1830, das ferrovias nos anos 1840, da eletrificação nos anos 1920 e da internet nos anos 1990 "all shared one common trait: a genuine technological breakthrough that attracted capital in excess of what commercial returns could ultimately justify. These episodes ended with an eventual reversal in investment, inducing economy-wide recessions." E sobre o ciclo atual: "The scale and pace of the current AI investment boom accompanied by expectations of large productivity payoffs bear resemblance to these precedents, highlighting potential downside risks in the near term." [122].

Julho de 2026: um ensaio

O mercado já teve um ensaio. Segundo o Banco da Inglaterra, "Equity valuations for AI companies fell sharply in July. The scale of the adjustment was amplified by an unwinding of stretched positions and associated deleveraging activity." Houve perdas grandes para investidores alavancados, mas "there was no spillover to core markets." [213]. O BIS registrou a quebra de "a highly leveraged AI-focused hedge fund", uma queda de quase 15% na relação preço/lucro das hyperscalers e de 40% na dos fabricantes de semicondutores, e a alta dos spreads de CDS dessas empresas, enquanto os do resto do S&P 500 ficavam estáveis [217]. Em 27 de julho, a Apple passou a NVIDIA como a empresa mais valiosa do mundo; segundo a CNBC, os investidores "rewarded its reluctance to spend heavily on capital expenditures for AI, preferring to rent capacity instead of building its own." [218].

O episódio mostrou as duas coisas ao mesmo tempo. O mercado já cobra prêmio de quem investe e se endivida mais. E, enquanto a maior parte do ciclo for paga com caixa e ações, uma queda forte da bolsa ainda não vira crise de crédito.

O que os reguladores não dizem

Nenhum desses documentos prevê uma crise. O Banco da Inglaterra escreveu em dezembro de 2025 que "The predominantly cash and equity-financed nature of AI development to date limits the likelihood of severe systemic risk implications of a change to AI-driven asset prices in the near term." [166]. O FMI, em abril de 2026, considerou que "financial stability risks remain contained" [31]. E o BCE notou que, ao contrário de 2000, as hyperscalers "combine high profit margins, strong earnings growth, little debt and diversified underlying businesses beyond AI" [215].

O que todos apontam é o mecanismo: a passagem do financiamento por caixa e ações para o financiamento por dívida, dentro e fora do balanço. É ela que pode transformar uma correção de bolsa, como a de 2000, num problema de crédito, como o de 2008. O Banco da Inglaterra simulou um cenário hipotético de correção ligada à IA, com queda de 45% nas ações americanas em seis trimestres e alta de 350 pontos-base nos spreads de crédito, que tiraria 2,2 pontos percentuais do PIB britânico [1]. E lembrou, em setembro, que as projeções de crescimento e as contas públicas também dependem da IA: "A reassessment of those expectations could therefore affect not only AI-related asset valuations but also sovereign debt markets." [213].

E o Brasil?

O Brasil não está no centro do círculo descrito neste artigo. Nenhuma empresa brasileira vende GPUs, treina modelos de fronteira ou emite dezenas de bilhões de dólares em títulos para erguer data centers. Mas o país está ligado ao ciclo por três canais: a política pública, que aposta em atrair data centers; a energia, que é o principal argumento do país e a parte mais durável do investimento; e os investidores, expostos às ações americanas e às condições financeiras globais.

Redata: o incentivo que chegou atrasado

A principal aposta federal é o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata. A Medida Provisória 1.318, de 17 de setembro de 2025, suspendeu PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação na compra de equipamentos de tecnologia por data centers habilitados. Em troca, a empresa precisava oferecer ao mercado interno pelo menos 10% da capacidade instalada com o benefício, atender toda a sua demanda de energia com fontes limpas ou renováveis, ter eficiência hídrica (WUE) de no máximo 0,05 litro por kWh e investir 2% do valor dos produtos em pesquisa e desenvolvimento [219]. A exposição de motivos afirma que "cerca de 60% das cargas digitais nacionais" são processadas no exterior e que operar no Brasil custa, em média, 30% mais, "devido principalmente à tributação sobre equipamentos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC)". A Receita estimou a renúncia fiscal em R$ 5,20 bilhões em 2026, R$ 1,00 bilhão em 2027 e R$ 1,05 bilhão em 2028 [220]. O número mais repetido, porém, não está em nenhum documento técnico. Na cerimônia de assinatura, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse: "Há uma expectativa de que o Brasil possa atrair R$ 2 trilhões de investimentos, ao longo de 10 anos" [221]. Nenhuma metodologia foi publicada para esse valor.

A MP perdeu a validade em 25 de fevereiro de 2026 sem ser votada [222]. Segundo a Agência Brasil, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não votar o texto no prazo [223]. O conteúdo voltou como projeto de lei, aprovado pela Câmara em 24 de fevereiro e pelo Senado só em 1º de setembro [224], [225], e foi sancionado como Lei 15.504, de 15 de setembro de 2026. A lei trocou "fontes limpas ou renováveis" por "fontes renováveis ou de baixa emissão" e manteve um detalhe decisivo: os benefícios de PIS/Cofins e IPI "produzirão efeitos até 31 de dezembro de 2026", por causa da transição para a CBS e o IBS da reforma tributária [226]. No mesmo dia, uma lei complementar abriu uma exceção às regras fiscais para que o benefício pudesse ser concedido [227]. Na sanção, a Agência Brasil registrou que parte das regras "ainda dependerá de regulamentação para definir procedimentos de habilitação das empresas, critérios técnicos e outras condições necessárias para a utilização efetiva dos benefícios tributários" [228]. Até 13 de outubro de 2026, uma busca no Diário Oficial não encontrou o decreto de regulamentação [229]. Se ele demorar, a janela dos principais benefícios tributários em 2026 será curta.

Anúncios e atos oficiais

Os valores anunciados para data centers no Brasil são enormes, mas mudam de natureza quando se lê o documento oficial:

ProjetoValor ou capacidade anunciadosO que os documentos mostramFonte
Microsoft (SP)R$ 14,7 bi em três anos (2024)anúncio; desembolso não divulgado[230]
AWS (SP)R$ 10,1 bi até 2034 (2024)anúncio com horizonte de dez anos[231]
ByteDance/TikTok, Pecém (CE)"mais de R$ 200 bilhões"R$ 108 bi em equipamentos até 2035 e R$ 135 bi em atualizações de 2036 a 2046; pelo menos 40 MW operando até o 3º trimestre de 2027[232], [233], [234]
Scala AI City, Eldorado do Sul (RS)R$ 3 bi na 1ª fase e "potencial" de R$ 500 bi; "conexão de 5 gigawatts"portaria do MME sem nenhuma potência, que caduca sem contrato de transmissão até 2033[235], [236], [237]
Elea, Rio AI City (RJ)1,5 GW "a ser entregue imediatamente"entregas previstas de cerca de 200 MW; "mais de 300 MW em terrenos com energia garantida" na empresa toda[238], [239], [240]
Equinix SP6 (SP)US$ 114 miem operação desde abril de 2026[241]

O caso da ByteDance é o mais instrutivo. Na aprovação pelo conselho das Zonas de Processamento de Exportação, o projeto "prevê investimentos totais de R$ 108 bilhões até 2035 em equipamentos de alta tecnologia" e, "Para o decênio posterior a 2035 (36-46), a empresa espera investir outros R$ 135 bi em atualizações tecnológicas" [232]. Quase todo o número da manchete é equipamento e sua troca ao longo de duas décadas, o mesmo ativo de vida curta discutido na seção sobre depreciação. O primeiro marco concreto é bem menor: "A expectativa é de que, até o terceiro trimestre de 2027, pelo menos 40MW estejam em plena operação." [234].

No Rio Grande do Sul, o governo estadual informou que o Ministério de Minas e Energia publicou "a resolução que garante a conexão de 5 gigawatts (GW) de energia para cidade de data centers em Eldorado do Sul" [236]. A portaria publicada não cita potência nenhuma. Ela reconhece que a alternativa de acesso à rede "atende aos critérios de mínimo custo global", condiciona a ligação à "disponibilidade sistêmica verificada pelo ONS" e é revogada se não houver contrato de uso do sistema de transmissão até 31 de dezembro de 2033 [237]. A Elea falou em 1,5 GW de energia renovável "a ser entregue imediatamente" na Rio AI City [238], mas as fases concretas descritas pela própria empresa somam cerca de 200 MW [239]. Em abril de 2026, o comunicado da venda da Elea para a I Squared Capital mencionou "mais de 1 GW de capacidade planejada e mais de 300 MW em terrenos com energia garantida" [240]. Para comparar escalas: o SP6 da Equinix, um data center real e em operação, custou US$ 114 milhões, e a empresa diz investir no país "em média, cerca de R$ 1 bilhão por ano ao longo da última década" [241].

Nada disso indica fraude. Anunciar potencial é comum em infraestrutura. O problema, num ciclo de euforia, é que o número da manchete circula como se fosse investimento feito e acaba servindo de base para política pública. O planejamento elétrico mostra o tamanho da diferença. Numa apresentação de setembro de 2025, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostrou que os pedidos de data centers acompanhados pelo ministério somavam 10.721 MW até 2029 e 20.986 MW até 2038, dos quais 13.399 MW no Sudeste. A previsão da própria EPE para a carga nova de data centers na rede básica em 2029 fica em torno de 1.000 MW médios, pela leitura do gráfico [242]. As unidades são diferentes, potência pedida e energia média, então a comparação vale como ordem de grandeza. Uma busca no Diário Oficial encontrou pelo menos 15 portarias de 2024 e 2025 que reconhecem o acesso de data centers à rede básica, e nenhuma informa potência [243]. Para filtrar pedidos especulativos, a ANEEL passou a exigir garantias financeiras de quem pede acesso à rede de transmissão [244], a mesma lógica da tarifa de Ohio descrita na seção sobre energia.

Energia sobrando, rede faltando

O argumento brasileiro é a energia limpa. As renováveis foram 86,8% da matriz elétrica em 2025 [245]. E há energia sobrando. Pelos meus cálculos com os dados abertos do ONS, as usinas eólicas e solares acompanhadas pelo operador deixaram de gerar 37,2 TWh em 2025 por ordem de corte, 20,7% do que poderiam ter produzido. O pico foi em outubro de 2025, com 30,4%, e 84% do volume cortado no ano estava no Nordeste. De janeiro a 12 de outubro de 2026, os dados preliminares somam 31,3 TWh, ou 22,1% [246], [247]. Com a Lei 15.269/2025, os custos de cortes por "sobreoferta de energia elétrica, referente a eventos motivados pela impossibilidade de alocação de geração de energia elétrica na carga" não podem mais ser cobertos pelo encargo previsto na lei do setor [248]. Na prática, o gerador não é compensado por esse tipo de corte.

Os data centers são apresentados como compradores desse excedente, mas a conta não fecha sozinha. A energia cortada em 2025 é cerca de quatro vezes a carga nova de data centers que a EPE projeta para 2029 (1.000 MW médios equivalem a cerca de 8,8 TWh por ano). E a sobra está concentrada no Nordeste, enquanto a maior parte dos pedidos de data center está no Sudeste. O gargalo brasileiro, como o americano, é rede e localização, não geração.

A dívida que liga o Ceará à IA

O elo mais direto entre o ciclo da IA e a dívida de longo prazo no Brasil está na geração de energia. Em junho de 2026, a Casa dos Ventos concluiu nos Estados Unidos uma captação privada de US$ 1,1 bilhão, em duas emissões: US$ 825 milhões com prazo de 24 anos e US$ 252 milhões com prazo de 17 anos. As usinas financiadas "fazem parte de contratos de longo prazo de venda de energia, os PPAs, firmados com empresas como Ascenty, Omnia e ByteDance, dona do TikTok." A dívida é em dólar porque "os contratos de venda de energia também são em moeda americana", o que, segundo a empresa, "elimina o risco cambial da operação" [249]. O risco de câmbio sai, mas fica o de contraparte: dívida de 17 a 24 anos, sustentada por contratos com compradores cujo negócio depende de equipamentos depreciados em cinco ou seis anos. É o mesmo descasamento dos contratos nucleares americanos. Do outro lado estão, segundo a empresa, "23 investidores institucionais de segmentos variados, como seguradoras, gestores de ativos e fundos de pensão" [249].

Investidores e Banco Central

O investidor brasileiro também está exposto. Segundo a B3, o estoque de BDRs, os recibos de ações estrangeiras negociados na bolsa brasileira, caiu de R$ 34 bilhões em 2021 para R$ 18 bilhões em 2022 e chegou a R$ 50 bilhões em 2025, com cerca de 1 milhão de investidores. A NVIDIA (NVDC34) foi o terceiro BDR mais negociado no período coberto pelo relatório, com R$ 116 milhões por dia [250]. A queda de 2022 coincidiu com a das ações de tecnologia nos Estados Unidos [46], mas câmbio e resgates também podem ter pesado, e não encontrei estudo que separe cada fator. Os fundos destinados ao público em geral podem aplicar até 20% do patrimônio em ativos no exterior, e os de investidores qualificados, até 40% [251]. Os fundos de pensão fechados podem ter até 10% no exterior e mais até 10% em BDRs e ETFs internacionais negociados na B3 [252]. São tetos, não exposição efetiva, e não encontrei dado consolidado sobre a alocação real.

O Banco Central acompanha o tema. No Relatório de Estabilidade Financeira de maio de 2026, escreveu que "avaliações elevadas e maior concentração de investimentos em determinados segmentos aumentam a sensibilidade dos mercados a frustrações de expectativa, com risco de correções de preços mais intensas". Sobre o crédito privado americano que financia data centers, apontou "riscos relevantes associados à concentração e à opacidade". E lembrou que as economias emergentes "permanecem expostas a pressões cambiais e a saídas de capitais". Mas concluiu que, "Diante da reduzida exposição cambial e da pequena dependência de funding externo, a exposição do SFN a flutuações financeiras originadas no exterior é baixa." [253].

Numa correção, o Brasil sentiria o ciclo da IA de forma indireta: pela saída de capital e pelo câmbio, pelos projetos anunciados que encolheriam ou não sairiam do papel, pelos geradores cuja dívida depende de contratos com data centers e pelos investidores de varejo em BDRs, que já viram o estoque cair quase pela metade em 2022. O custo fiscal estimado do Redata, de R$ 7,25 bilhões em três anos, é pequeno perto dos valores anunciados. O país não carrega a dívida do ciclo. Carrega parte da narrativa e uma parte da energia.

O que pode desmentir a tese

Um argumento que não pode ser refutado não é análise. Esta seção reúne os melhores argumentos contra a ideia de que o ciclo da IA tem a forma de uma bolha de crédito, com os dados que os sustentam e o que eles não provam.

A demanda existe e está crescendo

O argumento mais forte é a receita. A Microsoft informou que o Azure passou de US$ 100 bilhões no ano fiscal de 2026, com alta de 41%, e que "Customer demand continues to exceed available capacity" [13]. A receita do Google Cloud cresceu 82% no segundo trimestre de 2026, para US$ 24,8 bilhões, e a carteira de contratos chegou a US$ 514 bilhões [254], [14]. A AWS cresceu 37% no mesmo trimestre, para um ritmo anual de US$ 169 bilhões, e informou que seu negócio de IA passou de US$ 25 bilhões por ano [25]. Na Meta, a receita subiu 28% e Mark Zuckerberg atribuiu o resultado à IA: "AI is accelerating our core business today" [16]. Do lado do uso, o aplicativo Gemini chegou a 950 milhões de usuários mensais [254], e a OpenAI fala em "our collective 1.2B weekly users" [255].

O que isso não prova é que a receita cubra o investimento, nem que a demanda seja independente do financiamento. Em janeiro de 2026, a Microsoft informou que "Approximately 45% of our commercial RPO balance is from OpenAI" [84]. Na Amazon, o prazo médio dos contratos de longo prazo ainda não reconhecidos subiu de 4,0 para 6,4 anos em um ano, com as ampliações dos contratos com OpenAI e Anthropic [7]. A própria Microsoft oferece o contraponto: em julho de 2026, disse que todo o crescimento da carteira no trimestre anterior veio de clientes fora dos laboratórios de fronteira e que "nearly 90%" da receita de nuvem do ano veio desses outros clientes [13]. É o dado mais importante a acompanhar. Se a demanda de quem não é laboratório de IA continuar crescendo nesse ritmo, o círculo descrito neste artigo pesa menos do que parece.

Os balanços são fortes

As quatro maiores tinham, juntas, cerca de US$ 533 bilhões em caixa e aplicações de curto prazo em junho de 2026: US$ 76,8 bilhões a Microsoft, US$ 242,5 bilhões a Alphabet, US$ 123,0 bilhões a Amazon e US$ 90,3 bilhões a Meta, pelas minhas contas sobre os balanços enviados à SEC [3], [5], [7], [9]. O BCE e o BIS lembraram que, ao contrário de 2000, a alta das ações vem acompanhada de lucro: segundo o BIS, isso é "dissimilar to the dotcom bubble of the late 1990s, which was largely fuelled by over-optimistic expectations that were not underpinned by realised earnings growth." [211], [215].

O que isso não prova é que o caixa venha da operação. A Alphabet levantou US$ 49,6 bilhões líquidos em ações em junho de 2026, "including capital expenditures to scale AI infrastructure", emitiu US$ 56,2 bilhões em dívida no semestre e registrou um ganho de US$ 98,0 bilhões, "primarily the result of net unrealized gains on our equity securities" [254]. A diretora financeira resumiu a dívida da empresa: "a year ago, we were at about $16 billion; and we went to about $100 billion across multiple currencies and geographies." [14]. Na Meta, o fluxo de caixa livre do segundo trimestre de 2026 foi de US$ 784 milhões, e o caixa de US$ 90,3 bilhões já era quase igual à dívida de longo prazo, de US$ 83,7 bilhões [16]. Os balanços continuam fortes, mas a folga encolheu rápido.

A dívida ainda é pequena perto do sistema

O Banco da Inglaterra escreveu que o financiamento predominantemente por caixa e ações "limits the likelihood of severe systemic risk implications of a change to AI-driven asset prices in the near term" [166]. O BCE notou que o crescimento da dívida das empresas, no agregado, ainda é baixo [212], e em novembro de 2025 calculou que o setor de tecnologia era de 1,8% a 8,3% dos principais índices de títulos corporativos [215]. A seção sobre 2008 mostrou outro ponto a favor: o crédito privado é financiado sobretudo com capital de longo prazo, sem a dependência de dinheiro de curtíssimo prazo que derrubou os veículos de 2007.

O que isso não prova é que o risco esteja medido. As estatísticas de dívida não incluem os contratos de aluguel ainda não iniciados, que passam de US$ 1 trilhão nas maiores empresas, nem as garantias e os compromissos de compra descritos nas seções "O círculo" e "Fora do balanço". E a velocidade importa tanto quanto o estoque: as emissões ligadas à IA em 2026 já tinham mais que dobrado as de 2025 em setembro [213].

A produtividade vai aparecer

Os estudos de tarefa mostram ganhos reais. Num estudo com 5.172 atendentes de suporte, publicado no Quarterly Journal of Economics, o acesso a um assistente de IA "increases worker productivity, as measured by issues resolved per hour, by 15% on average" [256]. Pesquisadores do Fed de St. Louis estimaram que os usuários de IA generativa economizaram em média 5,4% das horas de trabalho, o que corresponderia a um aumento de cerca de 1,1% na produtividade agregada [257]. A adoção pelas empresas também cresce: na pesquisa do Census americano encerrada em 4 de outubro de 2026, 23,8% das empresas disseram ter usado IA nas duas semanas anteriores, contra 17,3% em novembro de 2025, já com a mesma pergunta [258]. O BIS resume a distância entre o micro e o macro: os estudos de tarefa relatam ganhos "between 20 and 50% in time savings", mas as estimativas de produtividade agregada "tend to be more conservative at less than 1% over a long horizon" [122].

O que isso não prova é que quem financia a infraestrutura vá ganhar. É a lição das ferrovias e da fibra: a tecnologia pode transformar a economia e, mesmo assim, o primeiro investidor perder dinheiro. Satya Nadella, presidente-executivo da Microsoft, parece concordar com o paralelo. Perguntado em julho de 2026 sobre o risco de excesso de capacidade, citou justamente o ano do pânico ferroviário americano: "All of us are reading this 1873 as the book to be read." A diretora financeira, Amy Hood, deu a resposta prática: o capex migrou para ativos de vida curta, e "if the demand environment changes, you just slow down what is, in fact, the largest component and the driver of COGS." [13]. É um bom argumento para a Microsoft. Mas a flexibilidade de quem compra GPUs é o risco de quem as financiou e de quem construiu o prédio para elas.

O preço do token pode criar a própria demanda

O custo de usar IA cai muito depressa. A NVIDIA diz que o custo por token da Blackwell caiu cinco vezes depois do lançamento, só com software [132], e a IEA calcula que a energia por tarefa de IA vem caindo "by at least an order of magnitude annually" [22]. Se a demanda for elástica o bastante, cada queda de preço multiplica o uso, e a capacidade instalada é absorvida. É a aposta de quem constrói. O problema é o prazo: se a demanda demorar mais que a dívida, quem financiou quebra antes de a capacidade encher, como aconteceu no telecom.

O que eu consideraria prova contrária

Com base nesses argumentos, estes são os sinais que me fariam abandonar a tese:

  • receita de produtos de IA, e não de nuvem em geral, cobrindo uma parte crescente do capex por vários trimestres seguidos;
  • a OpenAI chegando a fluxo de caixa positivo antes do previsto nos documentos relatados à imprensa;
  • preço de aluguel de GPUs de gerações anteriores estável por mais de três anos, compatível com vidas úteis de seis anos;
  • spreads de crédito de Oracle e das neoclouds caindo enquanto elas refinanciam as dívidas que vencem em 2027 e 2028;
  • crescimento da carteira das hyperscalers sustentado por clientes que não são laboratórios de IA.

Se esses sinais aparecerem juntos, o ciclo da IA terá sido caro, mas não uma bolha de crédito. Até outubro de 2026, o quadro era misto. Na Microsoft, a receita anualizada de IA crescia 123% ao ano [20], mais que o capex, que subiu cerca de 80% no ano fiscal de 2026, e no último trimestre a carteira cresceu só com clientes de fora dos laboratórios. O aluguel de H100, chips de 2022, voltou a subir em 2026, outro ponto a favor da durabilidade, como mostra a seção sobre depreciação. Já os spreads de Oracle e das neoclouds subiram, e a OpenAI continuava queimando caixa.

Cenários e sinais de alerta

Bolhas não marcam data para estourar. Greenspan falou em exuberância irracional em 1996, e a bolsa subiu por mais três anos; o teste estatístico do BIS, como o próprio BIS avisa, não diz quando a bolha acaba. Por isso esta seção não faz previsão de data. Descreve como seria uma correção, a partir de dois ensaios que já aconteceram, e lista os indicadores que mostram em que direção o ciclo está indo.

Dois ensaios

O primeiro veio da tecnologia. No fim de dezembro de 2024, a chinesa DeepSeek publicou o relatório técnico de seu modelo V3 e calculou o custo do treino final em US$ 5,576 milhões, supondo um aluguel de US$ 2 por hora de GPU H800. O próprio relatório avisava que o número excluía "the costs associated with prior research and ablation experiments on architectures, algorithms, or data" [259]. Em 27 de janeiro de 2025, o mercado reagiu: "Nvidia lost close to $600 billion in market cap on Monday, the biggest drop for any company on a single day in U.S. history." A Broadcom caiu 17% e a Oracle, 14%. Analistas da Cantor falaram em "great angst as to the impact for compute demand, and therefore, fears of peak spending on GPUs." [260]. A recuperação foi rápida: em outubro de 2025, a NVIDIA se tornou a primeira empresa a passar de US$ 5 trilhões em valor de mercado [261]. O episódio mostrou que uma mudança de eficiência pode reprecificar da noite para o dia a capacidade instalada e quem a vende.

O segundo veio das finanças. Em julho de 2026, como mostra a seção sobre macroeconomia, as ações ligadas à IA caíram forte, um fundo alavancado quebrou e as ações das hyperscalers passaram a ser negociadas a múltiplos menores, mas não houve contágio para o resto do mercado. Os dois ensaios foram eventos de bolsa. Nenhum chegou ao crédito. A pergunta é o que faria chegar.

Três cenários

No primeiro cenário, a demanda alcança a capacidade. A receita de produtos de IA cresce a ponto de cobrir uma parte relevante do investimento, o aluguel de GPUs se mantém firme mesmo depois do fim da escassez, e as empresas refinanciam sem dificuldade as dívidas que vencem em 2027 e 2028. As perdas ficam com algumas neoclouds e com investidores que entraram tarde. É o cenário que as empresas descrevem, e os dados de nuvem da seção anterior dão algum apoio a ele.

No segundo, a correção é de bolsa, como em 2000. A monetização da IA decepciona, as ações caem, e as hyperscalers fazem o que a diretora financeira da Microsoft descreveu: desaceleram as compras de ativos de vida curta [13]. Os fornecedores de chips e de memória perdem pedidos, as neoclouds mais endividadas são reestruturadas, e o crescimento desacelera. O Banco da Inglaterra simulou um caso assim, com queda de 45% nas ações americanas e alta de 350 pontos-base nos spreads [1]. O FMI calculou que o desmonte do investimento em IA poderia reduzir o PIB, o investimento e o consumo globais "by as much as 0.4, 1.3, and 0.6 percent, respectively, by 2028" [97]. E o BIS lembra que o fim dos booms de investimento anteriores trouxe, em média, uma desaceleração de mais de um ponto percentual no PIB [208].

No terceiro, a correção chega ao crédito. Um laboratório grande não consegue levantar a rodada seguinte e renegocia seus compromissos. Oracle e neoclouds enfrentam o refinanciamento num momento ruim: a CoreWeave, por exemplo, tinha US$ 4,4 bilhões em dívida vencendo no resto de 2026 e US$ 6,2 bilhões em 2027 [93]. Garantias de aluguel e de valor residual começam a ser cobradas. Fundos que marcam títulos de data centers a mercado reduzem os preços, e fundos semilíquidos de crédito privado, onde os pedidos de resgate já superaram as entradas no primeiro trimestre de 2026, enfrentam mais saídas [70]. É o cenário em que o wrong-way risk aparece: quem garante a dívida perde valor ao mesmo tempo que a garantia é chamada.

Não atribuo probabilidades a esses cenários. O argumento deste artigo é mais modesto e mais verificável: a estrutura de financiamento montada em 2025 e 2026 torna o terceiro cenário possível, de um jeito que não era possível quando o ciclo era pago com caixa e ações.

Quem perde primeiro

Pela estrutura de capital descrita nas seções anteriores, as perdas seguiriam uma ordem. Primeiro, os acionistas dos laboratórios e das neoclouds, incluindo os investidores individuais que entraram pelas rodadas abertas ao varejo. Depois, os credores das neoclouds, cujos empréstimos têm GPUs como garantia. Em seguida, os fornecedores que deram garantias ou compraram participações em clientes, como NVIDIA, AMD e Google, que perdem ao mesmo tempo receita e valor de investimento. Depois, os donos dos títulos dos veículos de data centers, se os aluguéis e as garantias de valor residual não cobrirem a dívida, entre eles seguradoras e fundos de renda fixa. Por último, as próprias hyperscalers, que continuam obrigadas a pagar os aluguéis que assinaram. É uma ordem provável, não garantida: em 2007, compromissos que pareciam distantes voltaram para o balanço antes da hora, por contrato ou por reputação.

O que acompanhar

Os indicadores abaixo são públicos e mostram, trimestre a trimestre, em que cenário o ciclo está:

IndicadorOnde acompanharSinal de alerta
Aluguel de GPUs de gerações anteriorespreços públicos de AWS e Lambda; futuros de aluguel anunciados pela CMEqueda forte quando a escassez acabar
Carteiras de contratos (RPO)relatórios trimestrais de Microsoft, Oracle, Alphabet, Amazon e CoreWeavecarteira parada ou cada vez mais concentrada em laboratórios
Receita dos laboratórioscomunicados de rodadas e, se sair, o prospecto de abertura de capital da OpenAIrodada a avaliação menor ou com mais garantias
Spreads e CDS de Oracle, neoclouds e hyperscalersrelatórios de estabilidade do BIS, do Banco da Inglaterra e do Fedalta contínua, sobretudo perto dos vencimentos de 2027 e 2028
Preço dos títulos de veículos de data centersrelatórios N-PORT dos fundos na SECpapéis abaixo do valor de face
Vida útil de servidoresnotas dos relatórios anuaisnovos encurtamentos, como o da Amazon em 2025
Aluguéis assinados e não iniciadosnotas de arrendamento dos relatórios trimestraisrenegociações, atrasos ou avisos de força maior
Resgates em fundos de crédito privadorelatório de estabilidade financeira do Fedsaídas maiores que entradas por vários trimestres
Juros longosrendimento do título de dez anos do Tesouro americanopermanência acima de 5%

Nenhum desses sinais, sozinho, decide a questão. Juntos, mostram se a conta está sendo paga pela receita ou empurrada para a frente.

Conclusão

A pergunta deste artigo nunca foi se a inteligência artificial é real. As ferrovias eram reais, a fibra óptica também, e as duas mudaram a economia depois de arruinar boa parte de quem as financiou. A pergunta é quem paga a conta se a receita demorar mais que a dívida.

Os seis marcadores da seção "Como se reconhece uma bolha" dão uma resposta parcial. O choque real está presente: o investimento das quatro maiores empresas de nuvem foi de US$ 228 bilhões em 2024 para US$ 376 bilhões em 2025 e pode passar de US$ 700 bilhões em 2026, e a receita de nuvem e de IA cresce. O crédito financiando a expansão também: as hyperscalers responderam por mais de 15% das emissões americanas de grau de investimento em 2026 até maio, e as emissões ligadas à IA já tinham passado, em setembro, do dobro de todo o ano de 2025. A inovação nos passivos é evidente, das joint ventures não consolidadas às garantias de valor residual, dos empréstimos com GPUs como garantia às plataformas para transformar chips em ativo de investimento, que o presidente da BlackRock comparou ao começo do mercado de títulos hipotecários. A receita que depende do próprio financiamento está medida: US$ 1,4 trilhão em compromissos nos acordos que o FMI chamou de circulares, e 55,2% do investimento recebido por empresas de IA vindo de outras empresas de IA, segundo o BIS. Os dois últimos marcadores aparecem só em parte. O colateral envelhece rápido no papel, com uma geração de chips por ano e depreciação de seis, mas o aluguel das GPUs antigas subiu em 2026 por causa da escassez. E os preços estão altos, com o CAPE perto de 41 e a concentração da bolsa em níveis recordes, mas apoiados em lucros que existem.

O que 2008 ensina se aplica quase ponto por ponto. Compromissos fora do balanço voltam para dentro na crise, e hoje eles somam mais de US$ 1 trilhão em aluguéis não iniciados, além das garantias da Meta, da NVIDIA, da AMD e do Google. Gatilhos ligados a preço de mercado antecipam perdas, e os empréstimos das neoclouds são dimensionados pelo valor contábil das GPUs. Notas de crédito podem medir quem garante, e não o ativo: os títulos A+ da Beignet financiam um campus cujo único inquilino e garantidor é a Meta. Garantias que caem junto com o risco falham quando são chamadas, e o FMI já usa a expressão wrong-way risk para o ecossistema de IA. E métricas vigiadas pelo mercado viram alvo de engenharia: vidas úteis mais longas, uma reclassificação de aluguéis que reduz o capex divulgado sem mudar o investimento, uma nova medida de capex líquido de pagamentos antecipados de clientes.

As diferenças também precisam ser ditas. As hyperscalers têm caixa e pouca alavancagem, ao contrário dos bancos de 2007, o crédito privado não depende de dinheiro de curtíssimo prazo como os veículos de papel comercial, a divulgação é melhor e as regras de consolidação são mais duras. Não há milhões de famílias endividadas na ponta. Se o ciclo quebrar, o mais provável é algo entre 2000 e 2008: uma correção de bolsa, com perdas de crédito concentradas em laboratórios, neoclouds, fornecedores que deram garantias e os fundos que compraram a dívida deles.

O que preocupa é a direção. O ciclo começou pago com caixa e ações e está migrando, depressa, para dívida, boa parte dela fora dos balanços de quem usa os ativos. Até outubro de 2026, a conta da IA estava espalhada em notas explicativas, garantias contingentes e veículos que ninguém precisa consolidar. É exatamente o tipo de conta que, em 2008, só apareceu inteira quando já era tarde para dividi-la.

Referências

  1. [1]Bank of England, “Financial Stability Report – July 2026,” Bank of England, 7 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.bankofengland.co.uk/financial-stability-report/2026/july-2026 ↩
  2. [2]U.S. Securities and Exchange Commission, “Company facts: Microsoft Corporation (CIK 0000789019),” EDGAR XBRL API, 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://data.sec.gov/api/xbrl/companyfacts/CIK0000789019.json ↩
  3. [3]Microsoft Corporation, “Form 10-K for the fiscal year ended June 30, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission, 29 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/789019/000119312526323660/msft-20260630.htm ↩
  4. [4]Alphabet Inc., “Form 10-K for the fiscal year ended December 31, 2025,” U.S. Securities and Exchange Commission, 5 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1652044/000165204426000018/goog-20251231.htm ↩
  5. [5]Alphabet Inc., “Form 10-Q for the quarterly period ended June 30, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission, 23 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1652044/000165204426000071/goog-20260630.htm ↩
  6. [6]Amazon.com, Inc., “Form 10-K for the fiscal year ended December 31, 2025,” U.S. Securities and Exchange Commission, 6 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1018724/000101872426000004/amzn-20251231.htm ↩
  7. [7]Amazon.com, Inc., “Form 10-Q for the quarterly period ended June 30, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission, 31 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1018724/000101872426000026/amzn-20260630.htm ↩
  8. [8]Meta Platforms, Inc., “Form 10-K for the fiscal year ended December 31, 2025,” U.S. Securities and Exchange Commission, 29 jan. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1326801/000162828026003942/meta-20251231.htm ↩
  9. [9]Meta Platforms, Inc., “Form 10-Q for the quarterly period ended June 30, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission, 30 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1326801/000162828026050705/meta-20260630.htm ↩
  10. [10]Oracle Corporation, “Form 10-K for the fiscal year ended May 31, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission, 22 jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1341439/000119312526277521/orcl-20260531.htm ↩
  11. [11]Microsoft Corporation, “Form 10-K for the fiscal year ended June 30, 2023,” U.S. Securities and Exchange Commission, 27 jul. 2023. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/789019/000095017023035122/msft-20230630.htm ↩
  12. [12]Oracle Corporation, “Form 10-K for the fiscal year ended May 31, 2025,” U.S. Securities and Exchange Commission, 18 jun. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1341439/000095017025087926/orcl-20250531.htm ↩
  13. [13]Microsoft Corporation, “Microsoft Fiscal Year 2026 Fourth Quarter Earnings Conference Call,” Microsoft Investor Relations, 29 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.microsoft.com/en-us/investor/events/fy-2026/earnings-fy-2026-q4 ↩
  14. [14]Alphabet Inc., “2026 Q2 Earnings Call (transcrição),” Alphabet Investor Relations, 22 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://abc.xyz/investor/events/event-details/2026/2026-Q2-Earnings-Call-2026-GgTAq7Is0z/default.aspx ↩
  15. [15]A. Palmer, “Amazon hikes 2026 capex to $220 billion due to higher memory costs,” CNBC, 30 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/07/30/amazon-amzn-q2-earnings-report-2026.html ↩
  16. [16]Meta Platforms, Inc., “Meta Reports Second Quarter 2026 Results,” Form 8-K, Exhibit 99.1 (SEC EDGAR), 29 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1326801/000162828026050596/meta-06302026xexhibit991.htm ↩
  17. [17]H. Son, “Moody's says 'unprecedented' AI spending threatens credit quality of Amazon, Meta, Alphabet and others,” CNBC, 24 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/07/24/moodys-ai-spending-credit-quality-amazon-meta-alphabet.html ↩
  18. [18]Oracle Corporation, “Form 10-Q for the quarterly period ended August 31, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission, 11 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1341439/000119312526389274/orcl-20260831.htm ↩
  19. [19]Alphabet Inc., “2025 Q4 Earnings Call (transcrição),” Alphabet Investor Relations, 4 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://abc.xyz/investor/events/event-details/2026/2025-Q4-Earnings-Call-2026-Dr_C033hS6/default.aspx ↩
  20. [20]Microsoft Corporation, “Microsoft Fiscal Year 2026 Third Quarter Earnings Conference Call,” Microsoft Investor Relations, 29 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.microsoft.com/en-us/investor/events/fy-2026/earnings-fy-2026-q3 ↩
  21. [21]Meta Platforms, Inc., “Meta Reports First Quarter 2026 Results,” Form 8-K, Exhibit 99.1 (SEC EDGAR), 29 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1326801/000162828026028364/meta-03312026xexhibit991.htm ↩
  22. [22]International Energy Agency, “Key Questions on Energy and AI,” resumo executivo, 16 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.iea.org/reports/key-questions-on-energy-and-ai/executive-summary ↩
  23. [23]U.S. Bureau of Economic Analysis, “National Income and Product Accounts: arquivos de dados anuais e trimestrais (NipaDataA.txt e NipaDataQ.txt),” versão de 30 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://apps.bea.gov/national/Release/TXT/NipaDataA.txt ↩
  24. [24]A. Odlyzko, “Collective hallucinations and inefficient markets: The British Railway Mania of the 1840s,” University of Minnesota, versão preliminar, 15 jan. 2010. [Online]. Disponível em: https://www-users.cse.umn.edu/~odlyzko/doc/hallucinations.pdf ↩
  25. [25]Amazon.com, Inc., “Amazon.com Announces Second Quarter Results,” Form 8-K, Exhibit 99.1 (SEC EDGAR), 30 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1018724/000101872426000024/amzn-20260630xex991.htm ↩
  26. [26]C. P. Kindleberger e R. Z. Aliber, “Financial Crisis: A Hardy Perennial,” cap. 1 de Manias, Panics, and Crashes: A History of Financial Crises, 5. ed. Hoboken: John Wiley & Sons, 2005 (excerto do editor). [Online]. Disponível em: https://media.wiley.com/product_data/excerpt/46/04714671/0471467146.pdf ↩
  27. [27]C. P. Kindleberger e R. Z. Aliber, “Anatomy of a Typical Crisis,” cap. 2 de Manias, Panics and Crashes: A History of Financial Crises, 5. ed. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2005 (prévia do editor). [Online]. Disponível em: https://page-one.springer.com/pdf/preview/10.1057/9780230628045_2 ↩
  28. [28]H. P. Minsky, “The Financial Instability Hypothesis,” Working Paper No. 74, The Jerome Levy Economics Institute of Bard College, maio 1992. [Online]. Disponível em: https://www.levyinstitute.org/pubs/wp74.pdf ↩
  29. [29]C. Perez, “Great Surges of development and alternative forms of globalization,” Working Papers in Technology Governance and Economic Dynamics No. 15, The Other Canon Foundation e Tallinn University of Technology, jul. 2007. [Online]. Disponível em: https://hum.ttu.ee/wp/paper15.pdf ↩
  30. [30]C. Perez, “The double bubble at the turn of the Century: Technological roots and structural implications,” CFAP/CERF Working Paper No. 31, University of Cambridge, 10 maio 2009; publicado no Cambridge Journal of Economics, v. 33, n. 4, pp. 779–805, 2009. [Online]. Disponível em: https://cp.informaticaprojects.com/wp-content/downloads/publications/theoretical-framework/C.PEREZ_CJE_DoubleBubble_WP%20CERF%20No%2031.pdf ↩
  31. [31]International Monetary Fund, “Chapter 1,” em Global Financial Stability Report: Global Financial Markets Confront the War in the Middle East and Amplification Risks, 14 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.imf.org/-/media/files/publications/gfsr/2026/april/english/ch1.pdf ↩
  32. [32]R. J. Shiller, “Speculative Asset Prices,” Prize Lecture, 8 dez. 2013. [Online]. Disponível em: https://www.nobelprize.org/uploads/2018/06/shiller-lecture.pdf ↩
  33. [33]R. J. Shiller, “U.S. Stock Markets 1871-Present and CAPE Ratio,” planilha ie_data.xls, atualizada em 5 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://shillerdata.com/ ↩
  34. [34]A. Greenspan, “The Challenge of Central Banking in a Democratic Society,” discurso no American Enterprise Institute, Board of Governors of the Federal Reserve System, 5 dez. 1996. [Online]. Disponível em: https://www.federalreserve.gov/boarddocs/speeches/1996/19961205.htm ↩
  35. [35]A. Odlyzko, “This time is different: An example of a giant, wildly speculative, and successful investment mania,” The B.E. Journal of Economic Analysis & Policy, v. 10, n. 1, art. 60, 2010. [Online]. Disponível em: https://www-users.cse.umn.edu/~odlyzko/doc/mania01.pdf ↩
  36. [36]A. Odlyzko, “The Railway Mania: Fraud, disappointed expectations, and the modern economy,” Journal of the Railway & Canal Historical Society, n. 215, pp. 2–12, nov. 2012 (versão revisada de 14 ago. 2012). [Online]. Disponível em: https://www-users.cse.umn.edu/~odlyzko/doc/mania06.pdf ↩
  37. [37]C. P. Kindleberger, “Bubbles in History,” em The New Palgrave Dictionary of Economics, 2. ed. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2008 (prévia do editor). [Online]. Disponível em: https://page-one.springer.com/pdf/preview/10.1057/978-1-349-95121-5_3073-1 ↩
  38. [38]G. Richardson e T. Sablik, “Banking Panics of the Gilded Age,” Federal Reserve History, Federal Reserve System, 4 dez. 2015. [Online]. Disponível em: https://www.federalreservehistory.org/essays/banking-panics-of-the-gilded-age ↩
  39. [39]K. Giesecke, F. A. Longstaff, S. Schaefer e I. Strebulaev, “Corporate Bond Default Risk: A 150-Year Perspective,” NBER Working Paper n. 15848, mar. 2010 (© 2010 by Kay Giesecke, Francis A. Longstaff, Stephen Schaefer, and Ilya Strebulaev). [Online]. Disponível em: https://www.nber.org/system/files/working_papers/w15848/w15848.pdf ↩
  40. [40]National Bureau of Economic Research, “US Business Cycle Expansions and Contractions,” dados atualizados em 14 mar. 2023. [Online]. Disponível em: https://www.nber.org/research/data/us-business-cycle-expansions-and-contractions ↩
  41. [41]S. Mixon, “The Crisis of 1873: Perspectives from Multiple Asset Classes,” The Journal of Economic History, v. 68, n. 3, pp. 722–757, set. 2008. [Online]. Disponível em: https://doi.org/10.1017/S0022050708000624 ↩
  42. [42]E. A. Couper, J. P. Hejkal e A. L. Wolman, “Boom and Bust in Telecommunications,” Economic Quarterly, Federal Reserve Bank of Richmond, v. 89, n. 4, outono 2003. [Online]. Disponível em: https://www.richmondfed.org/-/media/richmondfedorg/publications/research/economic_quarterly/2003/fall/pdf/wolman.pdf ↩
  43. [43]A. M. Odlyzko, “Internet traffic growth: Sources and implications,” em Optical Transmission Systems and Equipment for WDM Networking II, Proc. SPIE, v. 5247, pp. 1–15, 2003. [Online]. Disponível em: https://www-users.cse.umn.edu/~odlyzko/doc/itcom.internet.growth.pdf ↩
  44. [44]J. M. Kraushaar, “Fiber Deployment Update — End of Year 1998,” Industry Analysis Division, Common Carrier Bureau, Federal Communications Commission, 9 set. 1999, cópia do Internet Archive. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20000817010609/http://www.fcc.gov:80/Bureaus/Common_Carrier/Reports/FCC-State_Link/Fiber/fiber98.pdf ↩
  45. [45]M. Doms, “The Boom and Bust in Information Technology Investment,” FRBSF Economic Review, Federal Reserve Bank of San Francisco, pp. 19–34, 2004. [Online]. Disponível em: https://www.frbsf.org/wp-content/uploads/sites/4/er19-34bk.pdf ↩
  46. [46]NASDAQ OMX Group, “NASDAQ Composite Index [NASDAQCOM],” FRED, Federal Reserve Bank of St. Louis, série diária consultada em out. 2026. [Online]. Disponível em: https://fred.stlouisfed.org/series/NASDAQCOM ↩
  47. [47]Bank for International Settlements, 72nd Annual Report, 1 April 2001–31 March 2002, Basileia, 8 jul. 2002. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/publications/aer-2002.pdf ↩
  48. [48]Lucent Technologies Inc., “Form 10-K405 for the fiscal year ended September 30, 2001,” U.S. Securities and Exchange Commission, 28 dez. 2001. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1006240/000095011701501896/a31752.txt ↩
  49. [49]Nortel Networks Corporation, “Form 10-K for the fiscal year ended December 31, 2001,” U.S. Securities and Exchange Commission, 11 mar. 2002. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/72911/000113031902000168/t06646e10-k.htm ↩
  50. [50]Cisco Systems, Inc., “Form 10-K for the fiscal year ended July 28, 2001,” U.S. Securities and Exchange Commission, 24 set. 2001. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/858877/000109581101505065/f75710e10-k.txt ↩
  51. [51]J. Frost, R. Kansal, K. Rishabh, V. Shreeti e L. S. Y. Zhang, “Circular relationships among AI firms,” BIS Bulletin, n. 137, Bank for International Settlements, 1 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/publications/bulletin-137-circular-relationships-among-ai-firms.pdf ↩
  52. [52]U.S. Securities and Exchange Commission, “SEC Charges Qwest Communications International Inc. with Multi-Faceted Accounting and Financial Reporting Fraud,” Litigation Release n. 18936, 21 out. 2004. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/litigation/litreleases/lr18936.htm ↩
  53. [53]U.S. Securities and Exchange Commission, “In the Matter of Global Crossing Ltd., Thomas J. Casey, Dan J. Cohrs, and Joseph P. Perrone,” Exchange Act Release n. 51517, 11 abr. 2005. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/files/litigation/admin/34-51517.pdf ↩
  54. [54]U.S. Securities and Exchange Commission, “SEC Charges WorldCom with $3.8 Billion Fraud,” Litigation Release n. 17588, 27 jun. 2002. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/litigation/litreleases/lr17588.htm ↩
  55. [55]WorldCom, Inc., “Form 10-K for the fiscal year ended December 31, 2002,” U.S. Securities and Exchange Commission, 12 mar. 2004. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/723527/000119312504039709/d10k.htm ↩
  56. [56]W. C. Powers Jr., R. S. Troubh e H. S. Winokur Jr., “Report of Investigation by the Special Investigative Committee of the Board of Directors of Enron Corp.,” 1 fev. 2002, anexo 99.2 ao Form 8-K da Enron Corp. de 7 fev. 2002. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1024401/000090951802000089/big.txt ↩
  57. [57]U.S. Securities and Exchange Commission, Office of the Chief Accountant, Office of Economic Analysis e Division of Corporation Finance, “Report and Recommendations Pursuant to Section 401(c) of the Sarbanes-Oxley Act of 2002 On Arrangements with Off-Balance Sheet Implications, Special Purpose Entities, and Transparency of Filings by Issuers,” jun. 2005. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/news/studies/soxoffbalancerpt.pdf ↩
  58. [58]Financial Accounting Standards Board, “Summary of Interpretation No. 46: Consolidation of Variable Interest Entities—an interpretation of ARB No. 51,” jan. 2003, cópia do Internet Archive. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20040611063520/http://www.fasb.org:80/st/summary/finsum46.shtml ↩
  59. [59]Financial Accounting Standards Board, “Summary of Interpretation No. 46 (revised December 2003),” dez. 2003, cópia do Internet Archive. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20040611052814/http://www.fasb.org:80/st/summary/finsum46r.shtml ↩
  60. [60]Financial Crisis Inquiry Commission, The Financial Crisis Inquiry Report: Final Report of the National Commission on the Causes of the Financial and Economic Crisis in the United States. Washington: U.S. Government Publishing Office, jan. 2011. [Online]. Disponível em: https://www.govinfo.gov/content/pkg/GPO-FCIC/pdf/GPO-FCIC.pdf ↩
  61. [61]Board of Governors of the Federal Reserve System, “Asset-Backed Commercial Paper Outstanding [ABCOMP],” FRED, Federal Reserve Bank of St. Louis, série semanal consultada em 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://fred.stlouisfed.org/series/ABCOMP ↩
  62. [62]D. M. Covitz, N. Liang e G. A. Suarez, “The Evolution of a Financial Crisis: Panic in the Asset-Backed Commercial Paper Market,” Finance and Economics Discussion Series 2009-36, Federal Reserve Board, 18 ago. 2009. [Online]. Disponível em: https://www.federalreserve.gov/pubs/feds/2009/200936/200936pap.pdf ↩
  63. [63]Citigroup Inc., “Citi Commits Support Facility for Citi-Advised SIVs,” comunicado de imprensa (anexo 99.1 ao Form 8-K), 13 dez. 2007. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/831001/000114420407067635/v097312_ex99-1.htm ↩
  64. [64]A. R. Valukas, “Report of Anton R. Valukas, Examiner,” v. 1, In re Lehman Brothers Holdings Inc., Chapter 11 Case No. 08-13555, U.S. Bankruptcy Court, S.D.N.Y., 11 mar. 2010, cópia do Internet Archive. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20100331000019/http://lehmanreport.jenner.com:80/VOLUME%201.pdf ↩
  65. [65]Basel Committee on Banking Supervision, “CRE50 – Counterparty credit risk definitions and terminology,” Basel Framework, versão publicada em 5 jul. 2024. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/basel_framework/chapter/CRE/50.htm ↩
  66. [66]Basel Committee on Banking Supervision, “Strengthening the resilience of the banking sector,” documento consultivo, dez. 2009. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/publ/bcbs164.pdf ↩
  67. [67]Financial Accounting Standards Board, “Accounting Standards Update No. 2009-17, Consolidations (Topic 810): Improvements to Financial Reporting by Enterprises Involved with Variable Interest Entities,” dez. 2009. [Online]. Disponível em: https://storage.fasb.org/ASU2009-17.pdf ↩
  68. [68]Board of Governors of the Federal Reserve System, “H.8 Assets and Liabilities of Commercial Banks in the United States,” 9 abr. 2010. [Online]. Disponível em: https://www.federalreserve.gov/releases/h8/20100409/ ↩
  69. [69]International Monetary Fund, “Chapter 2: The Rise and Risks of Private Credit,” em Global Financial Stability Report: The Last Mile: Financial Vulnerabilities and Risks, 16 abr. 2024. [Online]. Disponível em: https://www.imf.org/-/media/Files/Publications/GFSR/2024/April/English/ch2.ashx ↩
  70. [70]Board of Governors of the Federal Reserve System, Financial Stability Report, maio 2026. [Online]. Disponível em: https://www.federalreserve.gov/publications/files/financial-stability-report-20260508.pdf ↩
  71. [71]P. Abbassi, I. Aldasoro e S. Doerr, “Financing the digital economy: the role of private credit,” BIS Quarterly Review, Bank for International Settlements, 14 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/publications/financing-digital-economy-role-private-credit.pdf ↩
  72. [72]Financial Stability Board, “Report on Vulnerabilities in Private Credit,” 6 maio 2026. [Online]. Disponível em: https://www.fsb.org/uploads/P060526.pdf ↩
  73. [73]NVIDIA, “OpenAI and NVIDIA Announce Strategic Partnership to Deploy 10 Gigawatts of NVIDIA Systems,” NVIDIA Newsroom, 22 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://nvidianews.nvidia.com/news/openai-and-nvidia-announce-strategic-partnership-to-deploy-10gw-of-nvidia-systems ↩
  74. [74]NVIDIA Corporation, “Form 10-Q — quarterly report for the period ended October 26, 2025,” U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR), 19 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1045810/000104581025000230/nvda-20251026.htm ↩
  75. [75]OpenAI, “Scaling AI for everyone,” OpenAI, 27 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://openai.com/index/scaling-ai-for-everyone/ ↩
  76. [76]A. Capoot, “Nvidia CEO Huang says $30 billion OpenAI investment 'might be the last',” CNBC, 4 mar. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/03/04/nvidia-huang-openai-investment.html ↩
  77. [77]NVIDIA Corporation, “Form 10-Q for the quarterly period ended July 26, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission, 26 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1045810/000104581026000075/nvda-20260726.htm ↩
  78. [78]NVIDIA Corporation, “Form 10-K — annual report for the fiscal year ended January 25, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR), 25 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1045810/000104581026000021/nvda-20260125.htm ↩
  79. [79]Advanced Micro Devices, Inc., “Form 8-K” e anexo 99.1, “AMD and OpenAI Announce Strategic Partnership to Deploy 6 Gigawatts of AMD GPUs,” U.S. Securities and Exchange Commission, 6 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/2488/000119312525230895/d28189d8k.htm ↩
  80. [80]Advanced Micro Devices, Inc., “Form 10-Q for the quarterly period ended September 27, 2025,” U.S. Securities and Exchange Commission, 5 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/2488/000000248825000166/amd-20250927.htm ↩
  81. [81]Advanced Micro Devices, Inc., “Form 8-K” (warrant emitido à Meta Platforms), U.S. Securities and Exchange Commission, 24 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/2488/000000248826000045/amd-20260223.htm ↩
  82. [82]Advanced Micro Devices, Inc., “Form 10-Q for the quarterly period ended June 27, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission, 5 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/2488/000000248826000123/amd-20260627.htm ↩
  83. [83]Microsoft, “The next chapter of the Microsoft–OpenAI partnership,” Official Microsoft Blog, 28 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://blogs.microsoft.com/blog/2025/10/28/the-next-chapter-of-the-microsoft-openai-partnership/ ↩
  84. [84]Microsoft, “Microsoft Fiscal Year 2026 Second Quarter Earnings Conference Call,” Microsoft Investor Relations, 28 jan. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.microsoft.com/en-us/investor/events/fy-2026/earnings-fy-2026-q2 ↩
  85. [85]OpenAI, “OpenAI and Amazon announce strategic partnership,” OpenAI, 27 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://openai.com/index/amazon-partnership/ ↩
  86. [86]Anthropic, “Anthropic and Amazon expand collaboration for up to 5 gigawatts of new compute,” Anthropic, 20 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.anthropic.com/news/anthropic-amazon-compute ↩
  87. [87]Anthropic, “Anthropic raises $65B in Series H funding at $965B post-money valuation,” Anthropic, 28 maio 2026. [Online]. Disponível em: https://www.anthropic.com/news/series-h ↩
  88. [88]Anthropic, “Microsoft, NVIDIA, and Anthropic announce strategic partnerships,” Anthropic, 18 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.anthropic.com/news/microsoft-nvidia-anthropic-announce-strategic-partnerships ↩
  89. [89]Anthropic, “Expanding our use of Google Cloud TPUs and Services,” Anthropic, 23 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.anthropic.com/news/expanding-our-use-of-google-cloud-tpus-and-services ↩
  90. [90]CoreWeave, Inc., “CoreWeave Announces Agreement with OpenAI to Deliver AI Infrastructure,” CoreWeave Investor Relations, 10 mar. 2025. [Online]. Disponível em: https://investors.coreweave.com/news/news-details/2025/CoreWeave-Announces-Agreement-with-OpenAI-to-Deliver-AI-Infrastructure/default.aspx ↩
  91. [91]CoreWeave, Inc., “CoreWeave Expands Agreement with OpenAI by up to $6.5B,” CoreWeave Investor Relations, 25 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://investors.coreweave.com/news/news-details/2025/CoreWeave-Expands-Agreement-with-OpenAI-by-up-to-6-5B/default.aspx ↩
  92. [92]CoreWeave, Inc., “Current Report (Form 8-K) — Order Form with NVIDIA Corporation,” U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR), 15 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1769628/000176962825000047/crwv-20250909.htm ↩
  93. [93]CoreWeave, Inc., “Quarterly Report (Form 10-Q) for the quarterly period ended June 30, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR), 12 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1769628/000176962826000366/crwv-20260630.htm ↩
  94. [94]OpenAI, “OpenAI and SoftBank Group partner with SB Energy,” OpenAI, 9 jan. 2026. [Online]. Disponível em: https://openai.com/index/stargate-sb-energy-partnership/ ↩
  95. [95]J. Bort, “Sam Altman says OpenAI has $20B ARR and about $1.4 trillion in data center commitments,” TechCrunch, 6 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://techcrunch.com/2025/11/06/sam-altman-says-openai-has-20b-arr-and-about-1-4-trillion-in-data-center-commitments/ ↩
  96. [96]A. Capoot e K. Rooney, “Nvidia, Oracle, CoreWeave and other AI stocks sink on OpenAI revenue report,” CNBC, 8 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/10/08/open-ai-revenue-nvidia-oracle-coreweave.html ↩
  97. [97]International Monetary Fund, “Global Financial Stability Report, October 2026: Resilience, Risk, and Transformation,” IMF, 12 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://doi.org/10.5089/9798229055673.082 ↩
  98. [98]A. Bao, “IMF warns bond yields could see a 'disorderly' spike as debt, inflation risks worsen,” CNBC, 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/10/13/treasury-yields-imf-debt-inflation-.html ↩
  99. [99]OpenAI e Broadcom, “OpenAI and Broadcom announce strategic collaboration to deploy 10 gigawatts of OpenAI-designed AI accelerators,” OpenAI, 13 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://openai.com/index/openai-and-broadcom-announce-strategic-collaboration/ ↩
  100. [100]Meta Platforms, “Meta Announces Joint Venture With Funds Managed by Blue Owl Capital to Develop Hyperion Data Center,” Meta Newsroom, 21 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://about.fb.com/news/2025/10/meta-blue-owl-capital-develop-hyperion-data-center/ ↩
  101. [101]C. Arroyo e L. Benitez, “Meta, Blue Owl Seal $30 Billion Private Capital Deal for AI,” Bloomberg, 16 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.bloomberg.com/news/articles/2025-10-16/blue-owl-seals-largest-private-capital-deal-for-meta-s-ai-growth ↩
  102. [102]Blue Owl Real Estate Net Lease Trust, “Form 10-Q: quarterly report for the period ended September 30, 2025,” U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR), 7 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1944366/000194436625000126/osnl-20250930.htm ↩
  103. [103]Meta Platforms, Inc., “Form 10-Q: quarterly report for the period ended March 31, 2026,” U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR), 30 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1326801/000162828026028526/meta-20260331.htm ↩
  104. [104]Deloitte, “Roadmap: Consolidation — 7.1 Introduction (Determining the Primary Beneficiary),” DART – Deloitte Accounting Research Tool, set. 2026. [Online]. Disponível em: https://dart.deloitte.com/USDART/home/codification/broad-transactions/asc810-10/roadmap-consolidation/chapter-7-determining-primary-beneficiary/7-1-introduction ↩
  105. [105]J. Weil, “AI Meets Aggressive Accounting at Meta’s Gigantic New Data Center,” The Wall Street Journal, 24 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.wsj.com/tech/meta-ai-data-center-finances-d3a6b464 ↩
  106. [106]Deloitte, “Roadmap: Leases — 6.7 Amounts That It Is Probable That the Lessee Will Owe Under a Residual Value Guarantee,” DART – Deloitte Accounting Research Tool, ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://dart.deloitte.com/USDART/home/codification/broad-transactions/asc842-10/roadmap-leasing/chapter-6-lease-payments/6-7-amounts-that-it-is ↩
  107. [107]Deloitte, “Roadmap: Leases — 8.4 Recognition and Measurement,” DART – Deloitte Accounting Research Tool, ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://dart.deloitte.com/USDART/home/codification/broad-transactions/asc842-10/roadmap-leasing/chapter-8-lessee-accounting/8-4-recognition-measurement ↩
  108. [108]U.S. Securities and Exchange Commission, “Form N-PORT Data Sets: 2026q2_nport.zip,” SEC Division of Economic and Risk Analysis, 8 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/files/dera/data/form-n-port-data-sets/2026q2_nport.zip ↩
  109. [109]U.S. Securities and Exchange Commission, “Form N-PORT Data Sets: 2026q1_nport.zip,” SEC Division of Economic and Risk Analysis, 3 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/files/dera/data/form-n-port-data-sets/2026q1_nport.zip ↩
  110. [110]C. Arroyo e E. Ludlow, “xAI to Raise $20 Billion After Nvidia and Others Boost Round,” Bloomberg, 7 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.bloomberg.com/news/articles/2025-10-07/musk-s-xai-nears-20-billion-capital-raise-tied-to-nvidia-chips ↩
  111. [111]C. Arroyo, “How AI Companies Are Keeping Debt Off Their Balance Sheets,” Bloomberg, 31 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.bloomberg.com/news/articles/2025-10-31/meta-xai-starting-trend-for-billions-in-off-balance-sheet-debt ↩
  112. [112]Apollo Global Management, “Apollo Backs $5.4 Billion Valor and xAI Data Center Compute Infrastructure Transaction with $3.5 Billion Capital Solution,” Apollo (GlobeNewswire), 7 jan. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.apollo.com/insights-news/pressreleases/2026/01/apollo-backs-5-4-billion-valor-and-xai-data-center-compute-infrastructure-transaction-with-3-5-billion-capital-solution-3214463 ↩
  113. [113]NVIDIA Corporation, “Form 8-K (itens 1.01, 2.03 e 7.01),” U.S. Securities and Exchange Commission, 17 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1045810/000104581026000069/nvda-20260817.htm ↩
  114. [114]A. Capoot e K. Rooney, “Nvidia and OpenAI in talks for up to $250 billion backstop to fund AI infrastructure plans,” CNBC, 27 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/07/27/nvidia-and-openai-in-talks-for-up-to-250-billion-dollar-ai-backstop.html ↩
  115. [115]NVIDIA, “NVIDIA Guarantees SB Energy’s PORTS-Pike Technology Campus in Ohio to Exclusively Host NVIDIA AI Compute,” NVIDIA Newsroom, 17 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://nvidianews.nvidia.com/news/nvidia-guarantees-sb-energy-s-ports-pike-technology-campus-in-ohio-to-exclusively-host-nvidia-ai-compute ↩
  116. [116]TeraWulf Inc., “TeraWulf Announces Fluidstack Expansion with 160 MW CB-5 Lease at Lake Mariner,” Form 8-K, Exhibit 99.1 (SEC EDGAR), 18 ago. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1083301/000110465925079463/tm2523651d3_ex99-1.htm ↩
  117. [117]Cipher Mining Inc., “Cipher Mining Signs 168 MW, 10-Year AI Hosting Agreement with Fluidstack,” Form 8-K, Exhibit 99.1 (SEC EDGAR), 25 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1819989/000095010325012168/dp234624_ex9901.htm ↩
  118. [118]Hut 8 Corp., “Hut 8 Signs 15-Year, 245 MW AI Data Center Lease at River Bend Campus with Total Contract Value of $7.0 Billion,” Form 8-K, Exhibit 99.1 (SEC EDGAR), 17 dez. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1964789/000110465925122052/hut-20251217xex99d1.htm ↩
  119. [119]NVIDIA, “NVIDIA Partners With Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs and KKR to Establish AI Compute Infrastructure Financing Platforms to Mobilize Over $500 Billion of Third-Party Capital,” NVIDIA Newsroom, 10 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://nvidianews.nvidia.com/news/nvidia-partners-with-apollo-blackrock-blackstone-brookfield-goldman-sachs-and-kkr-to-establish-ai-compute-infrastructure-financing-platforms-to-mobilize-over-500-billion-of-third-party-capital ↩
  120. [120]K. Leswing, “Wall Street just endorsed Jensen Huang's ‘big concept’ for AI. What now?,” CNBC, 11 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/08/11/wall-street-endorsed-jensen-huangs-big-concept-for-ai-what-now.html ↩
  121. [121]Bank for International Settlements, “Markets recalibrate amid shifting currents,” BIS Quarterly Review, 16 mar. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/publ/qtrpdf/r_qt2603a.htm ↩
  122. [122]Bank for International Settlements, “I. Progress and peril,” BIS Annual Economic Report 2026, 28 jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/publications/aer-2026/progress-peril ↩
  123. [123]D. Gautam, J. Kramer, H. Kraus e A. Yokoyama, “Background Analysis 1.1. Rising Leverage in the AI Ecosystem,” Global Financial Stability Report, October 2026 (IMF), 12 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.elibrary.imf.org/display/book/9798229055673/9798229055673.xml ↩
  124. [124]CoreWeave, Inc., “Form S-1 Registration Statement,” U.S. Securities and Exchange Commission, 3 mar. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1769628/000119312525044231/d899798ds1.htm ↩
  125. [125]Amazon.com, Inc., “Form 10-K for the fiscal year ended December 31, 2024,” U.S. Securities and Exchange Commission, 7 fev. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1018724/000101872425000004/amzn-20241231.htm ↩
  126. [126]B. Caulfield, “‘Accelerate Everything,’ NVIDIA CEO Says Ahead of COMPUTEX,” NVIDIA Blog, 2 jun. 2024. [Online]. Disponível em: https://blogs.nvidia.com/blog/computex-2024-jensen-huang/ ↩
  127. [127]NVIDIA, “NVIDIA Blackwell Platform Arrives to Power a New Era of Computing,” comunicado de imprensa, 18 mar. 2024. [Online]. Disponível em: https://nvidianews.nvidia.com/news/nvidia-blackwell-platform-arrives-to-power-a-new-era-of-computing ↩
  128. [128]NVIDIA, “NVIDIA GB200 NVL72,” página do produto, versão de 27 ago. 2026, consultada em 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.nvidia.com/en-us/data-center/gb200-nvl72/ ↩
  129. [129]NVIDIA, “NVIDIA Vera Rubin POD: Seven Chips, Five Rack-Scale Systems, One AI Supercomputer,” NVIDIA Technical Blog, 16 mar. 2026. [Online]. Disponível em: https://developer.nvidia.com/blog/nvidia-vera-rubin-pod-seven-chips-five-rack-scale-systems-one-ai-supercomputer/ ↩
  130. [130]S. Koparkar, “Up to 30x More Work Per Watt: NVIDIA Vera Rubin NVL72 Sets a New Efficiency Standard for AI Agents,” NVIDIA Blog, 24 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://blogs.nvidia.com/blog/vera-rubin-nvl72-efficiency-ai-agents/ ↩
  131. [131]NVIDIA, “NVIDIA H100 GPU,” página do produto, versão de 1 jul. 2026, consultada em 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.nvidia.com/en-us/data-center/h100/ ↩
  132. [132]NVIDIA, “NVIDIA DGX B200,” página do produto, versão de 29 abr. 2026, consultada em 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.nvidia.com/en-us/data-center/dgx-b200/ ↩
  133. [133]Llama Team, AI @ Meta, “The Llama 3 Herd of Models,” arXiv:2407.21783, 23 jul. 2024. [Online]. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2407.21783 ↩
  134. [134]M. Blake, M. Hsu, H. Petty e J. Huntington, “NVIDIA 800 VDC Architecture Will Power the Next Generation of AI Factories,” NVIDIA Technical Blog, 20 maio 2025. [Online]. Disponível em: https://developer.nvidia.com/blog/nvidia-800-v-hvdc-architecture-will-power-the-next-generation-of-ai-factories/ ↩
  135. [135]Alphabet Inc., “Form 10-K for the fiscal year ended December 31, 2023,” U.S. Securities and Exchange Commission, 31 jan. 2024. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1652044/000165204424000022/goog-20231231.htm ↩
  136. [136]Microsoft Corporation, “Form 10-K for the fiscal year ended June 30, 2022,” U.S. Securities and Exchange Commission, 28 jul. 2022. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/789019/000156459022026876/msft-10k_20220630.htm ↩
  137. [137]Meta Platforms, Inc., “Form 10-K for the fiscal year ended December 31, 2022,” U.S. Securities and Exchange Commission, 2 fev. 2023. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1326801/000132680123000013/meta-20221231.htm ↩
  138. [138]M. Burry (@michaeljburry), “Understating depreciation by extending useful life of assets artificially boosts earnings…,” X, 10 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://x.com/michaeljburry/status/1987918650104283372 ↩
  139. [139]J. Sor, “Michael Burry's latest argument against hyperscalers like Meta and Oracle echoes one made by an investor who shorted Enron,” Business Insider, 11 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.businessinsider.com/michael-burry-ai-stocks-nvidia-meta-oracle-hyperscalers-jim-chanos-2025-11 ↩
  140. [140]Y. Li, “Nvidia name-checks Michael Burry in secret memo pushing back on AI bubble allegations,” CNBC, 25 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2025/11/25/nvidia-pushes-back-on-charges-that-ai-investment-is-a-bubble.html ↩
  141. [141]C. Yun, “Announcing up to 45% price reduction for Amazon EC2 NVIDIA GPU-accelerated instances,” AWS News Blog, 5 jun. 2025. [Online]. Disponível em: https://aws.amazon.com/blogs/aws/announcing-up-to-45-price-reduction-for-amazon-ec2-nvidia-gpu-accelerated-instances/ ↩
  142. [142]Amazon Web Services, “EC2 On-Demand price map — US East (N. Virginia), Linux (published 2023-08-23),” AWS Pricing (captura Wayback), 25 ago. 2023. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20230825130912/https://b0.p.awsstatic.com/pricing/2.0/meteredUnitMaps/ec2/USD/current/ec2-ondemand-without-sec-sel/US%20East%20%28N.%20Virginia%29/Linux/index.json ↩
  143. [143]Amazon Web Services, “EC2 On-Demand price map — US East (N. Virginia), Linux (published 2026-10-12),” AWS Pricing, 12 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://b0.p.awsstatic.com/pricing/2.0/meteredUnitMaps/ec2/USD/current/ec2-ondemand-without-sec-sel/US%20East%20%28N.%20Virginia%29/Linux/index.json ↩
  144. [144]Amazon Web Services, “Amazon EC2 Capacity Blocks for ML Pricing,” AWS (captura Wayback), 9 jun. 2025. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20250609034829/https://aws.amazon.com/ec2/capacityblocks/pricing/ ↩
  145. [145]Amazon Web Services, “Amazon EC2 Capacity Blocks for ML Pricing,” AWS, 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://aws.amazon.com/ec2/capacityblocks/pricing/ ↩
  146. [146]Lambda, “GPU cloud pricing,” Lambda (captura Wayback), 5 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20251105190524/https://lambda.ai/pricing ↩
  147. [147]Lambda, “GPU cloud pricing: rent NVIDIA H100, H200, and B200,” Lambda (captura Wayback), 1 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20261001114850/https://lambda.ai/pricing ↩
  148. [148]K. Leswing, “The question everyone in AI is asking: How long before a GPU depreciates?,” CNBC, 14 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2025/11/14/ai-gpu-depreciation-coreweave-nvidia-michael-burry.html ↩
  149. [149]E. Lopatto, “Nvidia’s new financial strategy does not compute,” The Verge, 19 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.theverge.com/ai-artificial-intelligence/981668/nvidias-goldman-blackrock-gpu-compute-asset ↩
  150. [150]CME Group, “CME Group and Silicon Data to Launch Compute Futures on October 5 to Unlock New Way to Hedge AI Risks,” CME Group Press Release, 11 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cmegroup.com/media-room/press-releases/2026/8/11/cme_group_and_silicondatatolaunchcomputefuturesonoctober5tounloc.html ↩
  151. [151]S. Koparkar, “Productive, Durable, Fungible: How NVIDIA AI Factories Maximize Return on Investment,” NVIDIA Blog, 1 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://blogs.nvidia.com/blog/productive-durable-fungible-ai-factories/ ↩
  152. [152]International Energy Agency, “Energy and AI,” resumo executivo, 10 abr. 2025 (licença CC BY 4.0). [Online]. Disponível em: https://www.iea.org/reports/energy-and-ai/executive-summary ↩
  153. [153]A. Shehabi, S. J. Smith, A. Hubbard, A. Newkirk, N. Lei, M. A. B. Siddik, B. Holecek, J. Koomey, E. Masanet e D. Sartor, “2024 United States Data Center Energy Usage Report,” Lawrence Berkeley National Laboratory, LBNL-2001637, dez. 2024. [Online]. Disponível em: https://eta-publications.lbl.gov/sites/default/files/2024-12/lbnl-2024-united-states-data-center-energy-usage-report.pdf ↩
  154. [154]J. Rand, A. Cheyette, C. Talley, S. Zhang, W. Gorman, R. H. Wiser, J. Seel, S. Jeong e F. Kahrl, “Queued Up: 2026 Edition, Characteristics of Power Plants Seeking Transmission Interconnection As of the End of 2025,” Lawrence Berkeley National Laboratory, jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://emp.lbl.gov/queues ↩
  155. [155]NVIDIA, “NVIDIA Releases Vera Rubin DSX AI Factory Reference Design and Omniverse DSX Digital Twin Blueprint With Broad Industry Support,” comunicado de imprensa, 16 mar. 2026. [Online]. Disponível em: https://nvidianews.nvidia.com/news/nvidia-releases-vera-rubin-dsx-ai-factory-reference-design-and-omniverse-dsx-digital-twin-blueprint-with-broad-industry-support ↩
  156. [156]GE Vernova Inc., “GE Vernova reports fourth quarter and full year 2025 financial results; increasing outlook with Prolec GE acquisition,” anexo 99 ao Form 8-K, U.S. Securities and Exchange Commission, 28 jan. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1996810/000199681026000012/gevpressrelease4q25.htm ↩
  157. [157]GE Vernova Inc., “GE Vernova reports second quarter 2026 financial results and raises 2026 financial guidance,” anexo 99 ao Form 8-K, U.S. Securities and Exchange Commission, 22 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1996810/000199681026000147/gevpressrelease2q26.htm ↩
  158. [158]Constellation Energy, “Constellation to Launch Crane Clean Energy Center, Restoring Jobs and Carbon-Free Power to The Grid,” comunicado de imprensa, 20 set. 2024. [Online]. Disponível em: https://www.constellationenergy.com/news/2024/Constellation-to-Launch-Crane-Clean-Energy-Center-Restoring-Jobs-and-Carbon-Free-Power-to-The-Grid.html ↩
  159. [159]M. Terrell, “New nuclear clean energy agreement with Kairos Power,” The Keyword (Google), 14 out. 2024. [Online]. Disponível em: https://blog.google/company-news/outreach-and-initiatives/sustainability/google-kairos-power-nuclear-energy-agreement/ ↩
  160. [160]Constellation Energy, “Constellation, Meta Sign 20-Year Deal for Clean, Reliable Nuclear Energy in Illinois,” comunicado de imprensa, 3 jun. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.constellationenergy.com/news/2025/constellation-meta-sign-20-year-deal-for-clean-reliable-nuclear-energy-in-illinois.html ↩
  161. [161]Talen Energy, “Talen Energy Expands Nuclear Energy Relationship with Amazon,” comunicado de imprensa, 11 jun. 2025. [Online]. Disponível em: https://ir.talenenergy.com/news-releases/news-release-details/talen-energy-expands-nuclear-energy-relationship-amazon ↩
  162. [162]Constellation Energy, “U.S. Government Backs Constellation's Plan to Launch Crane Clean Energy Center, Adding 835 MWs of New Baseload Power to the Grid,” comunicado de imprensa, 18 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.constellationenergy.com/news/2025/11/us-government-backs-constellations-plan-to-launch-crane-clean-energy-center-adding-835-mws-of-new-baseload-power-to-the-grid.html ↩
  163. [163]American Electric Power, “AEP Ohio, PUCO Staff, Ohio Consumers’ Counsel, Ohio Energy Group and Others Agree on How to Address Growing Data Center Power Needs,” 23 out. 2024. [Online]. Disponível em: https://www.aep.com/news/stories/view/9829/aep-ohio-puco-staff-ohio-consumers-counsel-ohio-energy-group-and-others-agree-on-how-to-address-growing-data-center-power-needs/ ↩
  164. [164]Ohio Power Company, “Data Center Tariff,” página institucional, consultada em 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.aepohio.com/company/about/rates/data-center-tariff ↩
  165. [165]American Electric Power Company, Inc., “Form 10-Q for the quarterly period ended June 30, 2025,” U.S. Securities and Exchange Commission, 30 jul. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/4904/000000490425000141/aep-20250630.htm ↩
  166. [166]Bank of England, “Financial Stability Report – December 2025,” Bank of England, 2 dez. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.bankofengland.co.uk/financial-stability-report/2025/december-2025 ↩
  167. [167]S. Friar, “A business that scales with the value of intelligence,” OpenAI, 18 jan. 2026. [Online]. Disponível em: https://openai.com/index/a-business-that-scales-with-the-value-of-intelligence/ ↩
  168. [168]A. Capoot et al., “OpenAI closes record-breaking $122 billion funding round as anticipation builds for IPO,” CNBC, 31 mar. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/03/31/openai-funding-round-ipo.html ↩
  169. [169]OpenAI, “OpenAI raises $122 billion to accelerate the next phase of AI,” OpenAI, 31 mar. 2026. [Online]. Disponível em: https://openai.com/index/accelerating-the-next-phase-ai/ ↩
  170. [170]S. Muppidi, “OpenAI Says Its Business Will Burn $115 Billion Through 2029,” The Information, 6 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.theinformation.com/articles/openai-says-business-will-burn-115-billion-2029 ↩
  171. [171]S. Muppidi e S. Palazzolo, “OpenAI Boosts Revenue Forecasts, Predicts $111 Billion More Cash Burn Through 2030,” The Information, 20 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.theinformation.com/articles/openai-boost-revenue-forecasts-predicts-112-billion-cash-burn-2030 ↩
  172. [172]A. Gardizy e A. Efrati, “OpenAI CEO and CFO Diverge on IPO Timing,” The Information, 5 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.theinformation.com/articles/openai-ceo-cfo-diverge-ipo-timing ↩
  173. [173]E. Woo, “OpenAI Burned $3.7 Billion in First Three Months of 2026,” The Information, 16 jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.theinformation.com/articles/openai-burned-3-7-billion-first-three-months-2026 ↩
  174. [174]OpenAI, “Confidential submission of draft S-1 to the SEC,” OpenAI, 8 jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://openai.com/index/openai-submits-confidential-s-1/ ↩
  175. [175]SoftBank Group Corp., “Follow-on Investments in OpenAI,” comunicado de imprensa, 27 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://group.softbank/en/news/press/20260227 ↩
  176. [176]SoftBank Group Corp., “Execution of Bridge Facility Agreement Primarily for the Follow-on Investments in OpenAI,” comunicado de imprensa, 27 mar. 2026. [Online]. Disponível em: https://group.softbank/en/news/press/20260327 ↩
  177. [177]SoftBank Group Corp., “Issuance of Foreign Currency-Denominated Senior Notes,” comunicado de imprensa, 24 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://group.softbank/en/news/press/20260924 ↩
  178. [178]CNBC, “Mega-IPOs could signal market top, say analysts as SpaceX and OpenAI prep record floats,” CNBC, 22 maio 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/05/22/ipo-flurry-top-market-analysts-ai-spacex-musk-altman.html ↩
  179. [179]The Information, “How OpenAI’s Web of Business Relationships Could Complicate Its IPO,” The Information, 22 jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.theinformation.com/articles/openais-light-balance-sheet-face-hard-look-ipo ↩
  180. [180]CNBC, “OpenAI CFO Sarah Friar says company isn't seeking government backstop, clarifying prior comment,” CNBC, 6 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2025/11/06/openai-cfo-sarah-friar-says-company-is-not-seeking-government-backstop.html ↩
  181. [181]A. Capoot e M. Sigalos, “Sam Altman says OpenAI will top $20 billion in annualized revenue this year, hundreds of billions by 2030,” CNBC, 6 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2025/11/06/sam-altman-says-openai-will-top-20-billion-annual-revenue-this-year.html ↩
  182. [182]P. Singh et al., “An analyst worries OpenAI will miss its 'extravagant' spending commitments. These stocks would be the most vulnerable,” CNBC, 7 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2025/11/07/these-stocks-are-at-risk-if-openai-misses-its-extravagant-spending-plans.html ↩
  183. [183]S. Subin, “OpenAI's revenue, growth estimates fall short as company races toward IPO: Report,” CNBC, 28 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/04/28/openais-revenue-growth-estimates-fall-short-report.html ↩
  184. [184]Oracle Corporation, “Oracle Announces Fiscal Year 2026 First Quarter Financial Results,” anexo 99.1 ao Form 8-K, U.S. Securities and Exchange Commission, 9 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1341439/000119312525199175/orcl-ex99_1.htm ↩
  185. [185]U.S. Securities and Exchange Commission, “Company facts: Oracle Corporation (CIK 0001341439),” EDGAR XBRL API, 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://data.sec.gov/api/xbrl/companyfacts/CIK0001341439.json ↩
  186. [186]Oracle Corporation, “Oracle Announces Q1 Results Driven by Triple Digit Growth in Cloud Infrastructure Revenues,” anexo 99.1 ao Form 8-K, U.S. Securities and Exchange Commission, 10 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1341439/000119312526387905/orcl-ex99_1.htm ↩
  187. [187]Oracle Corporation, “Oracle Announces Record Q4 and FY 2026 Results Driven by Cloud Infrastructure & Cloud Applications,” anexo 99.1 ao Form 8-K, U.S. Securities and Exchange Commission, 10 jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1341439/000119312526265848/orcl-ex99_1.htm ↩
  188. [188]S. Mody, “Oracle's credit default swaps are plummeting as financing plan boosts investor confidence,” CNBC, 2 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/02/02/oracles-credit-default-swaps-are-plummeting-after-financing-plans.html ↩
  189. [189]J. Novet, “Oracle beats on earnings, but stock drops on plans to raise another $20 billion,” CNBC, 10 jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/06/10/oracle-orcl-q4-earnings-report-2026.html ↩
  190. [190]J. Novet, “Oracle CEO Magouyrk: 'Of course' OpenAI can pay $60 billion per year for cloud infrastructure,” CNBC, 13 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2025/10/13/oracle-ceo-magouyrk-of-course-openai-can-pay-60-billion-per-year.html ↩
  191. [191]Oracle Corporation, “Final Pricing Term Sheet” (Form FWP), U.S. Securities and Exchange Commission, 24 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1341439/000119312525215807/d49252dfwp.htm ↩
  192. [192]Oracle Corporation, “Final Pricing Term Sheet” (Form FWP), U.S. Securities and Exchange Commission, 2 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1341439/000119312526033882/d44245dfwp.htm ↩
  193. [193]Oracle Corporation, comunicado de 1 fev. 2026 sobre o plano de captação de 2026, registrado como Form FWP, U.S. Securities and Exchange Commission, 2 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1341439/000119312526032650/d36096dfwp.htm ↩
  194. [194]J. Novet, “Oracle stock has worst week since 2001 dot-com bust as AI financing concerns escalate,” CNBC, 26 jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/06/26/oracle-stock-ends-worst-week-since-2001-as-investors-dwell-on-finances.html ↩
  195. [195]T. Burns, “What more expensive corporate debt could mean for the AI buildout,” CNBC, 26 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/07/26/what-more-expensive-corporate-debt-could-mean-for-the-ai-buildout.html ↩
  196. [196]Reuters, “Oracle sued by bondholders over losses tied to AI buildout,” publicado pela CNBC, 14 jan. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/01/14/oracle-sued-by-bondholders-over-losses-tied-to-ai-buildout.html ↩
  197. [197]S. Subin, “Oracle sends 'force majeure' notice about data center project — stock drops 3%,” CNBC, 24 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/09/24/oracle-data-center-force-majeure.html ↩
  198. [198]CoreWeave, Inc., “CoreWeave Closes Landmark $8.5 Billion Financing Facility, Achieving First Investment-Grade Rated GPU-backed Financing,” CoreWeave Investor Relations, 31 mar. 2026. [Online]. Disponível em: https://investors.coreweave.com/news/news-details/2026/CoreWeave-Closes-Landmark-8-5-Billion-Financing-Facility-Achieving-First-Investment-Grade-Rated-GPU-backed-Financing/default.aspx ↩
  199. [199]CoreWeave, Inc., “CoreWeave Closes $2.6 Billion Loan Facility, Expanding Financing Flexibility for AI Infrastructure,” CoreWeave Investor Relations, 10 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://investors.coreweave.com/news/news-details/2026/CoreWeave-Closes-2-6-Billion-Loan-Facility-Expanding-Financing-Flexibility-for-AI-Infrastructure/default.aspx ↩
  200. [200]CoreWeave, Inc., “Annual Report (Form 10-K) for the fiscal year ended December 31, 2025,” U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR), 2 mar. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1769628/000176962826000104/crwv-20251231.htm ↩
  201. [201]Nebius Group N.V., “Unaudited Condensed Consolidated Financial Statements for the Three and Six Months Ended June 30, 2026,” Form 6-K, Exhibit 99.2 (SEC EDGAR), 12 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1513845/000110465926094844/nbis-20260812xex99d2.htm ↩
  202. [202]Nebius Group N.V., “Report of Foreign Private Issuer (Form 6-K) — Commercial Agreement with Microsoft,” U.S. Securities and Exchange Commission (EDGAR), 8 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1513845/000110465925088312/tm2525580d1_6k.htm ↩
  203. [203]K. Leswing e I. O'Brien, “Debt-hungry AI companies face increased risk as bond yields spike,” CNBC, 27 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/09/27/debt-hungry-data-center-companies-increased-risk-bond-yields-spike.html ↩
  204. [204]N. Lichtenberg, “Without data centers, GDP growth was 0.1% in the first half of 2025, Harvard economist says,” Fortune, 7 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://fortune.com/2025/10/07/data-centers-gdp-growth-zero-first-half-2025-jason-furman-harvard-economist/ ↩
  205. [205]Federal Reserve Bank of St. Louis, “ALFRED — Real GDP (GDPC1) e Real Private Fixed Investment: Information Processing Equipment and Software (A679RX1Q020SBEA), safra de dados de 25 set. 2025,” ALFRED, 25 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://alfred.stlouisfed.org/series?seid=A679RX1Q020SBEA ↩
  206. [206]U.S. Bureau of Economic Analysis, “NIPA Handbook: Concepts and Methods of the U.S. National Income and Product Accounts — Chapter 4: Estimating Methods,” BEA, dez. 2023. [Online]. Disponível em: https://www.bea.gov/resources/methodologies/nipa-handbook/pdf/chapter-04.pdf ↩
  207. [207]International Monetary Fund, “Global Financial Stability Report, October 2025: Shifting Ground beneath the Calm,” IMF, 14 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.imf.org/en/Publications/GFSR/Issues/2025/10/14/global-financial-stability-report-october-2025 ↩
  208. [208]I. Aldasoro, S. Doerr e D. Rees, “Financing the AI boom: from cash flows to debt,” BIS Bulletin, n. 120, 7 jan. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/publications/bulletin-120-financing-ai-boom-cash-flows-debt ↩
  209. [209]U.S. Census Bureau, “Monthly Construction Spending, August 2026 (Release CB26-158),” U.S. Census Bureau, 1 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.census.gov/construction/c30/pdf/release.pdf ↩
  210. [210]Bank of England – Financial Policy Committee, “Financial Policy Committee Record – October 2025,” Bank of England, 8 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.bankofengland.co.uk/financial-policy-committee-record/2025/october-2025 ↩
  211. [211]Bank for International Settlements, “Volatility challenges risk-taking,” BIS Quarterly Review, 8 dez. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/publ/qtrpdf/r_qt2512a.htm ↩
  212. [212]European Central Bank, “Financial Stability Review, May 2026,” ECB, 27 maio 2026. [Online]. Disponível em: https://www.ecb.europa.eu/press/financial-stability-publications/fsr/html/ecb.fsr202605~50566915a7.en.html ↩
  213. [213]Bank of England – Financial Policy Committee, “Financial Policy Committee Record – September 2026,” Bank of England, 30 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.bankofengland.co.uk/financial-policy-committee-record/2026/september-2026 ↩
  214. [214]Board of Governors of the Federal Reserve System, “Financial Stability Report – November 2025,” Federal Reserve Board, 7 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.federalreserve.gov/publications/files/financial-stability-report-20251107.pdf ↩
  215. [215]European Central Bank, “Financial Stability Review, November 2025,” ECB, 26 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.ecb.europa.eu/press/financial-stability-publications/fsr/html/ecb.fsr202511~263b5810d4.en.html ↩
  216. [216]A. Bailey (Financial Stability Board), “FSB Chair’s letter to G20 Finance Ministers and Central Bank Governors: August 2026,” Financial Stability Board, 28 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.fsb.org/uploads/P310826.pdf ↩
  217. [217]Bank for International Settlements, “Yields climb, yet risk appetite holds firm,” BIS Quarterly Review, 14 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.bis.org/publications/qr-202609/yields-climb-yet-risk-appetite-holds-firm ↩
  218. [218]K. Leswing, “Apple ends day as world's most valuable company, passing Nvidia,” CNBC, 27 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/07/27/apple-most-valuable-company-nvidia.html ↩
  219. [219]Presidência da República, “Medida Provisória nº 1.318, de 17 de setembro de 2025,” Diário Oficial da União, 18 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/mpv/mpv1318.htm ↩
  220. [220]G. Alckmin, F. Haddad e A. Silveira, “EMI nº 00010/2025 MDIC MF MME (Exposição de Motivos da MP 1.318/2025),” Presidência da República, 16 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/Exm/Exm-1318-25.pdf ↩
  221. [221]MDIC, “MP cria o Redata, que estimula datacenters e impulsiona economia digital no Brasil,” Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, 17 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20250929123902/https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/noticias/2025/setembro/mp-cria-o-redata-que-estimula-datacenters-e-impulsiona-economia-digital-no-brasil ↩
  222. [222]Congresso Nacional, “Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 11, de 2026,” Diário Oficial da União, 27 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/congresso/adc-11-mpv1.318.htm ↩
  223. [223]W. Máximo, “Governo vai buscar diálogo para reativar incentivo para data centers,” Agência Brasil, 25 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20260226002349/https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-02/governo-vai-buscar-dialogo-para-reativar-incentivo-para-data-centers ↩
  224. [224]Câmara dos Deputados, “PL 278/2026: ficha de tramitação,” Câmara dos Deputados, 28 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2600838 ↩
  225. [225]Senado Federal, “PL 278/2026 (Redata),” Senado Federal, 28 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/172786 ↩
  226. [226]Presidência da República, “Lei nº 15.504, de 15 de setembro de 2026,” Diário Oficial da União (Edição Extra), 15 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15504.htm ↩
  227. [227]Presidência da República, “Lei Complementar nº 237, de 15 de setembro de 2026,” Diário Oficial da União (Edição Extra), 15 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/lei-complementar-n-237-de-15-de-setembro-de-2026-731891987 ↩
  228. [228]P. Peduzzi, “Sancionado regime especial para incentivar instalação de datacenters,” Agência Brasil, 15 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/sancionado-regime-especial-para-incentivar-instalacao-de-datacenters ↩
  229. [229]Imprensa Nacional, “Busca no DOU: ‘Redata’ (15 set. a 13 out. 2026),” Diário Oficial da União, consultada em 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.in.gov.br/consulta/-/buscar/dou?q=Redata&s=todos&exactDate=personalizado&publishFrom=15-09-2026&publishTo=13-10-2026 ↩
  230. [230]Microsoft News Center Brasil, “Microsoft anuncia investimento de R$ 14,7 bilhões ao longo de três anos em infraestrutura de nuvem e IA e oferece treinamento em IA em larga escala para capacitar 5 milhões de pessoas no Brasil,” Microsoft, 26 set. 2024. [Online]. Disponível em: https://news.microsoft.com/pt-br/microsoft-anuncia-investimento-de-r-147-bilhoes-ao-longo-de-tres-anos-em-infraestrutura-de-nuvem-e-ia-e-oferece-treinamento-em-ia-em-larga-escala-para-capacitar-5-milhoes-de-pessoas-no-brasil/ ↩
  231. [231]About Amazon Brasil, “AWS investirá mais de R$10 bilhões para expandir infraestrutura no Brasil,” Amazon, 11 set. 2024. [Online]. Disponível em: https://www.aboutamazon.com.br/noticias/aws/aws-investira-mais-de-r-10-bilhoes-para-expandir-infraestrutura-no-brasil ↩
  232. [232]MDIC, “CZPE aprova 12 projetos para R$ 585 bilhões em novos investimentos, incluindo datacenter, metais e amônia verde,” Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, 3 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20251104021618/https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/czpe-aprova-12-projetos-para-r-585-bilhoes-em-novos-investimentos-incluindo-datacenter-metais-e-amonia-verde ↩
  233. [233]Governo do Estado do Ceará, “Com R$ 200 bilhões de investimento, Data Center do TikTok no Ceará será o maior do Brasil,” Portal do Governo do Ceará, 3 dez. 2025. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20251203170929/https://www.ceara.gov.br/2025/12/03/com-r-200-bilhoes-de-investimento-data-center-do-tiktok-no-ceara-sera-o-maior-do-brasil/ ↩
  234. [234]Governo do Estado do Ceará (Ascom ZPE), “Com novo data center, ZPE Ceará consolida o Estado como hub tecnológico do País,” Portal do Governo do Ceará, 5 fev. 2026. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20260205195108/https://www.ceara.gov.br/2026/02/05/com-novo-data-center-zpe-ceara-consolida-o-estado-como-hub-tecnologico-do-pais/ ↩
  235. [235]Scala Data Centers, “Com investimento inicial de R$ 3 bilhões, governo do RS e Scala Data Centers assinam acordo para o maior projeto de infraestrutura digital do estado,” Scala Data Centers, 11 set. 2024. [Online]. Disponível em: https://scaladatacenters.com/com-investimento-inicial-de-r-3-bilhoes-governo-do-rs-e-scala-data-centers-assinam-acordo-para-o-maior-projeto-de-infraestrutura-digital-do-estado/ ↩
  236. [236]Governo do Estado do Rio Grande do Sul, “Ministério de Minas e Energia autoriza reserva energética para cidade de data centers no Rio Grande do Sul,” Portal do Estado do RS, 14 maio 2025. [Online]. Disponível em: https://estado.rs.gov.br/ministerio-de-minas-e-energia-autoriza-reserva-energetica-para-cidade-de-data-centers-no-rio-grande-do-sul ↩
  237. [237]MME/SNTEP, “Portaria SNTEP/MME nº 2.942, de 9 de maio de 2025,” Diário Oficial da União, 13 maio 2025. [Online]. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sntep/mme-n-2.942-de-9-de-maio-de-2025-628902215 ↩
  238. [238]Elea Data Centers, “Elea assina MoU com Tapestry para assegurar capacidade energética de 1,5 GW da Rio AI City,” Elea Data Centers, 6 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://eleadatacenters.com/2025/11/06/elea-assina-mou-com-tapestry-para-assegurar-capacidade-energetica-de-15-gw-da-rio-ai-city/ ↩
  239. [239]Elea Data Centers, “Elea anuncia a Rio AI City, projeto com capacidade de até 3,2GW em energia verde para impulsionar a Inteligência Artificial no mundo,” Elea Data Centers, 8 maio 2025. [Online]. Disponível em: https://eleadatacenters.com/2025/05/08/elea-anuncia-a-rio-ai-city/ ↩
  240. [240]Elea Data Centers, “Elea Data Centers é adquirida pela I Squared Capital e inicia nova fase de expansão na América Latina,” Elea Data Centers, 28 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://eleadatacenters.com/2026/04/28/elea-data-centers-e-adquirida-pela-i-squared-capital-e-inicia-nova-fase-de-expansao-na-america-latina/ ↩
  241. [241]Equinix, “Equinix fortalece liderança na América Latina com inauguração de novo data center SP6 em São Paulo,” Equinix Newsroom, 16 abr. 2026. [Online]. Disponível em: https://newsroom.equinix.com/2026-04-16-Equinix-fortalece-lideranca-na-America-Latina-com-inauguracao-de-novo-data-center-SP6-em-Sao-Paulo ↩
  242. [242]EPE (Superintendência de Estudos Econômicos e Energéticos), “A Expansão da Carga de Data Centers no mercado elétrico brasileiro (III COPAM),” Empresa de Pesquisa Energética, 10 set. 2025. [Online]. Disponível em: https://web.archive.org/web/20251004104216/https://www.epe.gov.br/sites-pt/areas-de-atuacao/energia-eletrica/WorkshopCOPAM/%5bEPE%5d%20Datacenter_AllexYukizaki%20III%20COPAM_09-2025.pdf ↩
  243. [243]Imprensa Nacional, “Busca no DOU: ‘alternativa de acesso à Rede Básica’ (1º jan. 2024 a 13 out. 2026),” Diário Oficial da União, 13 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.in.gov.br/consulta/-/buscar/dou?q=%22alternativa%20de%20acesso%20%C3%A0%20Rede%20B%C3%A1sica%22&s=todos&exactDate=personalizado&publishFrom=01-01-2024&publishTo=13-10-2026 ↩
  244. [244]ANEEL, “Resolução Normativa ANEEL nº 1.122, de 20 de maio de 2025,” Diário Oficial da União, 26 maio 2025. [Online]. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-normativa-aneel-n-1.122-de-20-de-maio-de-2025-631621948 ↩
  245. [245]EPE, “Balanço Energético Nacional 2026: Relatório Síntese, ano base 2025,” Empresa de Pesquisa Energética, 3 ago. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/balanco-energetico-nacional-2026 ↩
  246. [246]ONS, “Dados de Restrição de Operação por Constrained-off de Usinas Eólicas (dados abertos),” Operador Nacional do Sistema Elétrico, 12 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://dados.ons.org.br/dataset/restricao_coff_eolica_usi ↩
  247. [247]ONS, “Dados de Restrição de Operação por Constrained-off de Usinas Fotovoltaicas (dados abertos),” Operador Nacional do Sistema Elétrico, 12 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://dados.ons.org.br/dataset/restricao_coff_fotovoltaica ↩
  248. [248]Presidência da República, “Lei nº 15.269, de 24 de novembro de 2025 (conversão da MP 1.304/2025),” Diário Oficial da União, 24 nov. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/l15269.htm ↩
  249. [249]Casa dos Ventos, “Casa dos Ventos bate recorde com captação de US$ 1,1 bi nos EUA,” Casa dos Ventos, 18 jun. 2026. [Online]. Disponível em: https://casadosventos.com.br/noticias/captacao-nos-estados-unidos ↩
  250. [250]B3, “Relatório anual de BDRs 2025,” B3, 8 dez. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.b3.com.br/data/files/5D/D3/83/92/6430B9105B12E5A9AC094EA8/Relatorio%20Anual%20BDRs%202025.pdf ↩
  251. [251]CVM, “Resolução CVM nº 175, de 23 de dezembro de 2022: Anexo Normativo I (texto consolidado),” Comissão de Valores Mobiliários, 5 mar. 2025. [Online]. Disponível em: https://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/resolucoes/anexos/100/resol175consolid_Anexo01.pdf ↩
  252. [252]Conselho Monetário Nacional, “Resolução CMN nº 4.994, de 24 de março de 2022 (com alterações da Resolução CMN nº 5.202/2025),” Banco Central do Brasil, 24 mar. 2022. [Online]. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o%20CMN&numero=4994 ↩
  253. [253]Banco Central do Brasil, “Relatório de Estabilidade Financeira, v. 25, n. 1,” Banco Central do Brasil, 22 maio 2026. [Online]. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/publicacoes/ref/202605/RELESTAB202605-refPub.pdf ↩
  254. [254]Alphabet Inc., “Alphabet Announces Second Quarter 2026 Results,” Alphabet Investor Relations, 22 jul. 2026. [Online]. Disponível em: https://s206.q4cdn.com/479360582/files/doc_financials/2026/q2/2026q2-alphabet-earnings-release.pdf ↩
  255. [255]OpenAI, “DevDay 2026 Recap,” OpenAI, 29 set. 2026. [Online]. Disponível em: https://openai.com/index/devday-2026-recap/ ↩
  256. [256]E. Brynjolfsson, D. Li e L. Raymond, “Generative AI at Work,” The Quarterly Journal of Economics, vol. 140, n. 2, pp. 889–942, 4 fev. 2025. [Online]. Disponível em: https://doi.org/10.1093/qje/qjae044 ↩
  257. [257]A. Bick, A. Blandin e D. Deming, “The Impact of Generative AI on Work Productivity,” Federal Reserve Bank of St. Louis — On the Economy, 27 fev. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.stlouisfed.org/on-the-economy/2025/feb/impact-generative-ai-work-productivity ↩
  258. [258]U.S. Census Bureau, “Business Trends and Outlook Survey (BTOS): National estimates (AI use, collection ending Oct. 4, 2026),” U.S. Census Bureau, 8 out. 2026. [Online]. Disponível em: https://www.census.gov/hfp/btos/downloads/National.xlsx ↩
  259. [259]DeepSeek-AI, “DeepSeek-V3 Technical Report,” arXiv:2412.19437, 27 dez. 2024. [Online]. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2412.19437 ↩
  260. [260]S. Subin, “Nvidia sheds almost $600 billion in market cap, biggest one-day loss in U.S. history,” CNBC, 27 jan. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2025/01/27/nvidia-sheds-almost-600-billion-in-market-cap-biggest-drop-ever.html ↩
  261. [261]S. Meredith, “Nvidia becomes first company to reach $5 trillion valuation, fueled by AI boom,” CNBC, 29 out. 2025. [Online]. Disponível em: https://www.cnbc.com/2025/10/29/nvidia-on-track-to-hit-historic-5-trillion-valuation-amid-ai-rally.html ↩